quinta-feira, 28 de maio de 2015

Denuncia a Discriminação!

 
 
 
Em 2014 o Observatório da Discriminação em função da Orientação Sexual e Identidade de Género da Associação ILGA Portugal recebeu 426 denúncias crimes e/ou incidentes motivados pelo ódio contra pessoas lésbicas, gay, bissexuais ou trans (LGBT), destas 198 constituem muito claramente crimes de ódio segundo definição da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
Segundo estes resultados, a maioria das vítimas têm entre 14 e 20 anos, são maioritariamente homens gay e já revelaram a sua orientação sexual e/ou identidade de género a pessoas amigas. Por sua vez, as pessoas agressoras têm, na sua maioria, entre 18 e 25 anos de idade, atuam em grupo e não conhecem as vítimas.
Portugal é um país bastante reconhecedor dos direitos humanos de todas as pessoas, nomeadamente das pessoas LGBT, mas a realidade é que a discriminação em função da orientação sexual e identidade de género é bastante preponderante, geograficamente transversal e sofre de uma grave ausência de mecanismos de resposta: veja-se que, quer em 2013 quer em 2014, mais de 90% dos casos no Observatório da Discriminação não são reportados às autoridades!
Ora, Portugal tem um Plano Nacional para Igualdade de Género, Cidadania e Não Discriminação, o segundo aliás com uma área para as questões LGBT, mas a existência e implementação deste Plano esgota-se no território continental. Então e as pessoas LGBT das Regiões Autónomas? Que políticas públicas as reconhecem e protegem?
A Madeira tem um Plano Regional para a Igualdade, mas faz apenas uma tímida menção a ‘todas as discriminações’ e uma menção explícita à orientação e igualdade de género no atendimento não discriminatório em contexto de saúde. Já os Açores não têm qualquer plano regional e será aliás o poder local, via Câmara Municipal de Ponta Delgada, a liderar este progresso que, acreditamos, será inclusivo. E esperamos que muito em breve o Governo Regional reconheça a importância deste passo - e o dê.
Quando o silêncio e a invisibilidade são as principais armas da discriminação, as denúncias assumem um papel determinante ao permitir conhecer algumas das facetas mais violentas da discriminação.
É por isso fundamental continuar a quebrar o silêncio e a denunciar a discriminação contra as pessoas lésbicas, gays, bissexuais e trans em observatório.ilga-portugal.pt.
 
Marta Ramos, Coordenadora de Projetos da Associação ILGA Portugal
 
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 28 de Maio de 2015


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Marcha Mundial das Mulheres 2015

 
 
A Caravana Feminista na Europa
 
Se uma ilha é um espaço rodeado por mar, se o mar separa e une as nossas ilhas, que dizer do mundo, o mundo de cá e o mundo de lá, de outras terras e de continentes qual grandes ilhas como o nosso imaginário infantil nos pode fazer crer? Dizer, talvez – os mares que nos separam também nos podem unir!
Falar da Marcha Mundial das Mulheres (Marcha) é falar das mulheres no mundo, de feminismo mundial, de uma rede que desde o início do Século XXI desenvolve ações e afirma, numa perspetiva internacionalista: Outro mundo é possível! Nada mais adequado a esta emergência da Marcha do que a Igualdade XXI, a página que a delegação da Ilha Terceira da UMAR-Açores edita mensalmente, com publicação no Diário Insular e divulgação posterior no blog do mesmo nome.
Uma das marcas do movimento feminista é o seu caráter mundial e solidário, o que carateriza a Marcha Mundial das Mulheres, na qual os Açores têm estado presentes, participando em todas as ações globais da Marcha em 2000, em 2005, em 2010 e agora em 2015. Esta envolvência permite-nos, um olhar concreto, também ele mais global, sobre o que tem sido a Marcha Mundial das Mulheres nos Açores e no Mundo. Também em 2012, com a crise e a austeridade a apertar a Europa, a Marcha desenvolveu uma Campanha Anti-Austeritária na Europa com debate sobre o impacto da austeridade na vida das mulheres.
 
Como surgiu e o que tem sido a Marcha Mundial das Mulheres
 
A Marcha Mundial das Mulheres é uma rede internacional de ações feministas que reúne grupos e organizações de base que trabalham para eliminar a pobreza e a violência sobre as mulheres. Fundada em 1998, reúne 6.000 grupos de mulheres provenientes de 163 países e territórios e realizou a sua primeira actividade mundial no ano 2000.
A 1ª Ação Internacional, em 2000, entre 8 de Março e 17 de Outubro, terminou em Nova Iorque com a entrega na ONU de cerca de cinco milhões de postais e assinaturas subscrevendo 17 reivindicações que erradicassem a violência e a pobreza.
A 2ª Ação Internacional, em 2005, partiu de São Paulo (Brasil) e percorreu o mundo com a Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade. Em cada país por onde passou esta estafeta, foram-se acrescentando retalhos a uma Manta da Solidariedade até chegarmos a Ouagadougou, capital do Burkina Faso.
Na 3ª Ação Internacional, em 2010, a Marcha desenvolveu atividade com destaque em quatro temas de ação: Bem Comum; Paz e Desmilitarização; Trabalho das Mulheres; Violência contra as Mulheres.
 
 
A 4ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, 2015
 
Em 2015, a Marcha Mundial das Mulheres lançou a sua 4ª Ação Internacional com o tema Corpo e Território desenvolvem-se temáticas mais urgentes: Assédio sexual; Violência de género; Pobreza; Racismo; Migrações; Arte e feminismos; Trabalho (pago e não pago) e Privatização dos Cuidados; Soberania Alimentar; Habitação e Direito à cidade; Discriminação sobre as mulheres lésbicas - Co-adopção; Violência policial e violência institucional; Ocupação do espaço público.
 
Roteiro da Caravana Feminista na Europa de 8 de Março a 17 de Outubro de 2015
  
A Caravana Feminista na Europa

Inserida na 4ª Ação da Marcha foi organizada uma Caravana Feminista a percorrer a Europa, com início no Curdistão (Turquia) a 8 de Março até Coimbra (Portugal) 17 de Outubro. Em Portugal, incluindo Açores, a Marcha e a Caravana contam com a adesão de vários coletivos e organizações. Estão a organizar-se oficinas, mostras de cinema, debates, tertúlias, bicicletadas e marchas em Lisboa, Porto, Coimbra, Açores, etc., ao longo deste ano, numa mobilização que se quer crescente, até o Encontro Internacional, que fechará a Caravana feminista em Coimbra.
A Rota da Caravana será a das resistências e das alternativas, a análise a partir do corpo e do território, o traço da visibilidade do invisível. Em 2015 vamos construir coletivamente um Mapa alternativo do mundo, onde se vejam as experiências e as lutas emancipatórias construídas a partir das mulheres e dos feminismos em todas as regiões do mundo.
Portugal, incluindo os Açores, estará neste Mapa com as suas lutas, reivindicações e alternativas.
Durante a 4ª Ação Global da Marcha Mundial das Mulheres, em 2015 irão decorrer eventos em todo o mundo, nos diferentes continentes, ações a nível nacional, regional e local de onde se destaca as 24 horas de Ação Global, no dia 24 de Abril 2015.

Porque outro mundo é possível!

Nota: As ações da Marcha, nos Açores, contam com a dinamização da UMAR e o envolvimento de várias associações, numa parceria contra a pobreza e a violência sobre as mulheres.

 
Clarisse Canha - Voluntária, activista e membro da direcção da UMAR Açores


Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 21 de Abril de 2015



sexta-feira, 20 de março de 2015

DESTAQUE DO MÊS DE MARÇO DE 2015

CARLA COSTA
piloto de ralis
 
Carla Costa (à direita) com a filha Bárbara Costa sua navegadora
 
Carla Cristina Bento Ferreira Costa, tem 39 anos é proprietária da empresa Mil Flores e foi sexta classificada à geral, primeira entre as pilotos açorianas no Rali Sprint da Praia da Vitória, prova realizada no passado dia 8 de Março e destinada a pilotos mulheres.
O interesse pelo automobilismo nasceu à 17 anos, tinha então 23. Tudo começou por brincadeira entre amigos. Tinha o carro que já era do meu marido (uma Renault 4 Gtl) que já tinha feito ralis e foi só arranjar apoios para as despesas e fui com uma amiga (Natacha Pires, minha primeira navegadora). Foi um dia inesquecível em que sentimos o carinho das pessoas na estrada e que não arredaram pé para nos verem, mesmo sendo as últimas a passar. Foi aí que começou o vício. Porque os ralis são viciantes. A adrenalina de andar depressa é viciante, queres sempre mais.
 
Relativamente ao automobilismo ser maioritariamente para homens a piloto refere que espera que isso mude. Nem sempre é fácil, porque eles têm sempre a ideia que são eles que devem ser os melhores e não aceitam o contrário. Mas a integração foi fácil. Fui sempre bem recebida entre eles. No entanto, houve uma altura em que por ser mulher não levavam a sério a minha participação, mas houve um rali em que andei melhor do que alguns e não acharam muita piada e via-se que se sentiam incomodados. Mas eu estava lá e tinham que contar com isso. Com estas situações, só fazem com que queiramos aprender, melhorar e andar mais depressa. Recebem-nos sempre bem, mas se por acaso os tempos ditarem que é uma mulher a estar á frente, as reações já não são as mesmas. Mas temos que ser indiferentes a isso e não mostrarmos insegurança, mesmo que ela exista. Em geral confessa que nunca se sentiu discriminada, só se for pelo facto de pensarem que não somos capazes por sermos mulheres, mas isso é o que pensam e não nos pode incomodar.
 
Sobre as mulheres vítimas de violência doméstica.
Acho que são vistas com pena. São mulheres a quem lhes foi negado a felicidade e a auto estima, mas que devem de ter todo o nosso mérito, porque passam o pior dos piores e continuam a viver e a sobreviver e muitas delas com um sorriso no rosto.
Relativamente às instituições que trabalham com vítimas de violência a piloto refere que fazem o que deveria ser feito por qualquer pessoa, mas ainda bem que existem. Fazem com que essas mulheres sintam que tem como ser protegidas.
 
Opinião sobre o Ladies Rally Trophy
Acho que foi uma ideia genial. Vai dar a oportunidade das mulheres mostrarem o que valem na estrada. Que também sabem conduzir e andar depressa. Tirar a ideia que as mulheres não sabem conduzir. Espero que apareçam mais mulheres interessadas na modalidade. Que com este primeiro rali, faça com que desperte a curiosidade e as faça querer experimentar. E depois de experimentar vão querer continuar de certeza.
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 20 de Março de 2015
 
 

Automobilismo no Feminino

UMAR Açores assinala Dia Internacional da Mulher através do Rali Sprint da Praia da Vitória
 
Enquanto parceira da OEC Motorclube, a UMAR Açores assinalou o 8 de Março - Dia Internacional da Mulher na ilha Terceira através do Rali Sprint da Praia da Vitória, prova destinada a pilotos mulheres. Esta iniciativa, inédita a nível mundial, juntou numa única prova duas competições, uma nacional (Ladies Rally Trophy Portugal 2015) e outra regional com a designação de Ladies Rally Trophy - By Clubauto - Açores 2015. Com esta parceria a associação pretendeu valorizar a presença feminina no desporto automóvel.

Entrega de troféus do Rally Sprint da Praia da Vitória
 
Isabel Ramos e Rubina Gonçalves, primeiras classificadas à geral
 
Lígia Albuquerque e Vânia Paim, segundas classificadas à geral
 
Daniela Rodrigues e Laura Natividade, terceiras classificadas à geral
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 20 de Março de 2015
 


sexta-feira, 13 de março de 2015

UMAR Açores e E.B.I.A.H. assinalam Dia de S. Valentim

Prevenção da Violência no Namoro
 


 
Conforme o plano de actividades da Delegação da Ilha Terceira para este ano foi desenvolvida uma acção de sensibilização sobre a violência no namoro, no passado dia 13 de Fevereiro, véspera do “Dia dos Namorados”. Esta iniciativa decorreu em parceria com a Equipa de Saúde Escolar da Escola Básica Integrada de Angra do Heroísmo (E.B.I.A.H.). Foram distribuídos panfletos informativos sobre esta problemática e recursos de apoio, assim como corações autocolantes com mensagens alusivas ao tema, pela comunidade escolar (alunos/as, professores/as e auxiliares). Os alunos eram também convidados a deixar uma mensagem sobre o que acham que deve ser (e não ser) uma relação amorosa. Posteriormente realizou-se a projecção e debate de um pequeno filme / documentário com testemunhos reais de jovens vítimas de violência no namoro. Com as turmas que assistiram ao filme debateram-se questões como a necessidade de respeitar o outro e a sua privacidade, os efeitos negativos do ciúme e do controlo, a importância da confiança e da aceitação da outra pessoa tal como é. No final ficou o apelo: caso conheçam alguém que esteja a passar por uma situação destas, aconselhem a procurar ajuda, quer seja vítima, quer seja agressor/a!

 
O amor é:
- “Sentir que podemos ser nós próprios. Estarmos livres mas sempre juntos. Amor é sentirmo-nos bem.”
- “O amor é felicidade e respeito mútuo.”
- “O amor é entrega, confiança, cumplicidade, etc.”
- “O amor é saber cuidar. É respeitar, confiar, bem tratar.”
- “Amor é dar carinho, tratar bem as pessoas.”
- “O amor baseia-se numa amizade”.
- “O amor é dizer que sim/ o amor é dizer que não/ o amor é saber dizer/ aquilo que vai no coração.”
- “O amor é não DESISTIR sem TENTAR!”
O amor não é:
- “Amor não é sofrer… Amor não é chorar! Amor não é controlo.”
- “O amor não é dor.”
- “O amor não é violência.”
- “O amor não é violento, agressivo, é um ato de carinho, confiança e entrega. Não sejas violento para as pessoas que mais amas nesta vida.”
- “Para mim amor não é faltar ao respeito a quem amamos.”
- “Falta de liberdade, de respeito.” 
Frases dos/as alunos/as da E.B.I.A.H.
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 11 de Março de 2015

 

TESTEMUNHO

 
Olá a todas as mulheres, em nome dos meus filhos e em meu nome quero chamar a atenção a todas as que estão a sofrer e a viver violência doméstica, por favor não se calem, denunciem! Fui vítima de violência doméstica, com vergonha calei-me durante 10 anos. Graças aos meus filhos e graças a Deus sobrevivi para contar um pouco da minha história. Tive o apoio dos meus filhos, deram-me coragem para denunciar. Fui espancada de várias maneiras: foi na cara, fiquei com o olho negro, fui afogada, levei com o andarilho do meu neto, fiquei com o braço esquerdo negro… Graças a Deus sobrevivi e com vergonha a gente cala-se porque ainda somos culpabilizadas por isso. Uma chamada de atenção também às mulheres que nunca passaram por isso, por favor respeitem, porque deixa muitas marcas e revolta para sempre.
 
Utente da UMAR Açores
 

Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 11 de Março de 2015