quarta-feira, 4 de março de 2020
Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres
“O Amor Não Dói” – Ato poético de cura através do som
segunda-feira, 18 de novembro de 2019
O Amor não Dói – Acto poético de cura através do som
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
O porquê do laço preto…
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
IV WORKSHOP DE DEFESA PESSOAL FEMININA
Durante cerca de duas horas e meia, o estúdio de classes do ginásio Best Of Bowling foi anfitrião para os mais de 40 participantes, na grande maioria, como seria de prever, mulheres.
"A coberto de um ambiente fantástico, num misto de entusiasmo, concentração e sede de aprender, pois a violência contra a mulher, infelizmente, ainda é uma realidade, foram-se desenvolvendo os trabalhos previstos", sublinha, a propósito, Manuel Martins, o homem-forte da modalidade na Região Autónoma dos Açores.
O workshop evoluiu naturalmente do treino dos movimentos mais simples e básicos do Krav Maga para cenários de agressão, como agarres, estrangulamento, coação sexual e asfixia por corda/saco, etc.
"Perante um grupo deveras fantástico, nem demos pelo tempo passar. Sentimos, inclusive, um grande interesse por parte do público feminino presente, consubstanciado numa grande entrega e interação, provavelmente fruto de uma séria preocupação com a manutenção da respetiva integridade física", acrescenta o nosso interlocutor.
"No final, como é hábito, ressalvámos que apenas uma prática séria, assídua e continuada permite desenvolver os automatismos corretos para uma reação adequada perante uma ameaça ou agressão. No entanto, acreditamos que quem participou levou consigo algumas 'ferramentas' que, em algum momento, podem ser muito úteis e eficazes. Um bem-haja à UMAR Açores e à coragem das mulheres", remata, "satisfeito" com o reconhecido sucesso da ação, Manuel Martins.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Os Femicídios em Portugal
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
4º Workshop de Defesa Pessoal Feminina - KRAV MAGA
Este, terá lugar no próximo dia 28 de Novembro de 2015 (sábado) entre as 17h00 e as 19h00, no ginásio do Best of Bowling em Angra do Heroísmo.
Esta iniciativa realiza-se no âmbito das actividades da UMAR Açores / Cipa para assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher – 25 de Novembro.
O principal objectivo deste Workshop consiste no treino de estratégias de prevenção e defesa perante situações de perigo e ameaça física.
A participação é gratuita e aberta a todas as interessadas, que poderão efectuar a sua inscrição através dos seguintes contactos telefónicos: 295 217 860 / 968 687 479, ou para o e-mail: umarterceira@gmail.com.
Participe ajude-nos a divulgar!
Obrigada
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
III Workshop de Defesa Pessoal Feminina
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Mulher tem o Direito de aprender a defender-se
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Volta à Ilha Terceira contra a violência doméstica
terça-feira, 27 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Caravana automóvel. Volta à Ilha Terceira contra a violência
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Eu escolhi viver…
Eu escolhi viver…
Eu sou uma mulher como todas as outras. E como muitas outras vi-me enredada na teia dos maus-tratos.
No início nem me apercebi do que estava a acontecer, era muito nova, tinha 20 anos, e deram-se alguns comportamentos que só depois compreendi o que significavam – a pressa para casar, para me ter sob o seu controlo, a critica constante da minha forma de falar, de proceder. Fazia-me sentir condicionada, com dúvidas em relação a mim própria. E o ciúme? Por acaso não me iludi com o mito do ciúme ser sinónimo de amor, como acontece com tantas jovens… desde o início percebi que o ciúme era sinal de insegurança da parte dele.
Ele bebia muito, e quando bebia era bastante agressivo verbal e psicologicamente. Por vezes parecia louco, de algo insignificante fazia uma tempestade num copo de água e eu tinha de me calar e de me submeter. Com o tempo o seu comportamento agravou-se, ele foi-se tornando cada vez mais violento verbalmente – as palavras eram de uma violência extrema, e feriam de forma brutal…
A agressão física veio muito mais tarde, mas a partir desse dia, percebi que nunca mais podia confiar nele. Para mim, amor é sinónimo de confiança e respeito, e isso perdeu-se a partir daquele dia em que me bateu pela primeira vez. Eu soube logo aí que o meu casamento iria acabar um dia, porque não podia permanecer com uma pessoa assim, o que eu não sabia é que ainda levariam muito anos até isso acontecer.
Vivíamos no estrangeiro, e eu tinha conhecimento dos recursos de apoio existentes, mas nunca os procurei… a vergonha levou a melhor. Queria esconder de todos a minha situação, não contava a ninguém, guardava tudo para mim. As minhas colegas de trabalho apercebiam-se, porque eu aparecia várias vezes magoada mas nunca perguntaram nada, não se falava sobre isso. É o mesmo que acontece quando vemos alguém com uma deficiência física que nos choca muito, mas não temos coragem de perguntar “Porque é que tu estás assim? O que é que te aconteceu?”.
Eu dizia ao meu marido que não aceitava o facto de ele me bater, nem de ele beber em excesso, ele respondia-me que tinha de aceitar, tal como as outras mulheres aceitavam, mas eu não me conformava! Cá dentro sentia uma revolta contra aquilo. Não merecia ser tratada assim!
Quando voltámos para a Terceira, pensei que ia ficar mais protegida, perto da minha família, a exercer a minha profissão… mas o comportamento dele piorava a cada dia, e o pavor era o sentimento predominante na minha casa. Eu odiava a minha casa. As nossas filhas também sentiam a tortura psicológica que dominava o dia-a-dia.
Saí de casa algumas vezes, mas aí surgiam os pedidos de desculpa e promessas de mudança, que me faziam regressar… e após breves períodos de bonança, as tempestades voltavam com agressões e ofensas cada vez mais graves. O problema do alcoolismo agravava-se e ele finalmente procurou ajuda. No entanto, mais tarde acabou por se tornar dependente de medicação, que alterava ainda mais o seu comportamento. Muitas vezes senti que corria perigo de vida, e o medo de morrer surgiu em várias situações, mas a esperança na mudança faziam-me ficar mais um dia, mais um mês, mais um ano…
O que mais me magoava era a atitude das outras pessoas: “Então? Ela não sabe o que quer!”, “Porque não o deixa?”, “Não se decide!”, “Se continua a apanhar é porque gosta”. Para mim estes comentários demonstram absoluta ignorância acerca do que é viver a violência conjugal e o condicionamento psicológico a que a mulher é sujeita ao longo dos anos. Não percebem que é muito difícil terminar um casamento, acabar com uma família, há muitas coisas em jogo, muitos factores pesam sendo o medo um dos principais, apesar do desejo absoluto de libertação.
Eu sentia-me doente física e psicologicamente, cheguei a ter reacções que mais tarde considerei que não eram normais. Numa ocasião, após uma agressão andei na rua a deambular sem destino, não sei por onde andei, mas sei que entrei num consultório e o médico analisou a minha ferida e fez um relatório. Saí de lá com o relatório na mão, escondi-o, e nunca mais me lembrei que tinha estado no médico. O desgaste e exaustão eram tais, que já não conseguia lidar com a situação. Já não me reconhecia, com a minha auto-estima completamente em baixo, já não aguentava mais, senti que tinha chegado ao fundo do poço…
Uma frase fez a diferença. Um dia uma amiga, que já tinha vivido a mesma situação disse-me: «Tu queres morrer ou queres viver? Se ficares, vais morrer às mãos dele.» Foi este o clique da mudança. Naquele dia tomei a decisão final, procurei um advogado, planeei a minha saída, e nunca mais voltei… foi o primeiro dia do resto da minha vida, a primeira vez que dormi sem medo em anos. Mas não foi o início da minha paz. Ainda fui perseguida, agredida na rua, e ameaçada de morte. Através das minhas filhas, soube que tinha adquirido armas para me matar. O divórcio foi litigioso, moroso e doloroso… um processo que se arrastou durante cinco anos. Finalmente consegui libertar-me, mas o alívio só surgiu quando ele morreu, devido a doença prolongada.
Sei que muitas mulheres vivem o mesmo. Este testemunho é também para que não se sintam sós, comecem a pensar nelas próprias e não neles. Não pode haver amor onde não há confiança e respeito. Sejam mais fortes que a vergonha, e o medo de dar o passo decisivo… procurem ajuda! Sozinha é muito difícil. Toda a mulher tem direito a viver com dignidade e em paz. Lembrem-se também dos filhos e filhas, que ficam afectados psicologicamente e que isso vai influenciar as suas relações no futuro. Refaçam a vossa vida, mas com cautela, porque o perigo de cair na mesma teia é muito grande. Só com tempo se consegue estabilizar e escolher a pessoa certa, que nos dê valor e nos respeite como pessoas válidas e merecedoras que somos.
M.
Publicado na página Igualdade XXI – Jornal Diário Insular de 25 de Novembro de 2010
SAIBA SE É UM POSSÍVEL AGRESSOR
FAÇA UM TESTESAIBA SE É UM POSSÍVEL AGRESSOR
É extremamente ciumento das pessoas que prestam atenção à sua companheira?
Tenta controlar os gastos financeiros, os actos e com quem se relaciona socialmente a sua companheira?
Procura transmitir-lhe medo através de determinados olhares ou por acções e gestos tais como: partir ou danificar objectos pessoais ou exibir algum tipo de arma?
Já ameaçou matá-la ou suicidar-se?
É sempre você quem toma todas as decisões?
Proíbe-a de ver ou falar com amigo/as e pessoas da família ou limita os seus movimentos e acções no exterior?
Culpa a sua companheira pelos seus actos violentos?
Já ameaçou matar os seus animais de estimação?
Vexa-a diante de outras pessoas, humilha-a, procura baralhá-la, levando-a a pensar que estará doida?
Impede-a de obter um emprego ou de poder continuar no emprego que tem?
Desincentiva-a a estudar?
Tira-lhe o seu dinheiro ou não lhe dá qualquer informação sobre as receitas e bens do casal?
Quando discutem ameaça tirar-lhe o/as filho/as?
A sua companheira torna-se demasiado calada quando você está por perto, com medo de o fazer zangar-se?
Cancela planos comuns no último momento sem dar justificações à sua companheira?
Tem necessidade de explicar à família ou aos/às amigo/as escoriações e marcas roxas que a sua companheira por vezes apresenta?
Publicado na página Igualdade XXI – Jornal Diário Insular de 25 de Novembro de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres - 25 de Novembro
Proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1999, o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres assinala-se a 25 de Novembro. A data foi definida no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado em 1981, em Bogotá na Colômbia com o objectivo de lembrar as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujillo na República Dominicana (1930-1961). As irmãs Mirabal são também conhecidas como as “Mariposas”, por ter sido esse o nome secreto escolhido por Minerva nas suas actividades políticas clandestinas contra o regime. Conta a história que quatro irmãs, Pátria, Minerva, Maria Teresa e Dedé Mirabal, da República Dominicana (as três primeiras conhecidas pelas suas actividades políticas clandestinas contra a tirania do governo Trujilista), foram assassinadas a 25 de Novembro de 1960, quando regressavam de carro de uma visita aos seus maridos, entretanto detidos pelo regime em Puerto Plata. Mandadas parar em "La Cumbre" por agentes dos serviços secretos militares de Trujilo, foram torturadas e assassinadas, separadamente para assim não sentirem a execução das outras. Os agentes tentaram forjar um suposto acidente de viação que todo/as sabiam não ter existido. Este episódio foi o início da decadência do regime de Trujillo.Assim em 1981, as feministas reunidas no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, decidiram instaurar o 25 de Novembro de cada ano como Dia da Não Violência à Mulher e como data de activismo, de sensibilização e de procura de soluções para um grave problema que afecta as Mulheres por todo o mundo. Desde então o dia tem servido para denunciar a violência praticada contra as Mulheres, que, pelos dados vindos a público recentemente, coloca a humanidade perante um dos problemas mais dramáticos de desrespeito pelos mais elementares direitos humanos.
A violência contra as Mulheres, considerada por muito/as estudioso/as como sendo de índole cultural, tem causas profundas na degradação da vida familiar e está directamente relacionada com as dificuldades crescentes da vida económica, social e profissional das famílias que enfrentam situações dramáticas de desemprego, pobreza e ausência de perspectivas de vida. Embora a violência conjugal seja a expressão de violência mais frequente e brutal a nível mundial, é importante denunciar e combater outras formas de abuso, nomeadamente, a violência social que, fora do ambiente doméstico, submete as Mulheres a constrangimentos, a discriminações, a desigualdades de oportunidades, de acesso ao emprego ou que as atira para a prostituição, tornando-as presas fáceis dos traficantes da indústria do sexo.
Outra forma de violência reside nos locais de trabalho, onde não são praticados salários iguais para trabalho de valor igual, onde o assédio sexual é uma prática muitas vezes silenciada, onde os despedimentos de Mulheres grávidas são feitos à revelia da legislação em vigor ou onde as Mulheres tem dificuldades de acesso aos cargos de tomada de decisão e ainda, em algumas profissões, a exigência “de uma boa aparência” é critério para discriminação indirecta.
Por fim a violência étnica, que penaliza as Mulheres imigrantes, em função da cor da pele, da etnia, do grupo de pertença, marginalizando milhares de Mulheres que, de forma cruel, são estereotipadas como “seres inferiores”, em função dos padrões da cultura dominante e do poder autoritário e intolerante.
Urge apelar à sociedade para que se mobilize contra todas estas formas de violência, denunciando-as…
Publicado no Jornal Diário Insular - IGUALDADE XXI - de 4 de Dezembro de 2009








