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quarta-feira, 4 de março de 2020

Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres

Celebração do 25 de Novembro na EB/JI do Porto Martins

No passado dia 25 de Novembro, celebrou-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, integrado na Campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher. A UMAR Açores – Delegação da ilha Terceira celebrou esta data junto do/as aluno/as, docentes e auxiliares da EB/JI do Porto Martins com a realização de uma Hora de Conto. “A Árvore com Super Poderes” – de Letícia Leal e Cátia Branco – foi a história contada, através da qual reforçou-se, a importância da nossa liberdade, a vários níveis, principalmente entre meninos e meninas. Todo/as somos livres de sermos o que quisermos! Foi um momento de boa disposição, partilha e momentos musicais que deixou todo/as bastante animado/as.
No final do conto plantou-se a “Árvore com Super Poderes” que ficará ao cuidado do/as aluno/as da Escola.
Fica o nosso muito obrigado pela forma como nos receberam!
 
Hora de Conto “A Árvore com Super Poderes” na EB/JI do Porto Martins
 
Plantação da “Árvore com Super Poderes” na EB/JI do Porto Martins
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 19 de Dezembro de 2019
 

“O Amor Não Dói” – Ato poético de cura através do som

Dia Internacional
pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres
 
Microfone de contato
 
A 23 de Novembro, antecipando o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres (25 de Novembro), realizou-se na UMAR Açores - Delegação da ilha Terceira um encontro para Mulheres integrado na Campanha  16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher, intitulado "O Amor não Dói".
 
Esta iniciativa foi dinamizada por Úrsula Bravo, feminista e ativista espanhola que se encontra na ilha por motivos académicos.
 
O amor não dói, é um ato poético de cura através do som, é uma terapia realizada com pedaços de histórias distorcidas através de um microfone de contato.
O microfone de contato é uma ferramenta que amplifica as vibrações superficiais de diferentes áreas do corpo através da eletricidade, aquelas que foram debilitadas, que têm cicatrizes, que falam por si mesmas, mas numa linguagem de silêncio que traduzem as nossas experiências, as que estão em segredo connosco.
 
Esta forma de terapia propõe ampliar o que é silenciado no espaço público e tornar comum o estabelecimento de debates e reações nas ruas, porque a violência recebida ainda é um tabu.
 
"Neste dia, começamos por trazer à tona as nossas histórias de vida, entre nós, tentando estabelecer a construção de uma rede de suporte para podermos reconhecer-nos no futuro como um anel de apoio. Deixamos escapar as histórias tristes, sem julgamentos. Depois existiram diferentes fases expressivas, nas quais as palavras foram libertas da dor para obter liberdade do que afoga o nosso corpo emocional e é, constantemente, silenciado. Em conjunto foi composta uma amostra de ruído através de ressonâncias de fala e dor.
Seguidamente, colocamos o amplificador com a peça sonora em direção à rua e deixamos ressoar para o espaço público, como um ato de visibilidade da escuta e ao mesmo tempo misterioso, para suscitar curiosidade nas pessoas para o que estava a acontecer. Um canto antigo de bruxas a mães, avós, filhas, a nós.”
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 19 de Dezembro de 2019
 

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O Amor não Dói – Acto poético de cura através do som

CONVITE A TODAS AS MULHERES

 
Com o objectivo de assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres - 25 de Novembro e integrado na Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, realiza-se na próximo dia 23 de Novembro (sábado) das 14:00 às 16:00 horas na delegação da ilha Terceira da UMAR Açores (no Edifício da Recreio dos Artistas em Angra do Heroísmo) uma sessão de partilha intitulada O Amor não Dói – Acto poético de cura através do som.
A iniciativa é promovida pela UMAR Açores e será dinamizada por
Úrsula Bravo.
Ativista pelas liberdades, usa poesia, performance e ato criativo como um potencial para a pesquisa de auto-representação.
O som tem o potencial de falar uma linguagem abstrata, que pode sublimar sentimentos diferentes se não encontrarmos as palavras certas.
Bem-vindas.
 
As inscrições são gratuitas e abertas a todas as Mulheres.
Inscreva-se através dos seguintes contactos:
Telefone: 295 217 860 / Telemóvel: 968 687 479
 
Participe e ajude-nos a divulgar.
Obrigada
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 7 de Novembro de 2019


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O porquê do laço preto…

25 de Novembro
Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres
 
 
A violência sobre as mulheres é um flagelo à escala mundial. Poucos fenómenos são tão globais como os maus tratos e abusos sofridos por milhares de mulheres diariamente. Falamos principalmente de violência doméstica, mas não só! O tráfico de seres humanos, a mutilação genital, os assim designados “crimes de honra”, entre outras manifestações de violência vitimizam principalmente o sexo feminino.
As desigualdades de género que alimentam o preconceito e a discriminação escavam um fosso entre mulheres e homens, com consequências nefastas para toda a humanidade. A violência doméstica é uma questão de género, uma vez que está comprovado que na grande maioria das situações o agressor é do sexo masculino e a vítima do sexo feminino (embora também estejam a aumentar os casos de homens que são vítimas). Isto ocorre porque ainda prevalece uma mentalidade machista e patriarcal na sociedade, onde se verifica desigualdade de poder havendo um elemento que domina e outro que é dominado.
A violência doméstica deixa lesões físicas e psicológicas, traumas emocionais e estados incapacitantes em muitas das suas vítimas. O expoente máximo dessa situação é o homicídio conjugal, através do qual as mulheres sucumbem às mãos de maridos, namorados, companheiros, ou mesmo ex., que não as deixaram seguir com a sua vida.
Por isso o laço preto, porque estamos de luto. Luto pelas mais de 450 mulheres que foram assassinadas no nosso país, entre 2004 e 2016. Luto pelas 18 que já morreram este ano, de acordo com os dados do Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR. As que sofreram tentativas de homicídio mais que duplicam este número. Por detrás dos números estão pessoas, histórias de vida, nomes e caras… neste Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres estamos de luto e queremos que se junte a nós na luta por um mundo mais justo!
 
Rita Ferreira / UMAR Açores
 
Publicado no jornal Diário Insular de 25 de Novembro de 2017
 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

IV WORKSHOP DE DEFESA PESSOAL FEMININA

 
Iniciativa da UMAR superou expetativas

 
Participantes no designado IV Workshop de Defesa Pessoal Feminina

Mais de 40 participantes, na grande maioria mulheres, responderam à chamada da UMAR Açores que contou com o apoio do Centro Krav Maga Ilha Terceira.
Decorreu no passado sábado, dia 28 de novembro, o aguardado IV Workshop de Defesa Pessoal Feminina. Mais uma vez a convite da UMAR Açores, o Centro Krav Maga Ilha Terceira associou-se, deste modo, à comemoração do Dia Internacional pela eliminação da violência contra a mulher.
Durante cerca de duas horas e meia, o estúdio de classes do ginásio Best Of Bowling foi anfitrião para os mais de 40 participantes, na grande maioria, como seria de prever, mulheres.
"A coberto de um ambiente fantástico, num misto de entusiasmo, concentração e sede de aprender, pois a violência contra a mulher, infelizmente, ainda é uma realidade, foram-se desenvolvendo os trabalhos previstos", sublinha, a propósito, Manuel Martins, o homem-forte da modalidade na Região Autónoma dos Açores.
O workshop evoluiu naturalmente do treino dos movimentos mais simples e básicos do Krav Maga para cenários de agressão, como agarres, estrangulamento, coação sexual e asfixia por corda/saco, etc.
"Perante um grupo deveras fantástico, nem demos pelo tempo passar. Sentimos, inclusive, um grande interesse por parte do público feminino presente, consubstanciado numa grande entrega e interação, provavelmente fruto de uma séria preocupação com a manutenção da respetiva integridade física", acrescenta o nosso interlocutor.
"No final, como é hábito, ressalvámos que apenas uma prática séria, assídua e continuada permite desenvolver os automatismos corretos para uma reação adequada perante uma ameaça ou agressão. No entanto, acreditamos que quem participou levou consigo algumas 'ferramentas' que, em algum momento, podem ser muito úteis e eficazes. Um bem-haja à UMAR Açores e à coragem das mulheres", remata, "satisfeito" com o reconhecido sucesso da ação, Manuel Martins.

Publicado no Jornal Diário Insular de 2 de Dezembro de 2015
 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Os Femicídios em Portugal

Conferência de imprensa sobre Os Femicídios em Portugal com a Presidente da UMAR Dra. Maria José Magalhães, a 25 de Novembro - Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres na delegação da UMAR Açores na ilha Terceira
 
 
 
 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

4º Workshop de Defesa Pessoal Feminina - KRAV MAGA

 
Estão abertas as inscrições para 4ª edição do Workshop de Defesa Pessoal Feminina resultante de uma parceria entre a UMAR Açores / CIPA e a Delegação da Federação Portuguesa de KRAV MAGA nos Açores.

Este, terá lugar no próximo dia 28 de Novembro de 2015 (sábado) entre as 17h00 e as 19h00, no ginásio do Best of Bowling em Angra do Heroísmo.

Esta iniciativa realiza-se no âmbito das actividades da UMAR Açores / Cipa para assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher – 25 de Novembro.

O principal objectivo deste Workshop consiste no treino de estratégias de prevenção e defesa perante situações de perigo e ameaça física.

A participação é gratuita e aberta a todas as interessadas, que poderão efectuar a sua inscrição através dos seguintes contactos telefónicos: 295 217 860 / 968 687 479, ou para o e-mail: umarterceira@gmail.com.

Participe ajude-nos a divulgar!

Obrigada
 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

III Workshop de Defesa Pessoal Feminina


Integrado nas iniciativas da UMAR Açores para assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres (25 de Novembro), decorreu no passado dia 22 de Novembro o 3º Workshop de Defesa Pessoal Feminina, realizado em parceria com a Delegação Açores da Federação Portuguesa de Krav Maga (F.P.K.M.). Este teve lugar no espaço da Academia Desportiva dos Açores, nos jardins dos Corte-Reais, e foi orientado pelos instrutores Manuel Martins, Hugo Rabaçal e José Almeida.

Foram simuladas várias situações de risco e ameaça física como agressões, agarres, estrangulamento, violação, entre outras. O principal objectivo desta formação prendia-se com o treino de estratégias de auto-defesa para reagir e lidar com essas situações, no sentido da preservação da integridade física. Também a componente psicológica é desenvolvida, pois uma vez que a pessoa se sente mais forte e capaz de reagir deixa de assumir uma postura tão passiva e submissa, o que muitas vezes é uma vantagem para os agressores.

O Krav Maga é um sistema de defesa pessoal e combate corpo a corpo, que pode ser praticado por pessoas de todas as idades e constituições físicas (incluindo crianças) e é por muitos considerado “o sistema de defesa pessoal mais eficaz do mundo”.

Na Ilha Terceira a F.P.K.M. tem duas escolas, uma em Angra do Heroísmo (no espaço referido anteriormente) onde os treinos são realizados às 2ªs, 4ªs e 6ªs das 20h15 às 21h30 e também aos Sábados das 13h00 às 14h30; e outra na Praia da Vitória (no Pavilhão das Artes Marciais) com aulas às 3ªs e às 5ªs das 19h00 às 20h30. Mais informações em facebook.com/fpkmrd e em www.kravmagaportugal.com.      

 





 
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 12 de Dezembro de 2014
 
 


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Mulher tem o Direito de aprender a defender-se


Rosa Carvalhal – Vice-Presidente da Direcção da UMAR Açores
 
 
A UMAR Açores está a organizar com a federação de Krav Maga um curso de defesa pessoal para mulheres. Que realidades justificam esta iniciativa?
Muitas mulheres são vítimas de violência doméstica, de violação, de furtos e de roubos, devido à sua frágil constituição física. Publicitam-se cartazes, sobre a violência exercida sobre os idosos, as crianças e as mulheres. Analisando cada grupo por si, constatamos que apenas a mulher é sempre vítima, porque a qualidade de idoso e de criança é sempre temporária e representa apenas um estado da vida. Por essas razões, a mulher tem de aprender a defender-se, não só enquanto criança e idosa, mas sempre enquanto mulher.
 
Sendo que a iniciativa se integra no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, em que medida as duas coisas se podem interligar?
A violência só poderá ser justificada, quando é exercida em legítima defesa, seja própria seja de terceiros. O agressor é tendencialmente cobarde, aproveitando-se da fragilidade física das suas vítimas e retirando, muitas vezes, prazer do medo que incute sobre as mesmas.
Se constatar que a vítima tem capacidade para se defender e que já não tem medo, é capaz de repensar a sua actuação, uma vez que esta já não o satisfaz da mesma forma.
 
O fenómeno da violência contra as mulheres parece ser endémico nos Açores. Há uma nova mentalidade a despontar ou, pelo contrário, a realidade reproduz-se?
Haverá uma nova mentalidade, porque as vítimas nos Açores estão mais informadas tanto dos seus direitos, como da existência de associações como a nossa, resultado do trabalho de sensibilização realizado nos últimos quinze anos. Neste contexto, as mulheres começaram a ter coragem para denunciar os seus agressores, contudo ainda é necessário desmistificar alguns estereótipos, para se chegar a uma real protecção para as vítimas.
Um exemplo concreto é o facto de na maioria das vezes, ser a vítima obrigada a abandonar o seu lar, para se afastar e proteger do agressor. Por sua vez, o agressor fica confortavelmente a aguardar o resultado da sua conduta, legalmente punível, inclusive em algumas situações, recebendo apoios sociais.
 
O crescimento da violência, sobretudo em contexto familiar, pode estar associado a situações de crise como a que vivemos. O que está a acontecer entre nós que possa ser associado ao actual contexto de crise?
É verdade que o contexto de crise actual poderá potenciar a violência, contudo não podemos minimizar este fenómeno, estabelecendo um paralelismo entre precariedade económica e índices de violência doméstica. O trabalho diário no terreno, demonstra que a violência doméstica e de género é um fenómeno transversal a todas as classes sociais.
 
 
Publicado no Jornal Diário Insular de 8 de Novembro de 2014


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Volta à Ilha Terceira contra a violência doméstica

Divulgação dos serviços da UMAR Açores na Ilha Terceira


No âmbito do plano de actividade da UMAR Açores / Cipa para o ano de 2012, realizou-se na passada segunda feira dia 26 de Novembro uma caravana automóvel intitulada Volta à Ilha Terceira contra a violência. Com esta iniciativa pretendeu-se assinalar o Dia internacional pela eliminação da violência contra a Mulher – 25 de Novembro.
 
Publicado na página Igualdade XXI no jornal Diário Insular de 1 de Dezembro de 2012.
 
 
 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Caravana automóvel. Volta à Ilha Terceira contra a violência




A UMAR Açores / CIPA, convida-o/a a participar na Volta à Ilha Terceira contra a violência que se realiza na próxima segunda feira dia 26 de Novembro de 2012.
 
Com esta iniciativa pretende-se assinalar o Dia internacional pela eliminação da violência contra a Mulher – 25 de Novembro.
 
A concentração será no parque do Bailão em Angra do Heroísmo pelas 10 Horas.
 
Traga a sua viatura e participe nesta caravana!!!
 
Ajude-nos a divulgar. Obrigada.


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Eu escolhi viver…

25 de Novembro
Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher


Eu escolhi viver…


Eu sou uma mulher como todas as outras. E como muitas outras vi-me enredada na teia dos maus-tratos.
No início nem me apercebi do que estava a acontecer, era muito nova, tinha 20 anos, e deram-se alguns comportamentos que só depois compreendi o que significavam – a pressa para casar, para me ter sob o seu controlo, a critica constante da minha forma de falar, de proceder. Fazia-me sentir condicionada, com dúvidas em relação a mim própria. E o ciúme? Por acaso não me iludi com o mito do ciúme ser sinónimo de amor, como acontece com tantas jovens… desde o início percebi que o ciúme era sinal de insegurança da parte dele.
Ele bebia muito, e quando bebia era bastante agressivo verbal e psicologicamente. Por vezes parecia louco, de algo insignificante fazia uma tempestade num copo de água e eu tinha de me calar e de me submeter. Com o tempo o seu comportamento agravou-se, ele foi-se tornando cada vez mais violento verbalmente – as palavras eram de uma violência extrema, e feriam de forma brutal…
A agressão física veio muito mais tarde, mas a partir desse dia, percebi que nunca mais podia confiar nele. Para mim, amor é sinónimo de confiança e respeito, e isso perdeu-se a partir daquele dia em que me bateu pela primeira vez. Eu soube logo aí que o meu casamento iria acabar um dia, porque não podia permanecer com uma pessoa assim, o que eu não sabia é que ainda levariam muito anos até isso acontecer.
Vivíamos no estrangeiro, e eu tinha conhecimento dos recursos de apoio existentes, mas nunca os procurei… a vergonha levou a melhor. Queria esconder de todos a minha situação, não contava a ninguém, guardava tudo para mim. As minhas colegas de trabalho apercebiam-se, porque eu aparecia várias vezes magoada mas nunca perguntaram nada, não se falava sobre isso. É o mesmo que acontece quando vemos alguém com uma deficiência física que nos choca muito, mas não temos coragem de perguntar “Porque é que tu estás assim? O que é que te aconteceu?”.
Eu dizia ao meu marido que não aceitava o facto de ele me bater, nem de ele beber em excesso, ele respondia-me que tinha de aceitar, tal como as outras mulheres aceitavam, mas eu não me conformava! Cá dentro sentia uma revolta contra aquilo. Não merecia ser tratada assim!
Quando voltámos para a Terceira, pensei que ia ficar mais protegida, perto da minha família, a exercer a minha profissão… mas o comportamento dele piorava a cada dia, e o pavor era o sentimento predominante na minha casa. Eu odiava a minha casa. As nossas filhas também sentiam a tortura psicológica que dominava o dia-a-dia.
Saí de casa algumas vezes, mas aí surgiam os pedidos de desculpa e promessas de mudança, que me faziam regressar… e após breves períodos de bonança, as tempestades voltavam com agressões e ofensas cada vez mais graves. O problema do alcoolismo agravava-se e ele finalmente procurou ajuda. No entanto, mais tarde acabou por se tornar dependente de medicação, que alterava ainda mais o seu comportamento. Muitas vezes senti que corria perigo de vida, e o medo de morrer surgiu em várias situações, mas a esperança na mudança faziam-me ficar mais um dia, mais um mês, mais um ano…
O que mais me magoava era a atitude das outras pessoas: “Então? Ela não sabe o que quer!”, “Porque não o deixa?”, “Não se decide!”, “Se continua a apanhar é porque gosta”. Para mim estes comentários demonstram absoluta ignorância acerca do que é viver a violência conjugal e o condicionamento psicológico a que a mulher é sujeita ao longo dos anos. Não percebem que é muito difícil terminar um casamento, acabar com uma família, há muitas coisas em jogo, muitos factores pesam sendo o medo um dos principais, apesar do desejo absoluto de libertação.
Eu sentia-me doente física e psicologicamente, cheguei a ter reacções que mais tarde considerei que não eram normais. Numa ocasião, após uma agressão andei na rua a deambular sem destino, não sei por onde andei, mas sei que entrei num consultório e o médico analisou a minha ferida e fez um relatório. Saí de lá com o relatório na mão, escondi-o, e nunca mais me lembrei que tinha estado no médico. O desgaste e exaustão eram tais, que já não conseguia lidar com a situação. Já não me reconhecia, com a minha auto-estima completamente em baixo, já não aguentava mais, senti que tinha chegado ao fundo do poço…
Uma frase fez a diferença. Um dia uma amiga, que já tinha vivido a mesma situação disse-me: «Tu queres morrer ou queres viver? Se ficares, vais morrer às mãos dele.» Foi este o clique da mudança. Naquele dia tomei a decisão final, procurei um advogado, planeei a minha saída, e nunca mais voltei… foi o primeiro dia do resto da minha vida, a primeira vez que dormi sem medo em anos. Mas não foi o início da minha paz. Ainda fui perseguida, agredida na rua, e ameaçada de morte. Através das minhas filhas, soube que tinha adquirido armas para me matar. O divórcio foi litigioso, moroso e doloroso… um processo que se arrastou durante cinco anos. Finalmente consegui libertar-me, mas o alívio só surgiu quando ele morreu, devido a doença prolongada.
Sei que muitas mulheres vivem o mesmo. Este testemunho é também para que não se sintam sós, comecem a pensar nelas próprias e não neles. Não pode haver amor onde não há confiança e respeito. Sejam mais fortes que a vergonha, e o medo de dar o passo decisivo… procurem ajuda! Sozinha é muito difícil. Toda a mulher tem direito a viver com dignidade e em paz. Lembrem-se também dos filhos e filhas, que ficam afectados psicologicamente e que isso vai influenciar as suas relações no futuro. Refaçam a vossa vida, mas com cautela, porque o perigo de cair na mesma teia é muito grande. Só com tempo se consegue estabilizar e escolher a pessoa certa, que nos dê valor e nos respeite como pessoas válidas e merecedoras que somos.

M.

Publicado na página Igualdade XXI – Jornal Diário Insular de 25 de Novembro de 2010



SAIBA SE É UM POSSÍVEL AGRESSOR

25 de Novembro
Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher

FAÇA UM TESTE
SAIBA SE É UM POSSÍVEL AGRESSOR

É extremamente ciumento das pessoas que prestam atenção à sua companheira?

Tenta controlar os gastos financeiros, os actos e com quem se relaciona socialmente a sua companheira?

Procura transmitir-lhe medo através de determinados olhares ou por acções e gestos tais como: partir ou danificar objectos pessoais ou exibir algum tipo de arma?

Já ameaçou matá-la ou suicidar-se?

É sempre você quem toma todas as decisões?

Proíbe-a de ver ou falar com amigo/as e pessoas da família ou limita os seus movimentos e acções no exterior?

Culpa a sua companheira pelos seus actos violentos?

Já ameaçou matar os seus animais de estimação?

Vexa-a diante de outras pessoas, humilha-a, procura baralhá-la, levando-a a pensar que estará doida?

Impede-a de obter um emprego ou de poder continuar no emprego que tem?
Desincentiva-a a estudar?

Tira-lhe o seu dinheiro ou não lhe dá qualquer informação sobre as receitas e bens do casal?

Quando discutem ameaça tirar-lhe o/as filho/as?

A sua companheira torna-se demasiado calada quando você está por perto, com medo de o fazer zangar-se?

Cancela planos comuns no último momento sem dar justificações à sua companheira?

Tem necessidade de explicar à família ou aos/às amigo/as escoriações e marcas roxas que a sua companheira por vezes apresenta?

Publicado na página Igualdade XXI – Jornal Diário Insular de 25 de Novembro de 2010

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres - 25 de Novembro

Proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1999, o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres assinala-se a 25 de Novembro. A data foi definida no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado em 1981, em Bogotá na Colômbia com o objectivo de lembrar as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujillo na República Dominicana (1930-1961). As irmãs Mirabal são também conhecidas como as “Mariposas”, por ter sido esse o nome secreto escolhido por Minerva nas suas actividades políticas clandestinas contra o regime. Conta a história que quatro irmãs, Pátria, Minerva, Maria Teresa e Dedé Mirabal, da República Dominicana (as três primeiras conhecidas pelas suas actividades políticas clandestinas contra a tirania do governo Trujilista), foram assassinadas a 25 de Novembro de 1960, quando regressavam de carro de uma visita aos seus maridos, entretanto detidos pelo regime em Puerto Plata. Mandadas parar em "La Cumbre" por agentes dos serviços secretos militares de Trujilo, foram torturadas e assassinadas, separadamente para assim não sentirem a execução das outras. Os agentes tentaram forjar um suposto acidente de viação que todo/as sabiam não ter existido. Este episódio foi o início da decadência do regime de Trujillo.
Assim em 1981, as feministas reunidas no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, decidiram instaurar o 25 de Novembro de cada ano como Dia da Não Violência à Mulher e como data de activismo, de sensibilização e de procura de soluções para um grave problema que afecta as Mulheres por todo o mundo. Desde então o dia tem servido para denunciar a violência praticada contra as Mulheres, que, pelos dados vindos a público recentemente, coloca a humanidade perante um dos problemas mais dramáticos de desrespeito pelos mais elementares direitos humanos.
A violência contra as Mulheres, considerada por muito/as estudioso/as como sendo de índole cultural, tem causas profundas na degradação da vida familiar e está directamente relacionada com as dificuldades crescentes da vida económica, social e profissional das famílias que enfrentam situações dramáticas de desemprego, pobreza e ausência de perspectivas de vida. Embora a violência conjugal seja a expressão de violência mais frequente e brutal a nível mundial, é importante denunciar e combater outras formas de abuso, nomeadamente, a violência social que, fora do ambiente doméstico, submete as Mulheres a constrangimentos, a discriminações, a desigualdades de oportunidades, de acesso ao emprego ou que as atira para a prostituição, tornando-as presas fáceis dos traficantes da indústria do sexo.
Outra forma de violência reside nos locais de trabalho, onde não são praticados salários iguais para trabalho de valor igual, onde o assédio sexual é uma prática muitas vezes silenciada, onde os despedimentos de Mulheres grávidas são feitos à revelia da legislação em vigor ou onde as Mulheres tem dificuldades de acesso aos cargos de tomada de decisão e ainda, em algumas profissões, a exigência “de uma boa aparência” é critério para discriminação indirecta.
Por fim a violência étnica, que penaliza as Mulheres imigrantes, em função da cor da pele, da etnia, do grupo de pertença, marginalizando milhares de Mulheres que, de forma cruel, são estereotipadas como “seres inferiores”, em função dos padrões da cultura dominante e do poder autoritário e intolerante.
Urge apelar à sociedade para que se mobilize contra todas estas formas de violência, denunciando-as…

Publicado no Jornal Diário Insular - IGUALDADE XXI - de 4 de Dezembro de 2009