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terça-feira, 22 de novembro de 2016

DESTAQUE DO MÊS DE NOVEMBRO DE 2016

ANA ISA CABRAL
 
Fotografia António Bettencourt
 
Nunca me senti descriminada por ser mulher, apenas por ser jovem e talvez irreverente. Contudo, acho que foi a minha irreverência que me trouxe onde estou hoje.
 
Ana Isa dos Santos Cabral tem 29 anos e é licenciada em comunicação social e cultura. Profissionalmente exerce funções de assessora de imprensa e é presidente do TAC – Terceira Automóvel Clube.
 
Como começou e o que a motivou a organizar provas de automobilismo?
Comecei a envolver-me nas organizações com 16 anos. O meu irmão mais velho e alguns amigos que tínhamos em comum colaboravam com o TAC na vertente da segurança, o que de certa forma me influenciou a aceitar envolver-me neste mundo. Em abril de 2004, fiz segurança pela primeira vez numa edição do Rali Sical, tendo acompanhado muito de perto todos os aspetos que envolviam a prova, em especial aquela, que ficou marcada por uma grande mudança nos ralis açorianos. Ganhei o gosto pela modalidade na mesma hora e a partir daí fui ganhando igualmente a confiança das organizações por ser motivada, empenhada e com vontade de fazer sempre mais, o que me trouxe a esta posição agora.
 
Como é colaborar com um desporto maioritariamente associado ao masculino?
Eu integro-me muito bem e posso garantir que no mundo do automobilismo não existe discriminação por género. Muito pelo contrário. É um mundo onde melhor me sinto. A minha integração correu bem desde o início e nunca tive qualquer tipo de problema relacionado com isso com as pessoas envolvidas nesta área. Sempre me senti muito acarinhada e apoiada pelos homens e mulheres no mundo dos ralis.
Todas as dificuldades que enfrentei ao longo deste anos no TAC nunca estiveram relacionadas com falta de integração ou qualquer tipo de discriminação.
 
Alguma vez sentiu que não lhe era dada a devida credibilidade por ser Mulher?
Sim. Quando fazia segurança nos ralis isso aconteceu-me algumas vezes. Eu era demasiado pequena para conseguir impor o respeito desejado que aquela função exige e muitas vezes não era levada a sério pelo público pelo facto de ser mulher. Essa foi uma das razões que me levou a deixar de fazer segurança na estrada e passar a assumir outras funções no clube. A partir daí, nunca mais passei por qualquer situação semelhante.
 
Sobre as Mulheres vítimas de violência doméstica
Se por um lado, acho que a sociedade em geral olha para essas mulheres com pena, também acho que nos dias de hoje a sociedade tem uma grande facilidade de julgar alguém que seja vítima de violência doméstica por não apresentar queixa e por se sujeitar a isso, antes de tentar colocar-se no lugar do outro e perceber os motivos que levaram a essa situação. Cada caso é um caso, há inúmeras situações diferentes e não podemos generalizar.
Na minha opinião, quem passa por casos de violência doméstica deve ser tratado com respeito, pois são situações muitos complicadas e encaradas de forma diferente por cada um que por elas passa. Contudo, também acho que a sociedade ainda tem alguma dificuldade em identificar tipos de violência como a emocional ou a social, em que a pressão psicológica e a perturbação e invasão da vida privada são muitas vezes piores do que a agressão física. Neste contexto, o trabalho desenvolvido por associações como a UMAR Açores contribui para a educação em relação não só à violência doméstica, mas principalmente na defesa dos direitos das mulheres e na promoção da igualdade de género. É muito importante estar próximo das pessoas, não só para dar resposta a todas aquelas que necessitam, como para defender aquele que é um direito e um dever de todos os cidadãos. A formação nesta área é fundamental e só é possível graças à mensagem que a UMAR Açores e outras instituições do género incutem na sociedade, porque infelizmente, ainda encontramos pessoas nos dias de hoje que ainda não sabem respeitar a igualdade de género.
 
O que aconselharia a outras Mulheres que gostariam de assumir um papel determinante na sociedade?
Que ousem arriscar. Quando as nossas capacidades são colocadas à prova, somos capazes de tudo para superar, até descobrirmos que afinal conseguimos ir mais além do que imaginávamos. Não podemos ter medo de falhar, porque sabemos que errar é humano, mas nunca poderemos ter medo de tentar. Trabalhar todos os dias para se ser melhor e para alcançar os nossos objetivos. Não criar expetativas para não ficar dececionado, mas esperar sempre o pior para ficar surpreendido quando acontece o melhor. Estar rodeado de pessoas de quem gostamos e que acreditam em nós é o melhor segredo para o sucesso, pois o apoio é fundamental, principalmente nos piores momentos.
No meu caso, tenho orgulho de ser uma mulher na posição de presidente do TAC porque sei que sou respeitada pelos homens e mulheres envolvidos neste meio.
 
Publicado no jornal Diário Insular de 18 de Novembro de 2016
 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

DESTAQUE DO MÊS DE OUTUBRO DE 2015

ANA PIRES

A primeira mulher
diretora de prova de um rali nos Açores
 
Fotografia: Nuno Vitória © Info Desporto
 
Ana Luísa Cota Inácio Pires, tem 40 anos e é assistente técnica de profissão. Foi a primeira mulher diretora de prova de um rali nos Açores.
Tudo começou quando tinha 29 anos e foi convidada por Gerardo Rosa, na altura da sua primeira candidatura à presidência do TAC - Terceira Automóvel Clube, para integrar a sua lista como membro da Direção. Uma vez que já estava ligada ao automobilismo, pelo facto do marido já fazer ralis e era algo que a cativava, aceitou com muito gosto o desafio que lhe foi lançado.
O facto de ser um “mundo” maioritariamente masculino nunca foi entrave ao desenvolvimento das suas atividades, pois a sua integração foi excelente e teve sempre o apoio de toda a equipa da Secção Automóvel do Clube. Na verdade, por ser mulher não senti dificuldades de integração na equipa. Senti, desde sempre, que o exercício da minha atividade era considerado credível.
Nunca se sentiu discriminada de forma negativa, a única vez que foi dado ênfase, nomeadamente pela comunicação social, ao facto de ser mulher foi quando passou a ser Diretora de prova dos ralis na ilha Terceira, tendo sido a primeira mulher a exercer essa função nos Açores.
O seu envolvimento na organização das provas, nunca a levou a querer participar como concorrente?
Já tive uma experiência numa prova “Chamada Pequena”, ou seja, de uma Taça, mas na verdade o que eu gosto é de estar nos bastidores dos ralis, onde tudo se desenrola, onde se tomam todas as decisões que ditam uma prova.
Sobre a violência doméstica
A violência doméstica tem ganho maior visibilidade perante a sociedade, como um fenómeno comum, e consequentemente as vítimas de violência doméstica também, embora muitas vezes se sinta que são vistas como números indicadores. Face a isto, há maior sensibilidade para com as mulheres vítimas de violência doméstica.
As associações feministas desempenham um papel fundamental na sociedade, quer seja para com a sociedade em geral, quer seja para com as próprias vítimas. Assim, colaboram no processo de reintegração das vítimas, tal como, clarificam, sensibilizam e encaminham a sociedade em geral para atuar perante situações de violência doméstica.
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 05 de Novembro de 2015
 
 

sexta-feira, 20 de março de 2015

Automobilismo no Feminino

UMAR Açores assinala Dia Internacional da Mulher através do Rali Sprint da Praia da Vitória
 
Enquanto parceira da OEC Motorclube, a UMAR Açores assinalou o 8 de Março - Dia Internacional da Mulher na ilha Terceira através do Rali Sprint da Praia da Vitória, prova destinada a pilotos mulheres. Esta iniciativa, inédita a nível mundial, juntou numa única prova duas competições, uma nacional (Ladies Rally Trophy Portugal 2015) e outra regional com a designação de Ladies Rally Trophy - By Clubauto - Açores 2015. Com esta parceria a associação pretendeu valorizar a presença feminina no desporto automóvel.

Entrega de troféus do Rally Sprint da Praia da Vitória
 
Isabel Ramos e Rubina Gonçalves, primeiras classificadas à geral
 
Lígia Albuquerque e Vânia Paim, segundas classificadas à geral
 
Daniela Rodrigues e Laura Natividade, terceiras classificadas à geral
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 20 de Março de 2015