sexta-feira, 30 de novembro de 2012

X Noite de Igualdade - Jornalismo: Crise e Desafios



A UMAR Açores / CIPA - Centro de Informação, Promoção e Acompanhamento de Políticas de Igualdade, convida-o/a a participar, na próxima quarta-feira dia 5 de Dezembro, na X Noite de Igualdade subordinada à temática do “Jornalismo: Crise e desafios”.

A iniciativa, que decorrerá no auditório do Rádio Clube de Angra, com início marcado para as 20H30, tem por objectivo a discussão em torno da igualdade na vida laboral, em particular no que aos profissionais da comunicação social açoriana diz respeito.

Numa altura em que os órgãos de comunicação social em todo o mundo, e no arquipélago, atravessam uma das mais difíceis crises, económicas, estruturais e mesmo de mudança de paradigma, pretende-se uma discussão em torno dos desafios que o Jornalismo, enquanto garante da Democracia, vive perante a fragilidade do sector e da classe profissional que o suporta.

Trata-se, pois, de uma X Noite de Igualdade centrada num dos pressupostos da Constituição Portuguesa: a da liberdade de imprensa e dos meios de comunicação social, essenciais ao funcionamento igualitário de uma sociedade.

Apesar de estruturado num debate moderado por um conjunto de jornalistas – nomeadamente por Carina Barcelos, Francisco Faria, Marta Silva, Armando Mendes, Humberta Augusto – pretende-se uma reflexão e uma participação alargada a toda a plateia.

À semelhança de anteriores edições, a X Noite de Igualdade é aberta ao público em geral.
 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Caravana automóvel. Volta à Ilha Terceira contra a violência




A UMAR Açores / CIPA, convida-o/a a participar na Volta à Ilha Terceira contra a violência que se realiza na próxima segunda feira dia 26 de Novembro de 2012.
 
Com esta iniciativa pretende-se assinalar o Dia internacional pela eliminação da violência contra a Mulher – 25 de Novembro.
 
A concentração será no parque do Bailão em Angra do Heroísmo pelas 10 Horas.
 
Traga a sua viatura e participe nesta caravana!!!
 
Ajude-nos a divulgar. Obrigada.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

O impacto do “furacão” crise na vida feminista

Marcha Mundial das Mulheres
 


A UMAR em parceria com a Marcha Mundial de Mulheres (MMM) arrancou no dia 4 de Outubro de 2012 a nível europeu, com uma campanha feminista anti-austeridade com o objectivo de alertar para o impacto da crise na vida das mulheres. A campanha será assinalada em diferentes datas como, o dia 17 de Outubro com ações em torno da erradicação da pobreza, dia 10 de Dezembro dia Internacional dos Direitos Humanos, com 24 horas de ações feministas à volta do mundo focadas na saúde e nos direitos sexuais e reprodutivos. A campanha encerra no dia 8 de Março Dia internacional da Mulher de 2013, onde durante esse vasto período de tempo serão realizadas várias iniciativas com o objetivo de recolher depoimentos de como decorre a vida das mulheres com a invasão da crise.
Esta campanha acontecerá conjuntamente em várias cidades europeias. Para a MMM é importante fundamentar o estado "chocante" de desempregof eminino e a precariedade laboral entre as mulheres que se vem observando ao longo dos tempos.
Para que fosse esclarecido de um modo sintético a temática MMM fomos entrevistar Judite Fernandes, que neste momento pertence ao Comité Internacional, como uma das representantes da região Europa.
 
Judite Fernandes
O que é a Marcha Mundial das Mulheres?
A MMM é um movimento feminista internacional que se constituiu em 1998 para unir as Mulheres do mundo em ações de luta contra a violência e a pobreza.
Todas as manifestações que vão surgindo ao longo dos tempos têm um propósito, uma história, que levou a criação das mesmas. Qual a história da MMM e o porquê do seu surgimento?
A MMM nasceu no ano 2000 como uma grande mobilização que reuniu mulheres do mundo todo em uma campanha contra a pobreza e a violência. As acções começaram a 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, e terminaram em 17 de Outubro, organizadas a partir do chamado “2000 razões para marchar contra a pobreza e a violência sexista”.
A inspiração para a criação da MMM partiu de uma manifestação realizada em 1995, no Quebec, no Canadá, quando 850 mulheres marcharam 200 quilómetros, pedindo, simbolicamente, “Pão e Rosas”. A acção marcou a retomada das mobilizações das mulheres nas ruas, fazendo uma crítica contundente ao sistema capitalista como um todo. No seu final, diversas conquistas foram alcançadas, como o aumento do salário mínimo, mais direitos para as mulheres imigrantes e apoio à economia solidária.
Entre os princípios da MMM estão a organização das mulheres urbanas e rurais a partir da base e as alianças com movimentos sociais. Defendemos a visão de que as mulheres são sujeitos ativos na luta pela transformação de suas vidas e que ela está vinculada à necessidade de superar o sistema capitalista patriarcal, racista, homofóbico e destruidor do meio ambiente.
A MMM busca construir uma perspectiva feminista afirmando o direito à autodeterminação das mulheres e a igualdade como base da nova sociedade que lutamos para construir.
Ações internacionais da Marcha Mundial das Mulheres
A Marcha já realizou três ações internacionais, nos anos 2000, 2005 e 2010. A primeira contou com a participação de mais de 5000 grupos de 159 países e territórios. Seu encerramento mobilizou milhares de mulheres em todo o mundo. Nesta ocasião, foi entregue à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, um documento com dezassete pontos de reivindicação, apoiado por cinco milhões de assinaturas. Essa ação foi caracterizada como um primeiro chamado de largo alcance, um passo no sentido da consolidação da MMM como movimento internacional.
A segunda ação mundial, realizada em 2005, novamente levou milhares de mulheres às ruas. A Marcha construiu a Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade, em que expressa sua visão das alternativas económicas, sociais e culturais para a construção de um mundo fundado nos princípios da igualdade, liberdade, justiça, paz e solidariedade entre os povos e seres humanos em geral, respeitando o meio ambiente e a biodiversidade. De 8 de março a 17 de outubro daquele ano  a partir de um retalho de cada país, foi construída uma grande Colcha Mosaico Mundial de Solidariedade, uma forma simbólica de representar a Carta.
3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres
Em 2010, a MMM realizou sua terceira ação internacional, nos períodos de 8 a 18 de Março, e de 7 a 17 de Outubro, com mobilizações de diferentes formatos em vários países do mundo. O primeiro período marcou o centenário do Dia Internacional das Mulheres com diversas marchas. O segundo teve ações simultâneas, com um ponto de encontro em Kivu do Sul, na República Democrática do Congo, expressando a solidariedade internacional entre as mulheres, enfatizando seu papel protagonista na solução de conflitos armados e na reconstrução das relações sociais em suas comunidades, em busca da paz.
Qual o seu papel na MMM?
A minha primeira participação na MMM aconteceu em Vigo em 2008, no âmbito do meu projeto de doutoramento, como observadora. Curiosamente, apaixonei-me pela MMM na Terceira, no decorrer do Congresso Feminista da UMAR-Açores, quando ouvi a comunicação da Almerinda Bento sobre a Marcha. A partir daí tornou-se que era algo com que me identificava muito, de maneira que comecei a participar na coordenação portuguesa da Marcha em 2009. Em 2010 fui eleita para o Secretariado Europeu e em 2011 para o Comité Internacional, como uma das representantes da região Europa.

Qualquer pessoa pode aderir à Marcha? Qual o processo para aderir aos eventos realizados pela Organização da MMM?
Qualquer mulher pode participar ativamente na Marcha, desde que se identifique com os sues princípios fundamentais (pode aceder à Carta Mundial aqui: http://sof.org.br/marcha/?pagina=cartaMundial) . Para aderir às suas ações, nomeadamente neste momento à Campanha europeia sobre o impacto da crise na vida das mulheres, pode entrar em contacto com a Marcha em Portugal através do email mmmulherespt@gmail.com ou nos Açores entrando em contacto com a UMAR-Açores em São Miguel, Faial ou Terceira (pode fazê-lo através do email geral@umaracores.org). A informação sobre a Campanha em Portugal está aqui: http://mulherescontraausteridade.blogs.sapo.pt e sobre a Campanha a nível europeu aqui: http://femmeseneurope.eu . Em ambos estes sites é também possível subscrever o protesto Feminista Anti-austeritário lançado por Portugal e que será no decorrer da campanha entregue aos governos europeus.
Sendo os Açores um meio muito pequeno, acha que este tipo de ações é reconhecido pelo público-alvo em questão?
Penso e espero que sim. A Marcha nos Açores participou em todas as ações internacionais com um leque muito diversificado de eventos, a que houve sempre grande adesão.
Gostaríamos que deixasse um apelo às Mulheres Terceirenses, com intuito a sensibilizá-las a aderirem a estas ações implementadas pela MMM.

Reclamamos uma vida digna que coloque as pessoas no centro da vida, que ponha em destaque os cuidados perante uma economia que não é algo abstrato nem decisões longínquas, mas que determina e afeta o dia-a-dia da vida das pessoas. Para o fazer, é fundamental a participação de todas!
Sara Ataìde
Educadora Social
 
Publicado na página Igualdade XXI no jornal Diário Insular de 24 de Outubro de 2012.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Workshop de Defesa Pessoal para Mulheres




A UMAR Açores / Cipa, com o apoio da Federação Portuguesa de Krav Maga (instrutor Rui Ferreira), vão realizar um workshop de Defesa Pessoal para Mulheres no dia 27 de Outubro de 2012.

Este vai decorrer na Sala de Ginástica da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, das 10h às 12h e das 14h às 16h.

O objectivo é dotar as participantes de estratégias para se defenderem perante situações ameaçadoras (ameaça, assalto, violação e ataque fortuito).

É dirigido às utentes, associadas, técnicas de instituições que trabalham no apoio à mulher em risco e outras mulheres que estejam interessadas.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Destaque do Mês de Setembro de 2012


Rosa Silva, a terceirense das rimas
 

Natural da freguesia da Serreta, Rosa Maria Correia da Silva, conhecida por Azoriana, a terceirense das rimas, tem 48 anos e é assistente técnica de estatística na Secretaria Regional da Saúde. A sua grande paixão é a poesia que aliou à blogosfera, sendo responsável pelos espaços www.azoriana.blogs.sapo.pt e www.silvarosamaria.blogs.sapo.pt
A 2 de Abril de 2011 publicou o seu primeiro livro, intitulado Serreta na Intimidade, onde se podem ler vários poemas da autora.
 
 
“Dizem que sou poeta e passei a acreditar que sim.”

 
Como começou e o que a motivou a escrever poesia?
Após ter conhecimento da blogosfera, o ter assunto para escrever assiduamente e a descoberta de rimar e tornar-se repentista. Dizem que sou poeta e passei a acreditar que sim.
Já cantou ao desafio. Tendo em conta que é uma atividade associada maioritariamente ao masculino como foi a sua integração?
A integração foi fácil porque foi o masculino que me convidou e me aceitou bem. As dificuldades prendem-se com algum desconhecimento desta minha vertente e o facto de não ser convidada para eventos em palco, uma vez que a maior parte das cantorias são feitas em bares ou em convívio de amigos. Propriamente em palco foram poucas vezes que atuei.
Alguma vez sentiu que, no exercício da sua profissão ou noutra atividade que desempenhe, não lhe era dada a devida credibilidade por ser mulher?
A mulher nem sempre tem a mesma aceitação que o homem talvez por ainda viver num meio pequeno, como é o das ilhas. Aos poucos, vai se integrando em tarefas que até há bem pouco eram exclusivas dos homens. Não sei bem da conversa de “bastidores” mas, pela frente, acho que tenho credibilidade pelo facto de desempenhar com convicção o que quer que me seja pedido, seja tarefa feminina seja do tipo masculina. Desde pequena que fazia parte integrante de tarefas domésticas onde prevalecia o masculino: malhar com mangual o feijão, tremoço, favas; ir à frente da vaca para fazer o rego para as sementeiras, etc.
Acha que as associações feministas desempenham um papel importante na nossa sociedade actual?
Sim. É preciso fazer valer os direitos e deveres das mulheres, sobretudo das mais frágeis.
Como acha que são vistas as mulheres vítimas de violência doméstica pela sociedade em geral?
Eu vejo-as com necessidade de muito apoio para se libertarem de um modo de vida que não é benéfico para ninguém. Eu própria já passei por isso e, graças à UMAR consegui libertar-me de um mau modo de vida.
Gosta de ser mulher?
Gosto porque fui esposa, mãe e não há nada melhor que ver o fruto de uma união… Mas tenho pena de não ter vivido as bodas de prata de um casamento que quisera para sempre e que não o foi… Tenho pena de ter descoberto o Amor fora de um tempo que queria tê-lo. Nunca é tarde para amar e muitas vezes é graças à UMAR que eleva o ser MULHER. Nunca desistam de ajudar a Mulher frágil pela violência que acontece porque o mundo está a padecer de valores.

 
CANTINHO DO CÉU

Nasci num cantinho do céu!
Por entre beijos das flores e acenos dos passarinhos.
Cresceu em mim uma vontade de voar
Quis saber se no mundo tudo era igual ao meu cantinho
Mas nem sempre a resposta era uníssona.

Fui para outros lugares
Até naveguei pelos mares
E experimentei a sensação dos pássaros
Estive perto das nuvens
E foi aí que me apercebi que o pontinho onde eu nasci
Perdia-se na imensidão global.

Então para saberem que ele existe,
Por vezes sob um tecto de nevoeiro
Mas com a Luz de uma Mãe com séculos de Amor,
Comecei a falar dele à luz do meu conhecimento.
De repente, percebo que, afinal, este cantinho,
Da minha infância e juventude,
Se avista mais longe do que eu imaginava
E está presente em mim
Faz parte de mim
Mesmo estando ausente dele,
E atraiu o encanto do mundo.

Agora posso dizer:
Nasci no cantinho do céu,
Na pequena serra, Serreta.

Rosa Silva, Azoriana
 
Publicado na Página Igualdade XXI no Jornal Diário Insular de 20 de Setembro de 2012

O apoio psicológico à mulher vítima de violência doméstica


Quando nos chega uma mulher que está num relacionamento onde sofre violência conjugal, verificamos que esta na maior parte das vezes se encontra debilitada psicologicamente. E porquê? Porque as circunstâncias em que vive potenciam o desenvolvimento de instabilidade emocional e daí por vezes surjam sintomas de ansiedade, depressão e mesmo stress pós-traumático.  

Estar num relacionamento em que o companheiro é ciumento, controlador, possessivo, agressivo, leva a que um sentimento de insegurança e medo se instale, condicionando toda a vida da pessoa. Ser humilhada, insultada, ameaçada e desvalorizada constantemente, faz com que a auto-estima sofra danos muito difíceis de reparar.

É preciso em primeiro lugar ouvir esta sobrevivente que se encontra face a face connosco depois de ter dado o difícil passo que é reconhecer o problema e procurar ajuda. E compreender aquilo por que passou. Não é necessário para tal ter vivido as mesmas circunstâncias, mas sim tentar pôr-se no lugar da pessoa e perceber que os seus sentimentos são legítimos, e mais do que mostrar simpatia, é essencial criar empatia. Aí se fundamenta a aliança terapêutica, através da qual será desenvolvido o processo de recuperação da estabilidade psicológica e emocional.

Em segundo lugar deve ser devolvida voz activa à mulher que se nos apresenta. Damos a conhecer os vários recursos existentes, exploramos as várias hipóteses de acção, mas a última palavra cabe sempre a ela. Deve reconhecer que é capaz de tomar decisões sobre a sua vida, quando muitas vezes isso lhe foi privado. O conhecimento dos seus direitos e do seu valor enquanto pessoa potencia o empoderamento da mulher, levando a que esta admita que não se deve deixar maltratar, pois quem gosta não faz sofrer: “quanto mais me bates, menos gosto de ti”. 

É impossível viver uma situação de violência doméstica e não sofrer qualquer impacto com isso. A pessoa pode é ser mais ou menos afectada, dependendo de inúmeros factores: as características e duração do relacionamento abusivo, as próprias características de personalidade da vítima, uma vez que esta pode ser mais resiliente e ter recursos individuais para lidar com as adversidades, assim como o facto de ter uma boa rede social de suporte, o que também constitui um factor protector.

Muitas vezes a mulher não reconhece mas sente uma grande dependência emocional, dificuldade em imaginar e mesmo em concretizar uma vida autónoma e porque não dizer, sozinha. A ideia de “cara metade” e “alma gémea”, dá a entender que uma pessoa só está incompleta, o que não corresponde de todo à verdade. A pessoa, mesmo sem parceiro/a é capaz de viver a sua vida e desenvolver todo o seu potencial e mesmo ser feliz, porque não? A sabedoria popular dá alguns conselhos duvidosos: “entre marido e mulher não metas a colher”, mas também os dá muito acertados “antes só que mal acompanhado/a”!
 
Rita Ferreira
Psicóloga UMAR Açores / CIPA
 
Publicado na Página Igualdade XXI no Jornal Diário Insular de 20 de Setembro de 2012