quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

26º Aniversário da UMAR Açores

A 27 de Outubro


 
A UMAR nasceu no movimento pós 25 de Abril, com o nome de União de Mulheres Antifascistas e Revolucionárias. Mais tarde adotou a designação de Movimento pela Emancipação Social das Mulheres e por último, com uma alteração de estatutos realizada nos anos 90, recuperou a sigla original, significando União de Mulheres Alternativa e Resposta. 
Esta designação adequa-se, pois na sua luta pela conquista de direitos (sociais, laborais, educacionais, sexuais e reprodutivos, etc.), a associação nunca quis deixar uma mulher sem resposta, sem ajuda ou orientação. O apoio disponibilizado, além de direcionado para a solução de problemas concretos, pretendia “empoderar” a mulher, ajudá-la a ter uma voz ativa e a lutar pelos seus direitos. Entre estes, combater uma forma muito grave de opressão e exercício do machismo, que era e ainda continua a ser a violência doméstica, principalmente a conjugal. 
Nos Açores, a UMAR teve a sua primeira delegação em 1992, começando pela ilha de S. Miguel e posteriormente abrangendo também as ilhas Terceira e Faial, esta última com uma casa abrigo gerida pela associação.
Em 2008 alterou os seus estatutos passando de delegação a associação e mudando o nome para UMAR Açores – Associação para a Igualdade e Direitos das Mulheres. Mantiveram-se os principios feministas e os objectivos orientados para a igualdade de oportunidades e de direitos entre mulheres e homens. Porque ser feminista não é ser contra os homens, o feminismo “é o conceito radical que as mulheres são pessoas!”.
A UMAR Açores está de parabéns pelos seus 26 anos, e que continue muitos mais na caminhada pela igualdade de género e por uma sociedade mais justa!
 
Rita Ferreira
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 27 de Outubro de 2018
 

Prevenção da Violência Doméstica

Na Unidade de Alcoologia da Casa de Saúde São Rafael
 
 
Desde Outubro de 2015 e em parceria com a Casa de Saúde São Rafael - Instituto de São João de Deus, que a equipa técnica da delegação da UMAR Açores na ilha Terceira desenvolve um trabalho de sensibilização junto dos utentes da unidade de alcoologia daquela instituição de saúde. O objectivo desta intervenção passa por desconstruir mitos associados à relação entre a violência e o consumo de álcool, reforçando que a embriaguez não é a causa das agressões mas antes um elemento facilitador.
Através do visionamento de filmes e de sessões em grupo, pretende-se promover a erradicação de preconceitos associados às discriminações em função do género, sensibilizar para os sinais de abuso (verbal, psicológico, físico, económico, sexual ou outros) nos relacionamentos íntimos, informar sobre os direitos e recursos de apoio para quem é vítima de violência doméstica, incentivar o desenvolvimento de relacionamentos saudáveis e prevenir a violência doméstica em relacionamentos futuros.
Nos últimos três anos, realizaram-se 43 sessões de sensibilização com a participação de 278 utentes daquele serviço, com idades compreendidas entre os 27 e os 67 anos.
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 27 de Outubro de 2018
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Hora do Conto – Cores da Igualdade

Integrada nas festividades de Verão, mais em concreto nas festas da Praia 2018, no âmbito da campanha “Açores pela Igualdade”, decorreu nos dias 6, 8 e 10 de Agosto, no espaço da Biblioteca Municipal Silvestre Ribeiro (na Praia da Vitória) a hora do conto, sob o tema “Cores da Igualdade”. A UMAR Açores colaborou nesta actividade do Núcleo de Iniciativas de Prevenção e Combate à Violência Doméstica, da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, no âmbito da participação na Rede de Apoio Integrado à Mulher da Ilha Terceira.
 
Ao longo dos três dias em que decorreu, participaram nesta iniciativa 83 crianças dos 3 aos 12 anos, de vários Jardins de Infância e ATL’s do município. A atividade consistia na leitura e exploração de duas histórias “As famílias não são todas iguais” e “Primeiro cresci no coração”, que abordam as novas formas de família. Além da família tradicional: pai, mãe e filhos, contemplam-se as famílias monoparentais, as famílias reconstituidas (com filhos de outros relacionamentos) e as famílias LGBT (com dois pais ou duas mães), salientando a importância das mesmas no desenvolvimento emocional das crianças. Num segundo momento, os/as participantes da sessão pintaram o desenho de um arco-íris, que representa a sua família e as características que a definem: o nome, o número de elementos que a constituem e as atividades que gostam de fazer em conjunto.
 
Esta iniciativa de carácter lúdico-pedagógico foi acolhida com entusiasmo pelas crianças que nela participaram e contribuiu para uma melhor compreensão da diversidade afectivo-sexual que caracteriza as relações amorosas e familiares.
 
 
 
 
 Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 18 de Setembro de 2018
  

REALIDADE DOS NOSSOS DIAS ...


O meu trabalho exige que me desloque pelas ilhas dos Açores contatando com muita gente de vários estratos sociais, idades e géneros. Por essa razão já vivenciei casos de alegada violência doméstica, desigualdade entre géneros e supressão de um membro em relação ao outro. Quando me foi proposto por um membro da UMAR escrever um pequeno texto sobre a minha opinião e a minha perspetiva em relação aos problemas referidos anteriormente não hesitei e entre os muitos casos optei por dois dos mais comuns e que têm vindo a aumentar atualmente.

Durante essas deslocações tenho observado nos últimos anos um aumento da emigração, sobretudo do Brasil, fruto de relacionamentos online, onde mulheres saem do seu país, acompanhadas muitas vezes por filhos menores, sem terem bem a noção do que vão encontrar. Quando chegam ficam sem trabalho e as suas habilitações literárias não são reconhecidas no nosso país. Por vezes encontram-se em relações abusivas para si e para os filhos, sem recursos financeiros para poderem regressar ao seu país ou sair dessas relações.

Ao contatarem comigo procuram uma valorização profissional de modo a alcançarem uma vida mais estável e independente, no entanto encontram-se economicamente dependentes dos companheiros que muitas vezes as controlam tanto financeiramente como socialmente, evitando contatos e amizades com outras pessoas fora do âmbito familiar. Muitas vezes sinto o medo das crianças face aos companheiros da mãe que são agressivos, (na minha presença), verbalmente com elas.

Tento sempre incutir-lhes a necessidade de se tornarem independentes e de pedirem ajuda familiar, mas muitas vezes a situação familiar é também muito instável e o fator económico não permite um apoio financeiro para poderem voltar ao país de origem, ou planearem uma vida independente para si e para os seus filhos.

Outra das situações que me choca é que cada vez mais sou confrontado com situações de abusos entre os jovens.

Apesar de toda a informação existente, tanto nas escolas, como meios de comunicação social, espanta-me ver jovens na dependência de namorados que lhes controlam os telemóveis, o dinheiro e as suas decisões. Por vezes a opção de realizar uma formação recai sobre eles, que decidem o que elas devem ou não fazer. Algumas jovens acabam por se afastar dos amigos e vivem em função dos relacionamentos sem ter em conta as repercussões que isso terá no futuro.

Em alguns casais, continuo a notar que apesar de ambos trabalharem, as decisões são muitas vezes tomadas de forma unilateral, recaindo sobre o elemento masculino a palavra final.

Como conclusão gostaria de fazer uma chamada de atenção a todas as mulheres e jovens: apostem na sua formação e valorização profissional de forma a poderem ter um meio de se sustentarem a si e aos seus filhos. Quanto mais uma mulher possuir independência financeira, menor a probabilidade de se ver presa numa relação abusiva e de ser tratada de forma desigual.

E.J.Cabral
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 18 de Setembro de 2018
 

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Igualdade de Género e Não-violência


Ao longo do mês de julho e no âmbito do plano de atividades da delegação da ilha Terceira da UMAR Açores / CIPA, realizaram-se três iniciativas orientadas para crianças e idosos. As referidas atividades abrangeram os temas da Desigualdade de Género e da Não-violência e procuraram transmitir ao público-alvo a necessidade de evoluir as “mentalidades” para estes temas que ainda são muito alvo de estereótipos na sociedade atual.

Estas atividades realizaram-se em parceria com a valência da Confederação Operária Terceirense (COT), Centro de Atividades e Tempos Livres (CATL) “O Golfinho” e com o Centro de Dia da Santa Casa da Misericórdia da Vila de São Sebastião. As sessões com as crianças realizaram-se nos dias 5 e 11 de julho, no espaço da delegação da ilha Terceira da UMAR Açores e a atividade com os idosos decorreu no Centro de Dia em São Sebastião no dia 10 de julho.

Na prática, com as crianças do CATL foi abordado o trabalho que a UMAR Açores desenvolve e posteriormente promoveu-se a igualdade de género através de jogos, pequenos filmes e histórias infantis. No final, foram entregues às crianças panfletos informativos sobre igualdade de género e, para entregarem ao pais e mães, panfletos com informações sobre as consequências da violência de género e recursos de apoio disponíveis na delegação da Associação na ilha Terceira.

Com os idosos do Centro de Dia, foram entregues panfletos onde consta uma linha telefónica de apoio ao idoso em caso de violência doméstica e realizados alguns jogos lúdico-pedagógicos.

Ambas as atividades permitiram mostrar, de forma sucinta, o trabalho que se desenvolve na UMAR Açores e o seu papel na sociedade, tendo a atividade como principal objetivo munir o público-alvo de informação para mostrar as consequências da discriminação.

Alexandre Silva
Formando na UMAR Açores do curso de Técnico de Apoio Psicossocial da Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo
 
 
Centro de Dia da Santa Casa da Misericórdia de São Sebastião - 10 de Julho
 
Atividade com as crianças do CATL - 5 de julho
 
Atividade com as crianças do CATL - 11 de julho
 
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 1 de Agosto de 2018

 

 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

A sociedade do século XXI


Culturalmente, a mulher foi associada ao serviço doméstico, sendo a única responsável pela lida da casa, pelos filhos e muitas vezes, pelos familiares com mobilidade reduzida. Posteriormente, começaram a surgir postos de trabalho nestas áreas, como a área social, a área da saúde e a área educativa, onde a mulher passou a ter um trabalho remunerado. O que fazia em casa, não sendo pago, passou a fazer diariamente com a criação de empregos nas referidas áreas, em que descontava e recebia mensalmente um salário. Trabalho idêntico ao que fazia anteriormente como cuidadora do lar, mas sem qualquer compensação financeira.

O trabalho social, nomeadamente, assistentes sociais, psicólogos, sociólogos, como também o trabalho educativo, como os professores e/ou educadores de infância, ou o trabalho de prestação de cuidados, como os enfermeiros, técnicos de lares, entre outros, são associados ao feminino. A mulher é quem toma conta dos filhos, dos idosos, quem cuida de algo/alguém. Este é um padrão assumido pela sociedade de muitos países ainda subdesenvolvidos. Assim, a mulher segundo a sociedade, assume o papel de sensível, frágil, cuidadora, sentimental, irracional, submissa, etc.

Já o homem, está culturalmente associado ao papel de chefe de família, sustento familiar e tradicionalmente mais insensível, dominante, forte, racional, etc. do que a mulher.

Atualmente, no século XXI, em alguns países e sociedades, são atribuídas funções familiares a cada membro do casal heterossexual, sendo que as sociedades estão a progredir relativamente a esta mudança, mas ainda há muita desigualdade de género e discriminação. Tanto o homem como a mulher tem direitos, como por exemplo, o direito a escolherem um emprego e não serem discriminados por isso, como por exemplo, a mulher pode escolher ser comandante da Força Aérea e o homem pode escolher a área social como profissão e ambos puderem ter a sua profissão de sonho sem serem marginalizados pela sociedade.

Como exemplo do homem na área social, está a decorrer desde 2015 até ao presente ano letivo (2018) o Curso de Técnico de Apoio Psicossocial com saídas profissionais associadas ao sexo feminino, sendo que de 21 alunos existentes no curso, apenas 3 são rapazes, o que pode ser consequência dos estereótipos de género.

Muitos países ainda obrigam os homens a cumprirem o serviço militar e são enviados para a guerra, sem opção de escolha. Esta é uma discriminação por parte da sociedade, pois eventualmente, existem mulheres com o sonho de ingressarem nesta carreira e só o sexo masculino é que é associado a este serviço. Devia ser possível ingressarem tanto homens como mulheres de livre vontade ao invés de homens coagidos.

O feminismo não tem que ser inimigo do homem, como muitas pessoas o idealizam, o feminismo existe para igualar a mulher ao homem e não para discriminar nem desvalorizar o homem.
 
Exemplo de profissão associada à mulher, prestação de cuidados a idosos
Fotografia: www.correiodeuberlandia.com.br

Exemplo de profissão associada ao homem, serviço militar
 
Alexandre Silva
Formando na UMAR Açores do curso de Técnico de Apoio Psicossocial da Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo
 
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 4 de Julho de 2018
 

 

sexta-feira, 15 de junho de 2018

UMAR Açores assinala Datas Comemorativas


A 17 de maio comemora-se o Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia. Neste contexto, a delegação da ilha Terceira da UMAR Açores / CIPA dinamizou uma iniciativa de sensibilização, através da criação do “Menu do Dia” que foi distribuído por alguns snack-bares, restaurantes e cafés, nomeadamente, nas freguesias da Sé, São Bartolomeu de Regatos e Feteira. Com o intuito de promover a não discriminação em função da orientação sexual, os referidos “menus” foram colocados sobre as mesas dos estabelecimentos com o objetivo de transmitir às pessoas que precisamos de uma sociedade sem preconceitos, discriminação e desigualdade.
Assim procurou-se reforçar, através de algumas mensagens, que “aceitar a homossexualidade é uma escolha, mas respeitar é um dever de todo/as”.
Para além desta atividade, foi também comemorado o Dia Mundial da Criança, que se celebra a 1 de junho, para o qual foi idealizado um porta-chaves para oferecer às crianças com uma mensagem relacionada com a igualdade de género. Deste modo, a delegação da UMAR Açores concretizou a sua ideia em parceria com as valências da Confederação Operária Terceirense, Creche e Jardim de infância “O Golfinho” e Centro de Atividades e Tempos Livres (CATL) “O Golfinho”. Na prática, foram transmitidos às crianças os princípios da UMAR Açores e de seguida distribuídos rebuçados e porta-chaves com a mensagem - “No Dia da Criança promovemos a igualdade de oportunidades entre meninos e meninas”.

 
“Menu” do Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia
 
Dia Mundial da Criança - Centro de Atividades e Tempos Livres “O Golfinho”
 
Dia Mundial da Criança - Porta-chaves oferecidos às crianças
 
Alexandre Silva UMAR Açores
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 8 de Junho de 2018