terça-feira, 26 de outubro de 2010

As Mulheres e o Centenário da República

Carolina Beatriz Ângelo

Celebra-se este ano o centenário da República, implantada em 1910, ano em que teve também inicio a primeira vaga do feminismo em Portugal. Começou-se a exercer o dever e direito de cidadania que era eleger o presidente através de votação. Contudo, tal como outros, este direito estava interdito às mulheres, e muitas foram as sufragistas que lutaram para conseguir a igualdade. Entre elas, é importante recordar Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher a votar em Portugal nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte a 28 de Maio de 1911. Na altura a lei determinava que podiam votar os cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler, escrever e fossem chefes de família. Como estava viúva e era mãe, Carolina invocou a qualidade de chefe de família, preenchendo então todos os requisitos. Conseguiu que o tribunal lhe concedesse o direito a voto, uma vez que o plural “cidadãos portugueses” inclui masculino e feminino. Tratou-se de um acto arrojado, mesmo a nível europeu! Como consequência a lei foi alterada no ano seguinte, passando a dizer explicitamente que apenas os chefes de família do sexo masculino poderiam votar. Esta discriminação manteve-se e o sufrágio universal em Portugal só foi conquistado após o 25 de Abril de 1974.

Rita Ferreira

Publicado na página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 27 de Outubro de 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mulheres continuam a ser as grandes vítimas de violência

CLARISSE CANHA, LÍDER DA UMAR NOS AÇORES

A UMAR-Açores promove na ilha Terceira uma ação sobre violência de género. O tema é assim tão grave na nossa sociedade que justifique uma abordagem específica?
Começaremos por algumas referências ao Estudo sobre a Violência de Género nos Açores realizado em 2008 assim como o Plano Regional de Combate à Violência Doméstica (PRCVD). Este Plano considera que o "inquérito sobre a Violência de Género nos Açores" possibilitou um melhor conhecimento sobre a prevalência real do fenómeno na Região, bem como, confirmou que nos Açores, como em qualquer outro lugar, a violência doméstica, vitima diversos sub-universos de pessoas, sejam adultas ou crianças, sejam do sexo masculino ou feminino. Atendendo que, no entanto, as mulheres continuam a ser o grupo onde se verifica a maior parte das situações de violência doméstica, assumindo-se assim, claramente, como uma questão de violência de género.
A escolha deste tema para este Encontro Formativo tem a ver com o facto de que a violência de género é uma realidade que afeta, com grande peso, a nossa sociedade. A consciência do problema leva-nos a intervir no sentido da sua erradicação, assim como no plano do apoio às vítimas, neste caso as mulheres, as mulheres vitimas de violência de género, sobretudo a violência doméstica.
O Encontro Formativo "Violência de Género: Saber e Agir" - Perspetivas atuais da intervenção e investigação em violência de género, do dia 22 de outubro, na Terceira, vai pois debater esta problemática do ponto de vista da intervenção, aprofundando conhecimentos (saber) e a intervenção (agir).
Quais as principais formas de violência de género identificadas nos Açores e a que causas principais estão associadas?
Nos Açores uma das principais formas de violência de género acontece no âmbito da família e nas relações de intimidade - a violência doméstica.
A UMAR está a desenvolver um projeto sobre igualdade e diversidade, no qual se enquadra a temática da violência de género. Que entraves principais ainda hoje se detetam na nossa sociedade no respeito pela diversidade e na promoção da igualdade?
O Projeto Igualdade e Diversidade pretende promover formação, debate e reflexão sobre as questões da igualdade de género, através de Temas e Encontros Regionais em 3 ilhas: São Miguel, Terceira e Faial. A iniciativa na Terceira, inclui o Encontro Formativo do dia 22 de outubro, aberto às pessoas interessadas que se podem inscrever. No dia seguinte, dia 23, decorre um encontro de reflexão da UMAR-Açores onde nos vamos debruçar sobre a experiência da UMAR na área da violência doméstica - violência de género no espaço doméstico.
A UMAR vem a trabalhar desde há vários anos as questões relativas à promoção da mulher. A evolução tem sido positiva ou nem por isso?
A evolução das últimas décadas sobre a igualdade entre as mulheres e os homens deu-se a nível das leis, da realidade e das mentalidades, numa grande caminhada protagonizada por movimentos sociais como o movimento feminista, abrindo-se caminhos e novos espaços de intervenção. A afirmação dos direitos das mulheres e da igualdade entre homens e mulheres (igualdade de género) requer ainda mais ação, pelo que projetos como este continuam a fazer falta para aprofundar os caminhos com vista a uma sociedade justa e igualitária.

Entrevista Publicada no Jornal Diário Insular de 14 de Outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Encontro Violência de Género: Saber e Agir a 22 de Outubro em Angra do Heroísmo



No âmbito do Projecto da UMAR Açores Igualdade e Diversidade realiza-se no próximo dia 22 de Outubro de 2010, Sexta-Feira, o Encontro Violência de Género: Saber e Agir - Perspectivas actuais da intervenção e investigação em violência de género.

A Formadora será a Professora Doutora Maria José Magalhães, Presidente da UMAR, Investigadora do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da FPCE - UP e Docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.

O encontro formativo realizar-se-á na ESEAH - Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo na Sala n.º 1, na Canada dos Melancólicos das 9:30h às 12:30h e das 13:30h às 17:30h.

Aceitam-se inscrições, através do fax: 295 217 861 ou e-mail: umarterceira@gmail.com, até ao próximo dia 18 de Outubro de 2010 (2ª feira) tendo em conta a capacidade da sala.

Inscrevam-se e divulguem.

UMAR Açores / Cipa – Delegação da Ilha Terceira
Edifício da Recreio dos Artistas - Rua da Rosa s/n 1º Andar
9700 Angra do Heroísmo
Telefone: 295 217 860 / Fax: 295 217 861 / Telemóvel: 968687479
E-mail: umarterceira@gmail.com

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Jovens mais sensíveis para a discriminação





"Crescer sem Discriminar" é um programa que a UMAR acaba de lançar para sensibilizar as crianças e jovens nas escolas para a problemática da discriminação. Rita Ferreira, psicóloga da UMAR, considera que ainda há muito por fazer nesse domínio.

A UMAR-Açores tem um novo programa denominado "Crescer sem Discriminar" que se destina aos alunos do ensino básico e secundário. Quais são os objetivos desse programa que visa a promoção da cidadania e igualdade?
O objetivo principal deste programa é sensibilizar os alunos e alunas para a não discriminação das pessoas independentemente do seu género, etnia ou cultura, orientação sexual ou situação de deficiência.
A ênfase é dada na questão do género, uma vez que é esta a especificidade da UMAR e se trata de uma questão transversal a todas as outras.
Uma pessoa imigrante, pertencente a uma minoria sexual ou portadora de deficiência sofre mais discriminação se for mulher do que se for homem.
Este programa surge do alargamento das áreas de intervenção do Centro de Informação, Promoção e Acompanhamento de Politicas de Igualdade, entidade gerida pela UMAR-Açores, na Terceira.

De que modo a que as escolas podem receber o vosso programa. Quais as ações que estão programadas?
O nosso programa tem sido divulgado nos órgãos de comunicação social e junto das escolas. Está adaptado para diversos contextos de ensino: básico, secundário ou até profissional.
Quem estiver interessado, pode contactar-nos e solicitar a realização do programa integralmente ou apenas algumas sessões conforme as necessidades do público-alvo.
Estão programadas quatro sessões sobre prevenção da discriminação em função do género, orientação sexual, etnia ou cultura e deficiência. Poderá ser realizada uma sessão extra, dirigida a educadores, professores, pais ou mães, encarregados de educação, onde explicamos o trabalho que será desenvolvido com os educandos.

As crianças e jovens são hoje mais tolerantes com a diferença e para a igualdade ou há ainda um longo caminho a percorrer nesse sentido?
Verifica-se que ainda há um caminho longo a percorrer porque fenómenos como o bullying são disso exemplo. As crianças são por vezes bastante cruéis umas com as outras e em determinadas situações, mesmo que subliminarmente, passam comportamentos de discriminação.
Outro fenómeno que se verifica é a grande incidência de violência no namoro, o que se pode de certa forma relacionar com a violência de género.
A intervenção no sentido da prevenção da discriminação e promoção da igualdade é uma área premente, e a população jovem por revelar maior abertura e recetividade apresenta-se como um público-alvo prioritário e privilegiado para a intervenção.

Outro programa desenvolvido pela UMAR destinado a crianças e jovens das escolas tem como temática a educação sexual. Como está a decorrer esse programa?
Este programa de Educação Afectivo-Sexual tem vindo a ser implementado desde o ano letivo de 2007/2008 e veio de certa forma dar uma resposta que não existia nas escolas, apesar da Educação Sexual estar prevista na legislação, desde 1984.
Trata-se de um programa bastante completo, uma vez que veio introduzir além da educação sexual por si só, a componente afetiva, de sentimentos, de desenvolvimento emocional, a componente de igualdade de género, tentando desconstruir já junto das crianças estereótipos sexistas ainda muito presentes na sociedade e também a componente de prevenção do abuso sexual de menores.
Ao longo dos últimos três anos letivos recebemos inúmeras solicitações para realizar o programa, primeiro nas escolas primárias com o primeiro ciclo, depois adaptando e alargando ao terceiro ciclo, ensino profissional e outros contextos como a Associação Cristã da Mocidade (ACM), junto de uma população-alvo com necessidades especiais.

Situação das mulheres

Sendo a UMAR uma associação vocacionada para a proteção dos direitos das mulheres como se caracterizar a situação da Terceira nesse domínio tendo em conta a vossa experiência?
A UMAR é uma associação vocacionada para a defesa dos direitos das mulheres e para o seu empoderamento enquanto pessoas. Temos também como missão alertar para as situações de discriminação, promovendo uma maior consciência social e dar visibilidade ao papel da mulher nas várias áreas da sociedade, como é por exemplo o trabalho das mulheres na pesca.
Relativamente à situação da Terceira, verificamos que a maioria das mulheres ainda permanece muito centrada na esfera privada do lar, da família, de modo que há um longo caminho ainda a percorrer para que a sua participação na esfera pública da sociedade terceirense se assemelhe à dos homens.
Outra das nossas vertentes é intervir na problemática da Violência de Género e Violência Doméstica, uma vez que recebemos mulheres vítimas no nosso Centro de Atendimento, a quem prestamos apoio jurídico, psicológico e social.
Também chegamos a receber situações de discriminação no trabalho. Na Terceira, verificamos que ainda há uma grande incidência de violência doméstica sobre as mulheres, o que se trata na verdade de uma questão de violação de direitos humanos.
Neste sentido, é importante trabalhar na prevenção e na sensibilização para a denúncia, uma vez que se trata de um crime.

Entrevista Publicada no Jornal Diário Insular de 3 de Outubro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Destaque do mês de Setembro de 2010

DRA. CÁTIA OLIVEIRA

Formada na área de Psicologia pela Universidade Clássica de Lisboa, a Dra. Cátia Borges Jaques Branco Oliveira de 29 anos de idade, é actualmente, a psicóloga responsável pela valência da SCMPV - Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória Casa de Abrigo Solisvita.
Antes de integrar a Casa Abrigo, em Janeiro de 2006, a Dra. Cátia, realizou, no ano de 2004/2005, um estágio curricular no Hospital de Santa Maria em Lisboa, na área de psiquiatria, que perdurou “até surgir a oportunidade de regressar à ilha Terceira e vir trabalhar para a Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória”.
Nunca havia ponderado trabalhar na área da violência doméstica, pois não tinha muita experiência, “tive apenas um caso de violência doméstica durante o meu estágio curricular”, portanto trabalhar neste âmbito, revelou ser um “grande desafio pessoal e profissional”. No entanto, diz não notar qualquer diferença em trabalhar num mundo maioritariamente feminino, “é normal”.
Quando iniciou o seu trabalho, a principal preocupação foi desenvolver uma atitude empática com cada vítima, pois “percebi que, para as ajudar a definir um novo percurso pessoal, seria essencial ouvi-las e acreditar nas suas histórias de vida”. Considera portanto, que, para trabalhar nesta área, é necessário adquirir certas competências profissionais e pessoais para que se possa “auxiliar e transmitir valores como auto-estima e auto-confiança e fazê-las acreditar que têm força suficiente para contornar os acidentes de percurso que tiveram na sua vida”.
Relativamente ao trabalho realizado em rede, pelas diversas entidades parceiras, a Dra. Cátia salienta que tem havido esforço “na promoção da comunicação e na proximidade com outros serviços e instituições extra-rede, apesar de existir um longo caminho a percorrer”.
Em relação à sociedade em geral, ainda há um olhar de censura sobre as mulheres vítimas de violência doméstica, que são vistas, muitas vezes, como “coitadinhas e infelizes”. Apesar de existir um grande número de cidadãos com conhecimento destes casos, estes/as “tendem a justificar um comportamento injustificável do agressor”, pois “é mais fácil dizer que a senhora levou porque se “portou mal”, do que tentar ajudá-la a encontrar outra forma de vida”.
O facto de ser mulher, é visto por esta como uma mais-valia na realização das suas funções, visto que, “quebra à partida a barreira do género, promovendo-se desde já uma maior abertura e predisposição por parte destas mulheres em transmitir as suas histórias de vida”, havendo assim “uma espécie de identificação com a outra parte e de esperança de crença na sua vivência e não de descrédito nem de julgamento ou de marginalização”.
Para finalizar, esta ressalta a credibilidade deste projecto, pois “para se poder ajudar estas pessoas tem que se acreditar nelas e na sua capacidade de mudança”. “O que se pretende com este projecto Casa Abrigo, é que pelo menos um, dois, três dias possamos garantir que ninguém lhes vai fazer mal, e que se elas escolherem deixar a vida que tinham podem e conseguem ter uma vida sem violência”.

Carla Garcia

Publicado na Página Igualdade XXI - Diário Insular de 18 de Setembro de 2010.

UMAR Açores marca presença no Festival Azure 2010

Stand UMAR Açores / Cipa + APF – Festival Azure 2010

No âmbito do plano de actividades para o ano de 2010 a UMAR Açores / CIPA – Centro de Informação Promoção e Acompanhamento de Políticas de Igualdade em parceria com a APF – Associação para o Planemaneto da Família, marcou presença no Festival Azure 2010 que se realizou na zona de lazer de São Braz, Praia da Vitória, nos dias 26, 27 e 28 de Agosto.
Sensibilizar para a violência de género, promoção de uma sexualidade responsável, bem como o incentivo à não descriminação em função da orientação sexual e deficiência, foram os principais temas expostos no stand das Associações.

Miguel Pinheiro

Publicado na Página Igualdade XXI - Diário Insular de 18 de Setembro de 2010.

Livros Publicados

A UMAR (continental) – União de Mulheres Alternativa e Resposta – e a UMAR Açores – Associação para a Igualdade e Direitos das Mulheres – tem editado algumas publicações sobre as mulheres, em várias áreas da sociedade. Assim sendo, temos disponíveis para venda as seguintes publicações:
• Inclusão Percursos para a Igualdade – IPI – Uma experiência de valorização em Rabo de Peixe e São Mateus. Mulheres. Seu papel e saberes nas comunidades piscatórias, nos Açores.
• Estamos cá. Existimos. As mulheres na pesca nos Açores.
• As mulheres e a República.
• A mulher e o trabalho nos Açores e nas Comunidades. Volume V – História e Sociedade.
• A mulher e o trabalho nos Açores e nas Comunidades. Volume VI – Empreendedorismo e Diversidade.
Temos também disponíveis para consulta e empréstimo, muitas outras publicações que fazem parte do Centro de Documentação do CIPA (Centro de Informação, Promoção e Acompanhamento de Politicas de Igualdade). Faça-nos uma visita!





Publicado na Página Igualdade XXI - Diário Insular de 18 de Setembro de 2010