quarta-feira, 1 de junho de 2011

Autonomia açoriana com avanços na Igualdade de Oportunidades


A Autonomia açoriana, em termos de orgânica da administração regional, tem estado à frente da República, no que diz respeito à defesa da igualdade de oportunidades. Quem o destaca é o antropólogo e ex-deputado Miguel Vale de Almeida que hoje à noite está na Academia de Juventude e das Artes da Ilha Terceira para participar na 6.ª edição das “Noites da Igualdade”, uma iniciativa da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), para assinalar o Dia da Luta Contra a Homofobia, que se assinalada a 17 de Maio.

A Autonomia açoriana tem sido, de forma pioneira, potenciadora de uma maior igualdade de oportunidades entre géneros ao criar, na orgânica da administração regional, uma tutela sobre a matéria. Quem o ressalva é o antropólogo e ex-deputado Miguel Vale de Almeida, que está hoje na Academia de Juventude e das Artes da Ilha Terceira, para participar na VI “Noite da Igualdade”.

O professor universitário explica que os Açores – que refere conhecer bem – tiveram avanços superiores aos verificados no continente: “parece-me que os Açores têm tido um avanço muito grande ao nível dos organismos autonómicos, nomeadamente, com a criação de uma direcção regional da Igualdade, antes de haver ao nível da República e portanto isso foi um avanço muito grande”.

A região, acrescenta, “têm também uma intervenção do movimento social muito interessante, por parte da UMAR, por exemplo, ou o CIPA (Centro de Informação, Promoção e Acompanhamento de Políticas de Igualdade) – uma iniciativa muito interessante”.

De resto, acresce, “as diferenças não são significativas”, considerando que nas ilhas há “uma sociedade diversa onde vamos encontrar níveis de tolerância e de intolerância igualmente distribuídos como no resto do país”.

Falar do que falta fazer

Miguel Vale de Almeida explica os temas que estarão hoje, na Praia da Vitória, a partir das 20H00, em explicação e sensibilização: “quero dar conta daqueles que foram os progressos dos últimos um ou dois anos em torno da igualdade, do acesso ao casamento civil, na lei de identidade de género e também nas questões do género em geral, não só questões de orientação sexual”.

“E também falar – porque acho que é muito importante – daquilo que ainda falta fazer e que ainda é significativo. E promover a ideia que só vivemos melhor em Democracia com mais igualdade e que as questões dos direitos são independentes das situações de crise como aquela que atravessamos e portanto não há razões nenhumas para não avançarmos mais ainda”.

Isto porque, em termos legais, conta, ainda há muito a fazer: “em termos legislativos – enquadramento fundamental para tudo, porque serve de pedagogia para mudar as mentalidades – nós estamos, de facto, em falta no que diz respeito à questões de parentalidade, isto é, garantir que as crianças que vivem com casais do mesmo sexo possam ter o direito de ter os seus dois pais ou as suas duas mães e não só a relação legal com um deles; também é preciso alterar a lei da procriação medicamente assistida para as mulheres sozinhas poderem recorrer a elas, uma vez que para neste momento para recorrerem à procriação medicamente assistida é preciso a mulher estar tutelada por uma união de facto ou por um casamento com um homem, o que me parece bastante anticonstitucional; e por outro lado o acesos à adopção pelos casais do mesmo sexo”.

O activista do movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros refere que primeira questão é “a mais urgente”.

Do amor de pleno direito

“O sentimento, o amor, as emoções, os afectos, a vontade que as pessoas têm de viverem juntas, de construírem famílias, e de serem reconhecidas como pessoas de pleno direito”, são estes, enumera, os valores e as matérias mais importantes para as quais o antropólogo alerta em vésperas do Dai Internacional de Luta Contra a Homofobia, que se assinalada a 17 de Maio.

Questionado sobre a relação entre os meios urbanos vs rurais e a homofobia, Miguel Vale de Almeida é claro: “curiosamente não há uma correlação muito directa entre os meios rurais ou mais afastados e mais homofobia. A correlação não é tão clara assim. Às vezes encontra-se altos níveis de tolerância nesses meios e o contrário em meios urbanos, classes altas. O fundamental à dirigir a palavra aos sentimentos comuns que as pessoas têm em relação aos amores e aos afectos”.

“Desconstruir preconceitos”

Segundo o sociólogo Miguel Pinheiro, da delegação da UMAR na Terceira, em declarações à Lusa, a “Noite da Igualdade” que a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) realiza hoje na ilha Terceira, pretende “desconstruir preconceitos associados à homossexualidade", através de uma abordagem informal do problema.

“Existe ainda muito preconceito em relação à homossexualidade”, frisou o responsável tendo por base os resultados de uma avaliação feita no programa “Crescer sem discriminação do género, etnia e cultura, orientação sexual e deficiências”, promovido pela UMAR junto de alunos desde o 3.º ano do primeiro ciclo até ao 12.º ano e do ensino profissional.

“Ainda se notam certos comentários, incluindo de crianças e jovens, que, no fundo, reproduzem o que ouvem em casa ou em grupos de amigos”, afirmou o sociólogo, frisando que a Noite da Igualdade pretende juntar ao serão “o maior número possível de pessoas para uma abordagem sem complexos das questões de orientação sexual”.

A Noite da Igualdade, com entrada gratuita, começa às 20:00 e “não tem hora prevista para terminar”, já que, segundo Miguel Pinheiro, “não se trata de um seminário, mas de uma conversa informal, em que o público será chamado a intervir”.

Além da presença de Miguel Vale de Almeida, Bárbara Guimarães, jurista da delegação da UMAR na Terceira, abordará questões relacionadas com a legislação sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo.

A Noite de Igualdade é uma iniciativa da UMAR/CIPA (Centro de Informação, Promoção e Acompanhamento de Políticas de Igualdade), em parceria com a Direcção Regional da Juventude, no âmbito da parceria com o Gabinete de Assessoria ao Jovem.

Humberta Augusto

Notícia Publicada no Jornal A União de 14 de Maio de 2011.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Crescer sem Discriminar


Este é o nome do programa que está a ser desenvolvido nas Escolas Básicas e na Escola Secundária Jerónimo Emiliano Andrade, em parceria com a Equipa (Com)Sentidos – Projecto de Educação para a Saúde, desde Setembro do ano transacto.
A intervenção da UMAR Açores nas discriminações múltiplas prende-se com a transversalidade do factor “género” a todas as áreas de discriminação, tendo em conta a orientação feminista da Associação. O sexo feminino é predominantemente alvo de discriminação, que se verifica na esfera pública da vida: no acesso ao emprego ou afirmação na sociedade, assim como na esfera privada: desigualdade na partilha de tarefas domésticas e responsabilidades parentais ou mais grave ainda nas situações de violência doméstica em que as mulheres continuam a ser maioritariamente as vítimas. Esta discriminação é agravada se a pessoa pertence a uma minoria étnica, etária, sexual ou se tem algum tipo de deficiência / limitação física, sensorial, motora ou mental.
Ao longo da vida, provavelmente, já todos/as fomos alvo ou agentes de alguma forma de discriminação, ou porque somos esquerdinos/as e tantos objectos são adequados apenas a destros/as ou porque chamávamos certos/as colegas na escola primária de “caixa-de-óculos”… Isto acontece porque todos/as temos estereótipos e preconceitos, todos temos determinadas crenças, ideias preconcebidas, não sustentadas em factos, acerca de determinados grupos da sociedade em que vivemos. O importante é termos uma consciência crítica sobre os nossos estereótipos, reflectirmos sobre os nossos preconceitos, procurarmos informação e pormo-nos no lugar dos/as outros/as. Os exemplos atrás referidos são ligeiros se compararmos com as formas extremas de discriminação, como são exemplo as perseguições e massacres xenófobos ou homofóbicos. Por outro lado, as pessoas tolerantes à diferença, que convivem de perto com minorias, tornam-se muito menos discriminatórias e mais respeitadoras da diversidade, contribuindo para uma sociedade mais evoluída.
De acordo com um estudo do British Council realizado em 2008 em sete países da U.E., incluindo Portugal, sobre as situações de discriminação nas escolas, verificou-se que a roupa, o peso, a cor da pele, a deficiência ou incapacidade física dos/as alunos/as são alvo de gozo e escárnio por parte dos/as colegas. Sendo a escola um foco de mudança das sociedades é urgente intervirmos no sentido de contrariar esta tendência.

Rita Ferreira

Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 3 de Maio de 2011

VI Noite de Igualdade com Miguel Vale de Almeida


No próximo dia 14 de Maio, a UMAR Açores pretende retomar as suas Noites de Igualdade. Esta será a VI Noite de Igualdade e propõe assinalar o dia 17 de Maio - Dia da Luta Contra a Homofobia.
Através de uma abordagem informal, a iniciativa contará com a presença do Dr. Miguel Vale de Almeida (Lisboa, 21 de Agosto de 1960), antropólogo, activista do movimento LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros, ex-deputado à Assembleia da República e actualmente Professor associado do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, onde se doutorou e actua principalmente em campos de estudo do pós-colonialismo e da crioulidade. É também director da revista Etnográfica do Centro de Estudos de Antropologia Social do ISCTE.
Participará também, a jurista da delegação da UMAR Açores na Ilha Terceira, Dra. Bárbara Guimarães, que irá abordar questões relacionadas com o casamento de pessoas do mesmo sexo.
Esta iniciativa, integra-se no âmbito do plano de actividades para o ano de 2011 da UMAR Açores / CIPA – Centro de Informação Promoção e Acompanhamento de Políticas de Igualdade em parceria com Direcção Regional da Juventude e realizar-se-á ao abrigo do Protocolo de Cooperação, assinado no passado mês de Janeiro, com aquela Direcção Regional, com o objectivo de dinamizar um conjunto de actividades no Gabinete de Assessoria ao Jovem da Praia da Vitória.
A Noite será direccionada para jovens, mas é aberta ao público em geral e terá lugar na espaço da Academia da Juventude da Ilha Terceira no próximo dia 14 de Maio, Sábado, pelas 20 Horas.

Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 3 de Maio de 2011

UMAR Açores trabalha no âmbito do Gabinete de Assessoria ao Jovem

Acção de Sensibilização no âmbito do Gabinete de Assessoria ao Jovem


No passado mês de Janeiro foi assinado um protocolo de parceria entre a UMAR Açores e a Direcção Regional da Juventude, para a dinamização do Gabinete de Assessoria ao Jovem, a funcionar na Academia da Juventude da Ilha Terceira, na Rua Serpa Pinto, n.º 66, na Praia da Vitória.
Para além de atendimentos presenciais, realizados às terças-feiras quinzenalmente, que podem também ser agendados para outras datas e horários em função da disponibilidade do/as jovens, deu-se início à realização de um conjunto de acções de sensibilização sobre as temáticas da Igualdade de Género, Violência nas Relações Interpessoais, Violência no Namoro, Violência Doméstica, Não Discriminação em função da Orientação Sexual, Deficiência e Etnia / Cultura.
Até ao final do mês de Março de 2011, já foram alvo destas sessões 415 jovens (214 do sexo feminino e 201 do sexo masculino) das escolas Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, Básica e Integrada de Angra do Heroísmo, Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo e Secundária Vitorino Nemésio na Praia da Vitória, bem como utentes do Projecto SALTUS (Jovens em Risco) da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória.
O Gabinete de Assessoria ao Jovem, funciona de segunda a sexta-feira, entre as 09h00 e as 17h00, com rotatividade do/as técnico/as consoante a área de intervenção e é orientado para jovens com idades compreendidas entre os 12 e os 35 anos e respectiva envolvente familiar e comunitária. Pretende-se, assim, implementar políticas de prevenção primária, desenvolver iniciativas de exploração de emprego, orientar os/as jovens para os diferentes departamentos governamentais e outras entidades em função das necessidades apresentadas, bem como divulgar informação geral de interesse juvenil.
Fazem também parte dos objectivos do Gabinete, proceder à avaliação multidimensional do jovem e dos seus universos relacionais, perspectivando um projecto de vida adequado, bem como fomentar a sua formação cívica, contribuindo para uma melhor formação enquanto seres humanos e, ainda, desenvolver acções de formação destinadas a profissionais que trabalham directamente com jovens.
Para além da UMAR Açores, assinaram também o protocolo de cooperação outras entidades e instituições como a empresa municipal Praia em Movimento, a Direcção Regional do Trabalho, Qualificação Profissional e Defesa do Consumidor, através da Rede Valorizar, a Universidade dos Açores, através da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo, e a Associação de Jovens em Risco.

Publicado na Página IGUALDADE XXI do Jornal Diário Insular de 3 de Maio de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Na Terceira - Dia Internacional da Mulher


O que tem em comum a Cinderela, a Bela Adormecida e a Branca de Neve? São princesas que anseiam pela vinda dos príncipes encantados que, montados em cavalos brancos, irão travar inúmeras batalhas, salvá-las de bruxas malvadas e no fim casar com elas e serem felizes para sempre… Diferentes destas são “A princesa espertalhona” e “A princesa que queria ser rei”, mulheres que não se sujeitando à condição feminina, mostraram que são activas, desenrascadas, corajosas e capazes de encontrar a felicidade por si mesmas. Estas duas histórias da autoria de Babette Cole e Sara Monteiro, respectivamente, foram dinamizadas de forma muito interessante por Paulo Freitas no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher, realizadas na Ilha Terceira. Uma forma de despertar as crianças para as questões da igualdade de género. Esta iniciativa teve lugar na Casa do Povo de S. Mateus com a colaboração da AMPA IT, Associação de Mulheres de Pescadores e Armadores da Ilha Terceira, e com a participação da Escola Básica de S. Mateus. Além da hora do conto, direccionada para as crianças, mas igualmente apreciada pelos/as adultos/as presentes, neste espaço havia também uma exposição com artesanato e artefactos das mulheres da pesca. No final houve convívio, com um lanchinho para miúdos/as e graúdos/as!

Rita Ferreira

Publicado na Página Igualdade XXI no Jornal Diário Insular de 29 de Março de 2011

Em São Miguel - Dia Internacional da Mulher

No âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher, a UMAR-Açores em conjunto com a DRIO, e parcerias como a Ilhas em Rede, AMPA, Descalças Cooperativa Cultural, entre outras, realizou actividades em diferentes ilhas. Em São Miguel as actividades realizaram-se no Centro Cívico e Cultural de Sta. Clara, no dia 3 de Março decorreu a abertura da exposição de fotografias “Mulheres semeando um outro Mar” e a apresentação do documentário “ComPassos de Mudança” resultado do Teatro d@ Oprimid@ realizado pelas mulheres da pesca dos Açores na Ribeira Quente. Durante a abertura da exposição decorreram momentos de poesia, acerca das mulheres e o mar, e momentos de música. Entre os dias 3 e 18 de Março, foram feitas visitas guiadas à exposição com grupos escolares em que se realizaram diferentes dinâmicas utilizando a fotografia e o lúdico como agentes de discussão e transformação da realidade. No dia 18 de Março deu-se o encerramento das celebrações do Dia Internacional da Mulher, com a palestra “O Género, Igualdades e Desigualdades”, e seguiu-se o fórum “O Género e a Profissão” em que estiveram presentes mulheres com profissões pouco habituais, nomeadamente, duas faroleiras, uma pescadora, e três empresárias, agro-turismo, “S.O.S. Casa e Jardim”, e café “Tecelagem”. Foram testemunhos muito ricos que sensibilizaram, todos/as os/as presentes. As celebrações do Dia Internacional da Mulher encerraram com um momento de poesia fundamentado no poema “Calçada de Carriche” de António Gedeão. Estas actividades tiveram como finalidade a valorização das mulheres na pesca, e também a partilha de experiências e vivências de mulheres da sociedade em geral, salientado deste modo, a importância da igualdade de género e de oportunidades em todos os sectores da vida.

Joana Medeiros

Publicado na Página Igualdade XXI no Jornal Diário Insular de 29 de Março de 2011

No Faial - Dia Internacional da Mulher

A UMAR Açores em parceria com a DRIO, e conjuntamente com as parceiras Ilhas em Rede, Descalças AMPA, para sinalizar as comemorações do dia Internacional desenvolveram um conjunto de acções nos dias 11 e 12 de Março de 2011. No dia 11 no Centro do Mar, as mulheres que trabalham na pesca, em terra ou no mar, expuseram vários trabalhos, artesanatos manufacturados pelas mulheres das comunidades piscatórias, diversos tipos de pesca, como o caso das gamelas e covos. Ainda neste dia realizou-se um fórum intitulado “O Género e a Profissão” em que mulheres de várias profissões deram o seu testemunho, sobre o seu percurso, objectivos, sucessos e dificuldades. Para além disso, duas turmas da Escola Profissional da Horta visitaram a feira/exposição. Para culminar este dia de comemorações, exibiu-se no Teatro Faialense o filme “Precious”, que retrata a vida de uma jovem, que apesar de todas as adversidades consegue ter esperança numa vida melhor. Esta história representa a vida de muitas jovens e mulheres na actualidade. No sábado, dia 12 de Março a exposição manteve-se aberta a toda a comunidade, seguindo-se a apresentação/representação do Teatro Fórum sobre a temática da mulher na pesca, e posteriormente um documentário realizado na Ribeira Quente em S. Miguel sobre as várias etapas do Teatro d@ Oprimid@. A comunidade faialense aderiu bastante bem a todas as iniciativa, mostrando interesse e participação activo sobretudo no Teatro do Oprimido.

Carla Mourão

Publicado na Página Igualdade XXI no Jornal Diário Insular de 29 de Março de 2011