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quinta-feira, 23 de junho de 2022

Mulher de Abril, desejos mil!

 



Abril para tod@s @s portugueses tem um significado especial. Pelo marco histórico que foi quebrar todos os preconceitos, restrições e pela liberdade que outrora foi conquistada no famoso 25 de Abril.

Nos dias que correm podemos pensar em liberdade de diversas formas. Tod@s apresentamos ideias, definições diferentes de liberdade e ao mesmo tempo iguais. Esta igualdade também foi, de certa forma, conquistada. Não por todos mas principalmente as mulheres!

Agradeço desde já a todas que um dia lutaram, e bem, pelo meu direito ao voto, ao trabalho, ao divórcio…

Felizmente eu já nasci numa sociedade em que ser rapariga e/ou mulher não apresentava tantas restrições como, por exemplo, a geração da minha mãe e das minhas avós. Ainda assim não se iludam e não pensem que nascer nos anos 90 é significado de total liberdade e igualdade para as raparigas/mulheres, como foi tão arduamente conquistado pelas mulheres do nosso passado ainda bem presente.

A geração feminina mais jovem está com muito mais liberdade e igualdade do que a minha geração, e ainda bem! Mas pensemos em diversos exemplos que nos dias de hoje ainda causam algum desconforto na população em geral.

Futebol feminino em Portugal (sim sou mulher mas sempre adorei futebol e paguei o preço por isso). Não farei nenhuma análise estatística de nada que exista neste mundo mas peço-vos que pensem na diferença, abismal, que existe para com o futebol masculino. Ora, jogam tanto quanto os “Ronaldos” mas ganham menos, são menos conhecidas, têm menos admiração por parte de quase todos os portugueses e por ai fora.

Falamos em futebol mas podia ser qualquer outro desporto. Sim, porque sem ser algo como dança e ginástica rítmica parece que o mundo desportivo feminino é ainda um grande à parte.

Outra questão, mulheres no mercado de trabalho. Possivelmente é uma informação que passa ao lado da maioria (também me passou durante muito tempo, confesso) mas sabiam que as mulheres pelo simples facto de terem pertencerem a este género recebem cerca de menos 52 dias de trabalho pago aos colegas do género oposto. Ora porquê? Não sei responder admito. Mas estes dados não são tão antigos são de 2020.

Nos Açores temos liberdade de diversas formas mas ainda há muito preconceito e criticismo, típico de lugares pequenos, diretamente ligados às raparigas e mulheres destes meios.

Expressões como “é toda macha”, “é ela quem veste as calças”, “não sabe estar calada e fazer o papel da mulher”, “trabalha como um homem e depois quer que as relações dêem certo”, “com quem será que se deitou para ter um cargo daqueles”…

Não sei as restantes pessoas mas eu por ser rapariga/mulher sinto-me muito incomodada por ser tratada de forma diferente só porque sou do sexo feminino. Tenho muito orgulho de o ser mas outras raparigas e jovens questionam (como eu cheguei a questionar) porque é que não podemos ser tratadas da mesma forma que os rapazes/homens são.

Poderia estar a enumerar muitos mais exemplos, muitas mais questões e situações nas quais em pleno 2021 as mulheres não têm liberdade, não têm igualdade, não têm aquilo que as nossas antepassadas ambicionaram para si, para as suas filhas e netas.

Não sintamos vergonha do nosso sexo.

Não sintamos vergonha por querermos e desejarmos coisas que parecem ser masculinas. Não são, acreditem!

Só não conseguimos e não alcançamos o que não queremos!

Continuamos a festejar o Abril e eu continuo com desejos…Mil!

 

Raquel Costa Psicóloga, UMAR Açores – Delegação da ilha Terceira


Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 7 de Maio de 2021


terça-feira, 21 de junho de 2022

Comemoração do Dia d@s Namorad@s

 A 14 de Fevereiro celebra-se o amor nas suas variadas formas de manifestação.

Este ano a data foi assinalada pela UMAR Açores – Delegação da ilha Terceira em dois momentos distintos.

A 11 de Fevereiro em parceria com a Rede de Apoio Integrado à Mulher da Ilha Terceira (R.A.I.M.I.T), com o Núcleo de Iniciativas de Prevenção e Combate à Violência Doméstica da Praia da Vitória  (N.I.P.C.V.D.P.V) e com a Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo (E.P.S.C.M.A.H) realizou-se uma ação de sensibilização, intitulada “No amor tu escolhes a música que toca!”, com uma turma da referida escola.

A 12 de Fevereiro em parceria com a Escola Básica Integrada da Praia da Vitória – Francisco Ornelas da Câmara, realizaram-se ações de sensibilização, intituladas “Namorar é fácil?”, junto de seis turmas de 3º Ciclo de Ensino Básico.

Nos dois momentos a principal premissa foi a promoção de relações de intimidade saudáveis.

Segundo um estudo sobre a Violência no Namoro 2020, cerca de 58% d@s jovens que namoram ou já namoraram referiram ter sofrido pelo menos uma forma de violência por parte do atual ou ex-parceir@s. E cerca de 67% d@s jovens consideram natural algum tipo de comportamento violento durante uma relação de intimidade (consutar o estudo completo em https://www.cig.gov.pt/wp-content/uploads/2020/02/VN_2020_NACIONAL_UMAR.pdf).

Ora, é muito natural que os nossos jovens apresentem dúvidas e muitas vezes até desconheçam formas de identificar/denunciar relações violentas e/ou abusivas sendo de real importância este tipo de sensibilização junto das camadas mais jovens.


Agradecemos a disponibilidade de todos os que nos receberam.


A prevenção será sempre a melhor solução!


Atividade dia 11 de Fevereiro - “No amor tu escolhes a música que toca!”


Atividade dia 12 de Fevereiro - “ Namorar é fácil?”

Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 18 de Fevereiro de 2021

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

IDENTIDADE DE GÉNERO: O QUE É?

 
 
A 16 de agosto foi publicado em Diário da República o Despacho n.º7247/2019 que estabelece medidas administrativas para a não-discriminação de jovens e crianças transexuais e intersexo, seguindo a aprovação da Lei n.º38/2018, de 7 de agosto de 2018, que visa estabelecer o “direito à autodeterminação da identidade de género e expressão de género e à proteção de características sexuais de cada pessoa”.

Esta lei tem como principal objetivo proteger um conjunto de crianças e jovens, que apesar de serem uma minoria, existem e devem ver os seus direitos salvaguardados.
As especulações em redor deste decreto têm sido imensas e, por essa razão, para melhor melhor compreensão do mesmo é importante conhecermos a diferença entre identidade, género e identidade de género.

O significado de identidade:
Para diversos estudiosos de ciências sociais e humanas a identidade é o que permite reconhecer o indivíduo enquanto ser único.
A nossa identidade é o reflexo de um conjunto de carateres que só podem ser associados a nós mesmos, como por exemplo: o nosso nome
, data de nascimento, a nossa filiação, impressões digitais… Enfim, inúmeras características que são apenas nossas.
Embora possamos nos identificar, em diversos contextos e sentidos, com outras pessoas e até mesmo existirem, por vezes, algumas semelhantes connosco, ninguém é igual ao outro.
A nossa identidade é resultado da cultura e socialização, à qual podemos chamar identidade cultural e social. Culturalmente partilhamos uma identidade com o povo português, embora socialmente estejamos em grupos díspares, devido à faixa etária em que nos inserimos, classe social, género, história de vida…
Todos estes fatores criam aquilo que nós somos. Criam a nossa identidade e como tal somos seres únicos e individuais.

O género:
A necessidade de definir género surgiu quando, socialmente, percebeu-se que a identificação e os papéis atribuídos ao masculino e ao feminino não poderiam ser uniformes e/ou preditos a partir dos indicadores biológicos básicos.
Era necessário existir uma diferenciação tendo em conta os papéis assumidos socialmente por homens e mulheres, rapazes e raparigas.
Segundo Françoise Héritier (1996) o género constrói-se na relação entre homem e mulher, uma vez que nós não somos indivíduos isolados e toda a existência humana deve-se à socialização. Assim, foi sempre necessário atribuir “funções” e separar o que era masculino do que era feminino para “dar sentido” à diferença entre ambos.
Neste sentido Héritier (1996) definiu género como a palavra que “determina tudo o que é social, cultural e historicamente definido”.
Esta definição
, faz-nos sentido décadas depois porque se assim não fosse não haveria, ainda, tanta categorização do que é indicado para o homem e do que é indicado para a mulher.

Então o que é a Identidade de Género?
Antes de mais deve ser diferenciada a identidade de género da ideologia de género.
A primeira consiste no modo como os indivíduos se identificam na sociedade com base nos papéis sociais de género e no sentido individual da sua identidade. A segunda trata-se de um conceito que está intrinsecamente relacionado com os papéis atribuídos a cada género como produto da evolução cultural e histórica, que ao longo do tempo foi pautando o que era correto homens e mulheres fazerem e /ou assumirem.
Posto isto, a identidade de género não está relacionada com fatores biológicos, culturais e sociais. É sim, a forma como determinada pessoa se identifica no seu todo (masculino, feminino ou ambos).
Será também, incorreto relacionar a identidade de género com a orientação sexual pois esta indica por qual género (masculino, feminino ou ambos) determinada pessoa se sente atraída, física, romântica e/ou emocionalmente.
Portanto, poderão existir sujeitos com uma identidade de género diferente do seu sexo biológico e serem heterossexuais, homossexuais ou bissexuais.

É neste sentido que o despacho aprovado no mês de agosto vem assegurar a “adoção de medidas no sistema educativo”, pois é neste meio que muitas crianças e jovens iniciam o processo de alteração de identidade de género.
Espera-se também que o meio educativo seja o mais inclusivo para as camadas jovens da nossa sociedade, porque pilares socioeducativos e de definição de personalidade são estruturados neste ambiente, devendo combater a discriminação e assegurar a formação de indivíduos socialmente conscientes.

O esperado é o respeito pela identidade, privacidade e bem-estar das crianças e jovens que estão em processo de alteração de identidade de género, permitindo que 1) utilizem o nome pelo qual se identificam, em todas as atividades escolares e extraescolares; 2) respeitem os vestuários que escolhem de acordo com a sua identidade; 3) caso desejem, recorram às casas de banho e balneários, de acordo com a sua singularidade e privacidade; 4) formem pessoal docente e não docente para que ultrapassem a imposição de estereótipos e comportamentos discriminatórios.

Não devemos esquecer que estas crianças e jovens são dos indivíduos mais vulneráveis nos ambientes escolares, suscetíveis ao bullying, maus tratos por parte dos pares e não só, por desconhecimento e ignorância, como por preconceito.

Devemos tentar garantir sempre, a qualquer criança ou jovem, condições de igualdade em qualquer contexto/meio a que pertença e isso só é alcançável através do pleno respeito pela identidade e individualidade de cada pessoa!
 

 
Raquel Costa
Psicóloga
UMAR Açores - Delegação da ilha Terceira
 

Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 19 de Setembro de 2019



sexta-feira, 18 de outubro de 2019

DESTAQUE DO MÊS DE JULHO DE 2019

Catarina Rocha Ribeirinha
 
 
É o nome da jovem de 16 anos natural da ilha Terceira, concelho de Angra do Heroísmo.
Frequenta o secundário na Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade e como todos os jovens da sua faixa etária tem sonhos e desejos. Ambiciona seguir para a faculdade quando terminar o liceu e continuar a jogar futebol.
Agora podemos questionar-nos: “O que é que a diferencia da maioria das jovens da sua idade?”  -  A Catarina joga futebol!
 
Como tudo começou
Eu comecei a jogar futebol na escola primária com 7 anos. Primeiro nos intervalos com os meus colegas e posteriormente aos 9 anos comecei a jogar no Boavista Clube da Ribeirinha com rapazes, devido à ausência de equipas femininas. Eu via os meus colegas a jogarem e um dia decidi experimentar, nesse momento eu senti algo que nunca tinha sentido, um sentimento inexplicável, uma alegria que me fazia acreditar que podia fazer tudo e isso motivou-me a alimentar esse sentimento.
 
 
Ser mulher num mundo, maioritariamente, masculino
Sinceramente, ainda há muita descriminação e falta de oportunidades para as mulheres. A aposta em termos monetários no futebol feminino não representa nem ¼ do que é gasto com o futebol masculino. Ser mulher num mundo masculino não é fácil. Como podemos afirmar que há igualdade no mundo se os números comprovam essas desigualdades? Uma rapariga que queira seguir o seu sonho de ser jogadora profissional com as condições que há, será muito difícil alcançá-lo. Eu tive de sair do Boavista porque já não tinha idade para jogar mais numa equipa masculina e a minha única opção para continuar a jogar foi ir para o futsal. Este ano joguei pela equipa feminina da Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade.
 
 
Medos e dificuldades
A maioria dos rapazes acolheram-me bem, tratavam-me como igual e sempre me respeitaram. No entanto, via-se que outros não gostavam que eu estivesse ali e achavam que por ser rapariga não sabia jogar e era inferior a eles. As principais dificuldades que sentia eram o medo de mostrar tudo o que sabia fazer pois em alguns casos se falhasse, posteriormente deixavam de me passar a bola.
 
Ganhar credibilidade, respeito e reconhecimento no mundo do futebol
Dentro do clube, todos me tratavam bem tanto os treinadores como a direção dando-me oportunidades e credibilidade. No entanto, houve uma vez em que um dos pais de um jogador perguntou porque é que a “rapariga” estava a jogar e o seu filho não. Ser uma mulher que joga futebol não é motivo de vergonha, mas sim de orgulho, porque estamos a representar todas as minorias e a mostrar que elas também têm talento e valor.
É bom saber que as pessoas reconhecem o nosso esforço, trabalho e dedicação. Contudo, não se vê muito reconhecimento aqui na ilha.
 
 
Como promover o futebol feminino
Eu gostava que fossem dados mais apoios, mais oportunidades, mais atenção ao futebol feminino de modo a termos possibilidades de no futuro representarmos grandes clubes e o nosso país. Nós também temos valor e temos capacidade de jogar tão bem quanto os rapazes.
 
Sobre ser mulher no século XXI
Ser mulher, hoje em dia, é mais fácil do que no passado. Os nossos direitos têm vindo a crescer, as mentalidades estão a desenvolver-se aos poucos e eu espero que no futuro as desigualdades tanto no desporto como em oportunidades no mercado de trabalho entre outras, sejam quase inexistentes.
 
O papel das associações feministas
Atualmente, as associações feministas têm um papel importante. É graças a elas que as mulheres têm conquistado mais direitos e marcado uma posição que lhes permite falar sem que as suas opiniões sejam consideradas irrelevantes. É importante que existam instituições cujos objetivos são a defesa do empoderamento das mulheres e da igualdade, a fim de alcançar um mundo melhor para as gerações futuras.
 
Sobre violência doméstica
As opiniões da sociedade quanto a este assunto dividem-se. Enquanto uns acreditam que essas mulheres estão a exagerar, existindo comentários como, por exemplo: “"se apanhou, era porque merecia", outros têm pena delas defendendo uma pena pesada para o agressor e a denúncia destas situações. Nenhum ser humano merece ser agredido tanto psicológica como fisicamente. O ditado   "entre marido e mulher não se mete a colher" não se deve aplicar a situações destas, é necessário denunciar esses casos, pois o sofrimento humano não deve ser ignorado. Por sua vez, deve-se realçar o papel das instituições que fornecem apoio e realizam campanhas de apoio à vítima.
 
Daqui a 10 anos…
Gostava de estar a jogar numa grande equipa porque é isso que me fará feliz.
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 16 de Julho de 2019

 

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Hora do Conto – Cores da Igualdade

Integrada nas festividades de Verão, mais em concreto nas festas da Praia 2018, no âmbito da campanha “Açores pela Igualdade”, decorreu nos dias 6, 8 e 10 de Agosto, no espaço da Biblioteca Municipal Silvestre Ribeiro (na Praia da Vitória) a hora do conto, sob o tema “Cores da Igualdade”. A UMAR Açores colaborou nesta actividade do Núcleo de Iniciativas de Prevenção e Combate à Violência Doméstica, da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, no âmbito da participação na Rede de Apoio Integrado à Mulher da Ilha Terceira.
 
Ao longo dos três dias em que decorreu, participaram nesta iniciativa 83 crianças dos 3 aos 12 anos, de vários Jardins de Infância e ATL’s do município. A atividade consistia na leitura e exploração de duas histórias “As famílias não são todas iguais” e “Primeiro cresci no coração”, que abordam as novas formas de família. Além da família tradicional: pai, mãe e filhos, contemplam-se as famílias monoparentais, as famílias reconstituidas (com filhos de outros relacionamentos) e as famílias LGBT (com dois pais ou duas mães), salientando a importância das mesmas no desenvolvimento emocional das crianças. Num segundo momento, os/as participantes da sessão pintaram o desenho de um arco-íris, que representa a sua família e as características que a definem: o nome, o número de elementos que a constituem e as atividades que gostam de fazer em conjunto.
 
Esta iniciativa de carácter lúdico-pedagógico foi acolhida com entusiasmo pelas crianças que nela participaram e contribuiu para uma melhor compreensão da diversidade afectivo-sexual que caracteriza as relações amorosas e familiares.
 
 
 
 
 Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 18 de Setembro de 2018
  

REALIDADE DOS NOSSOS DIAS ...


O meu trabalho exige que me desloque pelas ilhas dos Açores contatando com muita gente de vários estratos sociais, idades e géneros. Por essa razão já vivenciei casos de alegada violência doméstica, desigualdade entre géneros e supressão de um membro em relação ao outro. Quando me foi proposto por um membro da UMAR escrever um pequeno texto sobre a minha opinião e a minha perspetiva em relação aos problemas referidos anteriormente não hesitei e entre os muitos casos optei por dois dos mais comuns e que têm vindo a aumentar atualmente.

Durante essas deslocações tenho observado nos últimos anos um aumento da emigração, sobretudo do Brasil, fruto de relacionamentos online, onde mulheres saem do seu país, acompanhadas muitas vezes por filhos menores, sem terem bem a noção do que vão encontrar. Quando chegam ficam sem trabalho e as suas habilitações literárias não são reconhecidas no nosso país. Por vezes encontram-se em relações abusivas para si e para os filhos, sem recursos financeiros para poderem regressar ao seu país ou sair dessas relações.

Ao contatarem comigo procuram uma valorização profissional de modo a alcançarem uma vida mais estável e independente, no entanto encontram-se economicamente dependentes dos companheiros que muitas vezes as controlam tanto financeiramente como socialmente, evitando contatos e amizades com outras pessoas fora do âmbito familiar. Muitas vezes sinto o medo das crianças face aos companheiros da mãe que são agressivos, (na minha presença), verbalmente com elas.

Tento sempre incutir-lhes a necessidade de se tornarem independentes e de pedirem ajuda familiar, mas muitas vezes a situação familiar é também muito instável e o fator económico não permite um apoio financeiro para poderem voltar ao país de origem, ou planearem uma vida independente para si e para os seus filhos.

Outra das situações que me choca é que cada vez mais sou confrontado com situações de abusos entre os jovens.

Apesar de toda a informação existente, tanto nas escolas, como meios de comunicação social, espanta-me ver jovens na dependência de namorados que lhes controlam os telemóveis, o dinheiro e as suas decisões. Por vezes a opção de realizar uma formação recai sobre eles, que decidem o que elas devem ou não fazer. Algumas jovens acabam por se afastar dos amigos e vivem em função dos relacionamentos sem ter em conta as repercussões que isso terá no futuro.

Em alguns casais, continuo a notar que apesar de ambos trabalharem, as decisões são muitas vezes tomadas de forma unilateral, recaindo sobre o elemento masculino a palavra final.

Como conclusão gostaria de fazer uma chamada de atenção a todas as mulheres e jovens: apostem na sua formação e valorização profissional de forma a poderem ter um meio de se sustentarem a si e aos seus filhos. Quanto mais uma mulher possuir independência financeira, menor a probabilidade de se ver presa numa relação abusiva e de ser tratada de forma desigual.

E.J.Cabral
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 18 de Setembro de 2018
 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

A sociedade do século XXI


Culturalmente, a mulher foi associada ao serviço doméstico, sendo a única responsável pela lida da casa, pelos filhos e muitas vezes, pelos familiares com mobilidade reduzida. Posteriormente, começaram a surgir postos de trabalho nestas áreas, como a área social, a área da saúde e a área educativa, onde a mulher passou a ter um trabalho remunerado. O que fazia em casa, não sendo pago, passou a fazer diariamente com a criação de empregos nas referidas áreas, em que descontava e recebia mensalmente um salário. Trabalho idêntico ao que fazia anteriormente como cuidadora do lar, mas sem qualquer compensação financeira.

O trabalho social, nomeadamente, assistentes sociais, psicólogos, sociólogos, como também o trabalho educativo, como os professores e/ou educadores de infância, ou o trabalho de prestação de cuidados, como os enfermeiros, técnicos de lares, entre outros, são associados ao feminino. A mulher é quem toma conta dos filhos, dos idosos, quem cuida de algo/alguém. Este é um padrão assumido pela sociedade de muitos países ainda subdesenvolvidos. Assim, a mulher segundo a sociedade, assume o papel de sensível, frágil, cuidadora, sentimental, irracional, submissa, etc.

Já o homem, está culturalmente associado ao papel de chefe de família, sustento familiar e tradicionalmente mais insensível, dominante, forte, racional, etc. do que a mulher.

Atualmente, no século XXI, em alguns países e sociedades, são atribuídas funções familiares a cada membro do casal heterossexual, sendo que as sociedades estão a progredir relativamente a esta mudança, mas ainda há muita desigualdade de género e discriminação. Tanto o homem como a mulher tem direitos, como por exemplo, o direito a escolherem um emprego e não serem discriminados por isso, como por exemplo, a mulher pode escolher ser comandante da Força Aérea e o homem pode escolher a área social como profissão e ambos puderem ter a sua profissão de sonho sem serem marginalizados pela sociedade.

Como exemplo do homem na área social, está a decorrer desde 2015 até ao presente ano letivo (2018) o Curso de Técnico de Apoio Psicossocial com saídas profissionais associadas ao sexo feminino, sendo que de 21 alunos existentes no curso, apenas 3 são rapazes, o que pode ser consequência dos estereótipos de género.

Muitos países ainda obrigam os homens a cumprirem o serviço militar e são enviados para a guerra, sem opção de escolha. Esta é uma discriminação por parte da sociedade, pois eventualmente, existem mulheres com o sonho de ingressarem nesta carreira e só o sexo masculino é que é associado a este serviço. Devia ser possível ingressarem tanto homens como mulheres de livre vontade ao invés de homens coagidos.

O feminismo não tem que ser inimigo do homem, como muitas pessoas o idealizam, o feminismo existe para igualar a mulher ao homem e não para discriminar nem desvalorizar o homem.
 
Exemplo de profissão associada à mulher, prestação de cuidados a idosos
Fotografia: www.correiodeuberlandia.com.br

Exemplo de profissão associada ao homem, serviço militar
 
Alexandre Silva
Formando na UMAR Açores do curso de Técnico de Apoio Psicossocial da Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo
 
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 4 de Julho de 2018
 

 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O porquê do laço preto…

25 de Novembro
Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres
 
 
A violência sobre as mulheres é um flagelo à escala mundial. Poucos fenómenos são tão globais como os maus tratos e abusos sofridos por milhares de mulheres diariamente. Falamos principalmente de violência doméstica, mas não só! O tráfico de seres humanos, a mutilação genital, os assim designados “crimes de honra”, entre outras manifestações de violência vitimizam principalmente o sexo feminino.
As desigualdades de género que alimentam o preconceito e a discriminação escavam um fosso entre mulheres e homens, com consequências nefastas para toda a humanidade. A violência doméstica é uma questão de género, uma vez que está comprovado que na grande maioria das situações o agressor é do sexo masculino e a vítima do sexo feminino (embora também estejam a aumentar os casos de homens que são vítimas). Isto ocorre porque ainda prevalece uma mentalidade machista e patriarcal na sociedade, onde se verifica desigualdade de poder havendo um elemento que domina e outro que é dominado.
A violência doméstica deixa lesões físicas e psicológicas, traumas emocionais e estados incapacitantes em muitas das suas vítimas. O expoente máximo dessa situação é o homicídio conjugal, através do qual as mulheres sucumbem às mãos de maridos, namorados, companheiros, ou mesmo ex., que não as deixaram seguir com a sua vida.
Por isso o laço preto, porque estamos de luto. Luto pelas mais de 450 mulheres que foram assassinadas no nosso país, entre 2004 e 2016. Luto pelas 18 que já morreram este ano, de acordo com os dados do Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR. As que sofreram tentativas de homicídio mais que duplicam este número. Por detrás dos números estão pessoas, histórias de vida, nomes e caras… neste Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres estamos de luto e queremos que se junte a nós na luta por um mundo mais justo!
 
Rita Ferreira / UMAR Açores
 
Publicado no jornal Diário Insular de 25 de Novembro de 2017
 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

UMAR Açores na 10ª Edição do Festival Azure

Prevenção da Violência no Namoro

No âmbito do plano de actividades para o ano de 2017, a UMAR Açores esteve presente na 10ª edição do Festival Azure que se realizou na zona de lazer de Santa Bárbara, Angra do Heroísmo, nos dias 14 e 15 de Julho.
Através de um espaço cedido pela organização do festival, a equipa técnica, associadas e voluntárias da Associação, procuraram promover a erradicação de preconceitos associados às discriminações em função do género, sensibilizar para os sinais de abuso (verbal, psicológico, físico, sexual ou outros) nos relacionamentos íntimos, informar sobre os direitos / recursos de apoio para quem é vítima de violência no namoro / violência doméstica, incentivar o desenvolvimento de relacionamentos saudáveis e prevenir a violência doméstica em relacionamentos futuros.
 
Espaço da UMAR Açores no Festival Azure 2017
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 1 de Agosto de 2017
 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Sensibilizar para a Igualdade de Género

Atividades para crianças

Ao longo dos anos tem-se assistido a um melhoramento nas questões relacionadas com a Igualdade de Género em Portugal mas ainda está longe de ser uma realidade. Tanto em casa como no trabalho muitas mulheres vêm os seus direitos e regalias ficarem aquém daqueles que são dados aos homens. Ocupam mais tempo em tarefas domésticas, assim como é mais difícil para elas chegar ao topo das empresas ou a cargos de chefia.
 
Neste contexto, de forma a minimizar esta realidade, a UMAR Açores participou em duas atividades de sensibilização. A primeira realizou-se no passado dia 29 de Junho a convite do Séquito Real das Sanjoaninas 2017 da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. A Associação participou num Peddy Paper, direcionado para crianças, intitulado "Sensibilizar para a Solidariedade", que teve lugar no Jardim Duque da Terceira durante o período da manhã. A iniciativa contou com a presença de diversas associações entre as quais a Cáritas, a Make-A-Wish, a Associação Nascer e Crescer Feliz e a UMAR Açores. Participaram, aproximadamente meia centena de crianças, dos colégios do Carrossel e de Santa Clara de Angra do Heroísmo.
 
Durante a atividade, cada associação tinha uma estação na qual as crianças passavam com o objetivo de aprenderem e conhecerem mais sobre as instituições participantes. Na estação da UMAR Açores, foram disponibilizados panfletos informativos sobre a igualdade de género direcionados para as crianças, bem como para as educadoras e auxiliares de infância. Foram facultadas ainda, informações sobre os recursos de apoio disponíveis e atividades da delegação da Associação na ilha Terceira e cartazes informativos sobre a situação das Mulheres no Mundo.
 
Crianças do colégio de Santa Clara
 
Crianças do colégio Carrossel
 
A segunda atividade, realizou-se no passado dia 11 de Julho e consistiu numa visita de estudo do Ginásio da Educação Da Vinci às instalações da UMAR Açores, seguida de uma sessão de sensibilização para a igualdade de género. Participaram na iniciativa cerca de três dezenas de crianças entre os 5 e os 12 anos.
 
Para além das questões relacionadas com a igualdade de género também foram trabalhados alguns sinais de alerta para relações abusivas que mais tarde poderão originar violência doméstica. Para o efeito, utilizou-se "O Jogo da Família Gomes" com o objetivo das crianças perceberem que não existem brinquedos, atividades ou profissões exclusivamente de homens e mulheres. Acresce que tanto o homem como a mulher devem participar nas tarefas domésticas, ou seja, ambos têm os mesmos direitos e deveres. Foram ainda entregues panfletos informativos sobre a Igualdade de Género para as crianças e monitoras/es. No final da visita foi projetado o conto infantil "Quando for grande, quero ser PAI" da autoria de Susana Teles Margarido o qual aborda o tema de Igualdade de Género.
 
Visita de Estudo do Ginásio da Educação Da Vinci às instalações da UMAR Açores
 
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 18 de Julho de 2017
 
 

terça-feira, 16 de maio de 2017

DESTAQUE DO MÊS DE ABRIL DE 2017

Susana Coelho
 
 
Como mulher que sou, aconselho as vítimas a não se deixarem intimidar nem humilhar pelo agressor, fazendo frente às possíveis ameaças.

Susana de Lurdes Silveira Coelho, cantora Açoriana, descendente de uma família de músicos, desde cedo iniciou o seu percurso musical integrando vários grupos e diversos projectos, a solo ou em grupo, cantando variados estilos, do barroco ao jazz, passando pelo bossa nova à música tradicional. A sua motivação para cantar surgiu naturalmente através dos serões musicais em casa com o pai e as suas duas irmãs.

Em 2000 gravou o seu primeiro álbum, com o projecto Susana Coelho & Trio. Participou como cantora em diversos programas televisivos da RTP Açores, como “Xailes Negros”, “Toadas do Vento Ilhéu”, “Balada do Atlântico”, “O barco e o sonho”, ou “A lenda das Sete Cidades”. Tem actuado mais recentemente como convidada em diversos espectáculos pelos Açores e feito algumas apresentações a solo ou acompanhada na ilha Terceira.

Em 2015 lançou o seu mais recente álbum intitulado Agridoce que é um trabalho composto por doze temas que viajam por entre sonoridades com influências do jazz, da música tradicional e até mesmo do rock. Onze destas canções são originais, com letras de Cláudia Coelho Cardoso, João Lemos e de alguns autores anónimos, sendo o tema “Alma dos Poetas” da autoria de João Lemos com um poema de Florbela Espanca.

Ao longo da nossa pequena conversa a cantora referiu que, pelo facto de ser mulher, nunca sentiu qualquer dificuldade em se integrar pelos projectos onde tem passado.

Sobre a violência doméstica opina que numa primeira fase há a surpresa na cara das pessoas (pelo facto de perceberem que alguém conhecido é ou foi vítima de violência conjugal), mas depois ignoram e esquecem, visto que vivemos num sistema muito conservador e cheio de critérios. As vítimas são automaticamente esquecidas e ignoradas pelo sistema se não seguirem os critérios estabelecidos. Muitas vezes, esse esquecimento, é o mais conveniente para a sociedade…. Neste contexto advoga que o trabalho das associações de apoio às vítimas torna-se essencial nos dias de hoje. Como mulher que sou, aconselho as vítimas a não se deixarem intimidar nem humilhar pelo agressor, fazendo frente às possíveis ameaças.
 

O que dizer de Susana?!

Susana é ilha em punho
É uma quadra de junho
É solstício de verão
É voz do mar e da terra
É tudo o que da alma descerra.

Susana é a voz da Terceira,
Ilha brava e festeira,
Porto de abrigo e luar
Onde a música é salutar.
Susana por ondas navega
E a voz toda entrega
No regaço de cada dia
Numa doce maresia…

Teu canto é açoriano
Chega longe é veterano
Esvoaça qual gaivota
Neste céu que não desbota.

É a ilha que nos cria
…Essa eterna melodia…

Rosa Silva (“Azoriana”)
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 11 de Maio de 2017


sexta-feira, 10 de março de 2017

DESTAQUE DO MÊS DE FEVEREIRO DE 2017

ANA OLIVEIRA
 
 
Ana Cristina Simões de Oliveira tem 35 anos e frequenta o 3º ano do curso de Eng. Agrónoma na Universidade dos Açores, trabalha como auxiliar de educação, é instrutora no ginásio Best Of Health Club e é atleta, atividade no âmbito da qual aceitou dar-nos o seu testemunho.

Como começou e o que a motivou a praticar atletismo?

Tive a minha iniciação desportiva aos 13 anos de idade como atleta federada, desde sempre adorei correr, e de todas as modalidades desportivas que experimentei, o atletismo foi a modalidade pela qual me apaixonei, por ser uma modalidade desportiva mais individual, foi aí que me enquadrei. Desde a escola primária que a hora da ginástica/educação física era aquela hora fantástica.

Como é praticar uma atividade desportiva maioritariamente associada ao masculino?

Nem sempre foi fácil, como menina e muitas vezes correr mais do que os rapazes levava a alguns comentários menos agradáveis, mas era isso que me desafiava. Em relação aos meus colegas de treino, nunca senti qualquer tipo de descriminação, muito pelo contrário. O problema mesmo é de quem vê as coisas de fora, o facto de correr/treinar maioritariamente com rapazes, fazem-nos uma rotulagem nem sempre muito simpática, e quando digo isto, não vem só do sexo masculino, mas também, e grande parte do sexo feminino. Hoje a corrida está na moda, mas nem há muitos anos atrás, a corrida era vista por quem não tinha nada que fazer da vida. Muitas mulheres me diziam  que tinha de "arranjar" uma casa para tomar conta, que correr é coisa de homens não de mulheres, que ter "músculos" é feio, não é coisa de mulheres.

Claro que nem sempre os homens gostam de ter uma colega de treinos que consiga correr tanto quanto eles, mas no meu caso, tenho muito a agradecer por me ajudarem a evoluir como atleta.

Já alguma vez se sentiu discriminada pelo facto de ser mulher?

No que toca ao desporto sim, há inúmeras situações desagradáveis como por exemplo, os prémios monetários nunca são iguais para ambos os sexos. Uma situação extremamente desagradável aconteceu há alguns anos, numa prova com exactamente a mesma distância em que eu e o meu colega (homem) fomos ambos vencedores, e o meu colega recebeu um prémio monetário no valor de 250 euros, e eu como vencedora do sexo feminino tive o prémio de valor monetário de zero euros. Sim, é lamentável!! Ainda hoje em dia, quando concorremos a determinados trabalhos somos à partida excluídas por sermos mulheres. Se erramos em alguma coisa, é porque somos mulheres...

Sobre as Mulheres vítimas de violência doméstica

Infelizmente as mulheres vítimas de violência doméstica, são vistas como umas "coitadas", muitas das vezes a sociedade até acha que a mulher"merecia" o que teve, ou porque não obedeceu, ou porque não fez, ou porque única e simplesmente  acham que a mulher não corresponde aos padrões que a sociedade de hoje ainda impõe.

É muito importante haver associação feministas como a UMAR Açores, quando uma mulher procura ajuda, é porque provavelmente já passou por muito, agressões físicas, verbais, deixam marcas para toda uma vida. Nem sempre mulheres que passam por este tipo de violência tem a capacidade de encontrar uma solução sozinhas, é necessário intervir, é necessário ajudar, é fundamental saber que não estão sozinhas, têm alguém que as defende.

Não podemos deixar que seja mais uma, não somos "coisas", não somos objectos, somos seres humanos!!

Para terminar a Ana refere que é importante que homens e mulheres vivam tratando-se de igual para igual. Se eles podem, nós também. Nunca devemos baixar a cabeça, nunca nos resignarmos e principalmente não permitirmos que nos façam sentir um ser fraco ou inferior.

 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 8 de Março de 2017

 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Exposição coletiva de artes plásticas assinalou o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres - 25 de Novembro

 
De 25 de Novembro a 10 de Dezembro esteve patente, no Edifício da Recreio dos Artistas em Angra do Heroísmo, uma exposição coletiva de artes plásticas intitulada Uma Comunidade Ativa contra a Violência que assinalou o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres - 25 de Novembro. Pretendeu-se através da arte, sensibilizar a população em geral para a problemática da violência sobre as Mulheres e desigualdades de género. 
Esta iniciativa, promovida pela Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade e coordenada pela UMAR, realizou-se no âmbito da Campanha de Proximidade e integrou-se na Campanha Nacional contra a Violência Doméstica contra as Mulheres que foi realizada em parceria com várias entidades em diversos distritos do país através de acções com impacto junto de diferentes públicos.
Para a ilha Terceira foram parceiros do projeto a Associação Geração de Amanhã através da Re.Act – refunction art.studio.
Participaram na exposição as artistas Bárbara Barcelos (Fotografia), Eduarda Meneses (Pintura e Escultura), Marcídia Berenguer (Pintura), Netti Kuhl (Desenho e Pintura), Sara Leal (Fotografia) e Sara Sales (Desenho Pontilhismo).
 
“Violência no Feminino” - Autora: Maria Eduarda Meneses
 
"Violência versus Libertação" – Autora: Maria Eduarda Meneses
 
“Teatro Transtorno no Mundo” - Autora: Marcídia Berenguer
 
Publicado no jornal Diário Insular de 21 de Dezembro de 2016