segunda-feira, 10 de março de 2014

CONVITE - Ciclo de Cinema Documental Kim Longinotto – 11 e 18 de Março 2014 no CCCAH

 
 
No âmbito das comemorações do dia 8 de Março – Dia Internacional da Mulher a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo promove, em parceria com a UMAR Açores / Cipa - Delegação da Ilha Terceira, um Ciclo de Cinema Documental no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo.
 
Programa 
3ª feira, 11 de Março de 2014:
20h00: Apresentação do documentário de Kim Longinotto
"Sisters in Law" pela advogada Xénia Leonardo - UMAR Açores / Cipa;
20h30: Exibição do cinema documental "Sisters in Law".
 
3ª feira, 18 de Março de 2014:
20h00: Apresentação do documentário de Kim Longinotto
"Rough Aunties" pelo sociólogo Miguel Pinheiro - UMAR Açores / Cipa;
20h30: Exibição do cinema documental "Rough Aunties".
 
Ambas as exibições são de entrada gratuita.

Apareçam e divulguem
 
Sobre Kim Longinotto
Uma das mais proeminentes documentaristas em actividade, Kim Longinotto, é reconhecida internacionalmente pelos seus pungentes retratos e pelo seu sensível e apaixonante tratamento de tópicos difíceis.
Observando, reflectindo e contando as estórias de mulheres que desafiam convenções e lutam contra instituições, opressão e preconceitos, Longinotto documenta e revela as idiossincrasias e os costumes de sociedades oprimentes.
Passando por temas tão diversos como o divórcio no Irão, a mutilação genital feminina no Quénia, a violência sobre mulheres e crianças nos Camarões, na África do Sul ou na Índia, a educação de crianças emocionalmente perturbadas em Inglaterra ou mesmo questões de género, identidade sexual e contradições culturais no Japão, Longinotto assume-se politicamente comprometida, viajando pelo mundo inteiro para documentar os aspectos mais difíceis da realidade das mulheres.
Navegando pelas águas do documentário, desde que iniciou a sua carreira em 1976, trabalhando quase sempre com equipas reduzidas – a própria, na câmara, uma co-realizadora local e apenas uma pessoa no som – e mantendo-se sempre independente de quaisquer produtoras, Longinotto tem conseguido financiar o seu trabalho através da emissão dos seus filmes na BBC e vem conquistando a sua importância cinematográfica através do florescente circuito dos festivais de cinema.
Quase todos os seus filmes foram premiados um pouco por todo o mundo, sendo que “Sisters in Law” recebeu o Prémio Arte e Ensaio do Festival de Cannes, “Hold me tight, Let me go” foi galardoado com o Prémio Especial do Júri no Festival Internacional de Documentário de Amesterdão e “Rough Aunties” ganhou o Prémio do Júri na competição World Cinema do Festival de Sundance.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dia de São Valentim

UMAR Açores assinala dia dos Namorado/as
 
 

 
No passado dia 14 de Fevereiro, dia dos Namorados, a convite da Equipa de Saúde Escolar da Escola Básica Integrada de Angra do Heroísmo, a UMAR Açores desenvolveu uma acção de prevenção da violência no namoro na referida escola. Foram distribuídos panfletos informativos sobre esta problemática, assim como corações autocolantes com mensagens alusivas ao tema, pela comunidade escolar (alunos/as, professores/as e auxiliares). Simultaneamente, realizou-se a projecção e debate de um pequeno filme / documentário com testemunhos reais de jovens vítimas de violência no namoro. Com as turmas que assistiram ao filme debateram-se questões como a necessidade de respeitar o outro e a sua privacidade, os efeitos negativos do ciúme e do controlo, a importância da confiança e da aceitação da outra pessoa tal como é. No final ficou o apelo: caso conheçam alguém que esteja a passar por uma situação destas, aconselhem a procurar ajuda, quer seja vítima, quer seja agressor/a!
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 26 de Fevereiro de 2014.
 

Pressões do mundo laboral e desvalorização da participação paterna pelos empregadores

 
As licenças parentais por parte dos homens
 
 
 
Os constrangimentos impostos pelo mercado de trabalho são evocados, de forma recorrente, para explicar a subutilização das licenças parentais por parte dos homens.
Apesar de a lei e a sociedade tenderem a reconhecer progressivamente a necessidade e a importância do envolvimento da figura paterna na vida dos seus filhos e das suas filhas, a verdade é que muitos homens partilham a percepção de que não podem usufruir destes direitos.
Existe a possibilidade do benefício de licenças e baixas associadas ao desempenho parental, mas são poucos os homens que sentem que têm espaço, nos seus empregos, para usufruir destes direitos consagrados na lei.
Evidenciam-se obstáculos e constrangimentos associados ao desempenho envolvido da paternidade e observam-se tensões e pressões colocadas sobre os homens para que não usufruam dos direitos previstos na lei.
São identificáveis algumas especificidades relacionadas com o tipo de vínculo laboral, reconhecendo-se que vínculos precários e instáveis inibem a opção dos homens de gozarem estas licenças.
Os níveis de pressão, associados a diferentes contextos de trabalho, revelam a ideia de que o meio empresarial é mais adverso ao gozo deste tipo de licenças do que o emprego público.
A percepção de que os homens sofrem mais pressões do que as mulheres para não gozarem as licenças associadas ao nascimento dos seus filhos e das suas filhas é uma evidência. Estas pressões aparecem associadas à ideia de que o papel do pai no cuidado das crianças, nos primeiros tempos de vida, é desvalorizado e secundarizado em relação ao papel da mãe.
A mãe é vista como indispensável e insubstituível e a presença do pai é frequentemente entendida como secundária. O pai é visto, no máximo, como tendo um papel de suporte e não enquanto protagonista dos cuidados das crianças.
Apesar de as mudanças importantes que se observam no lugar das mulheres na sociedade e no lugar dos homens na família, persiste uma divisão estereotipada dos papéis atribuídos a umas e a outros. Há diferentes expectativas relativamente ao papel dos homens e das mulheres no exercício das funções parentais. O reconhecimento da persistência de valorizações diferenciadas, relativamente à importância da presença de cada um dos progenitores, é incontroversa.
 
Fonte: Projecto “Papá dá licença? Por uma parentalidade partilhada”
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 26 de Fevereiro de 2014.
 
 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Violência sobre idosos

 
O Sr. Manuel vive com o filho e a nora na casa destes. Tem 78 anos de idade e padece de diabetes, sendo insulino-dependente, com uma periodicidade de três injecções diárias.
Para poder beneficiar de uma atenção constante, principalmente no que concerne à doença crónica de que padece, passou a residir com o filho e a nora, tendo sido pressionado por estes para vender a sua casa.
Depois que concordou com a venda da casa e passou a residir definitivamente com o seu filho e nora estes passaram a ser negligentes, não só relativamente à ajuda com a sua higiene diária, mas e principalmente na aplicação das injecções de insulina, que tinham a sua periodicidade (três vezes ao dia).
Várias vezes foi hospitalizado, devido às falhas nas injecções de insulina de que estava a ser vítima.
Mais recentemente, o Sr. Manuel depois da última ida ao hospital, falou com o filho, queixando-se exactamente das falhas da insulina e da falta de apoio na sua higiene diária.
O filho desculpou-se com a falta de tempo, pois tanto ele como a mulher trabalhavam fora e nem sempre tinham disponibilidade para cumprir com as suas exigências. O Sr. Manuel então sugeriu, que falassem com a Casa de Povo da sua freguesia, para estes se deslocaram à residência de ambos, para pelo menos lhe cuidarem da sua higiene e lhe poderem auxiliar  numa toma de insulina.
O filho negou tal assistência, pois não queria estranhos na sua casa.
No entanto, o Sr. Manuel tomou a iniciativa de contactar telefonicamente com a referida Casa de Povo, que se mostrou de imediato disponível para o que fosse necessário.
Nesse mesmo dia confrontou o filho, com a disponibilidade demonstrada pela mencionada Casa de Povo, tendo o filho ficado muito exaltado e aos gritos disse ao pai que o proibia de telefonar para onde quer que fosse, tendo inclusivé passado a fechar à chave o quarto onde estava o telefone fixo.
Como o Sr. Manuel não possuía telemóvel, ficou impossibilitado de contactar com o exterior.
Os vizinhos moravam a alguma distância, que o Sr. Manuel devido à sua idade e doença, não conseguia percorrer sozinho.
Certo dia, depois do jantar, resolveu falar com o filho e com a nora, tentando chamá-los novamente à razão, pois as injecções de insulina continuavam a falhar e nova ida para o hospital seria apenas uma questão de tempo. Lembrou-lhes então, que com a sua pensão de 600,00 € (seiscentos euros), podia pagar a uma pessoa, com alguns conhecimentos de enfermagem, que estivesse com ele pelo menos da parte da tarde.
De salientar, que a pensão estava a ser gerida pelo filho, sem prestar qualquer satisfação ao pai e sem que este tivesse acesso a qualquer dinheiro.
O filho então começou a maltratá-lo verbalmente, chamando-o de ingrato, velho tolo, que não passava de um inútil, que tinha muita sorte de não estar num lar como os outros ou mesmo viver na rua e terminou dando-lhe uma bofetada, que o atingiu na face direita,  o que o desiquilibrou provocando a sua queda no chão.
Como resultado da actuação do filho, o Sr. Manuel ficou com um hematoma na face direita e como caíu sobre o lado esquerdo, com vários hematomas no braço e perna esquerdas e com muitas dores.
No dia seguinte, o Sr. Manuel com muita dificuldade dirigiu-se à janela e ficou à espera que passasse alguém que o pudesse socorrer.
Por volta das onze horas da manhã, passou o carteiro e o Sr. Manuel fez-lhe sinal que entrasse. O carteiro então aproximou-se da casa, tendo o Sr. Manuel aberto a porta, para aquele entrar.
Então contou tudo o que se tinha passado ao carteiro, tendo este se disponibilizado de imediato para o ajudar, começando por chamar a ambulância, tal era o estado do Sr. Manuel.
Depois de receber o tratamento devido, o carteiro levou o Sr. Manuel à P. S. P. de Angra do Heroísmo, pois este pretendia apresentar queixa.
Este é um caso fictício. Mas nos dias de hoje, existem casos semelhantes e ainda mais graves, de violência sobre os idosos e de total abandono e desinteresse por parte dos filhos em relação aos pais. Estas situações devem ser combatidas e estes comportamentos denunciados e severamente punidos.
 
                       Xénia Leonardo Jurista da UMAR Açores
 
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 5 de Fevereiro de 2014.
 
 


Mensagem para as/os preocupadas/os

 
“Thich Nhat Hanh, o monge e filósofo budista de origem vietnamita, utiliza, como metáfora para ilustrar o conceito da consciencialização, o acto de beber uma boa chávena de chá. É preciso estar cem por cento desperto no presente para apreciar o chá, pois só com a consciência do presente é que as mãos podem sentir o calor agradável da chávena; só no presente se pode apreciar o aroma, saborear a doçura e sentir a delicadeza do chá. Se você estiver a pensar no passado ou preocupado com o futuro, não será capaz de viver a experiência de apreciar essa chávena de chá. Quando baixar os olhos para a chávena, já o chá terá desaparecido.
A vida segue este mesmo princípio: se você não estiver cem por cento desperto no presente, quando olhar em volta já a vida terá passado. E você terá perdido a sensação, o aroma, a delicadeza e a beleza da vida. Ficará com a sensação de que a vida passou por si a voar.
O passado terminou, está acabado. Tire as lições que tiver de tirar e liberte-se do que já lá vai. Quanto ao futuro, ainda nem sequer chegou – é claro que deve fazer planos, mas não perca o seu tempo a preocupar-se com o que está para vir. Preocupar-se é um desperdício de tempo e energia. Quando parar de se concentrar naquilo que já passou e naquilo que poderá nunca acontecer, então você estará no momento presente. E então é que você começará a sentir a alegria de viver.”
 
(Brian Weiss, Meditação)
 
* Carpe Diem – Aproveita o momento!
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 5 de Fevereiro de 2014.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

“És mesmo deficiente!”

 
 
És, acredita. Ora vê, já todos ouvimos falar dos conceitos oficiais da deficiência, que é preciso melhorar as acessibilidades, mas poucos se preocupam em saber como nós, deficientes, nos vemos. Muitos até acreditam que não temos noção do mundo. Hoje viemos apresentar o nosso próprio conceito, a nossa auto-imagem. Então foram questionadas umas quantas pessoas na ACM, tanto utentes como colaboradores, e colocamos a questão: O que é para ti ser deficiente? Um dos que respondeu foi o Duarte. Quem passou pela ACM já o deve conhecer. Ele disse: “Deficientes são pessoas como eu”, e “Como tu és?”, perguntamos. “Eu sou normal. Eu como, eu vou à casa de banho, faço a minha vida, faço tudo.” Insistimos: “Então por que achas que és deficiente?”, “Porque eles disseram”. Eles, no caso, outros deficientes, claro. Nenhum de nós quer estar sozinho. Chamamos mais um utente, o Valentim, e repetimos a pergunta. “Ser deficiente é ser igual a mim”.

E questionamos novamente: “Como tu és?”, “Não sou direito das pernas”. Para o Valentim e para o Telmo, outro dos nossos, não importa se a pessoa tem trissomia 21, autismo ou se lhe falta um braço, para eles, ser deficiente é andar sobre rodas. (E tu? Andas sobre rodas? perguntamos-te). A Lúcia, também utente, ao contrário dos outros, não se considera deficiente por usar rodas. À pergunta: “Ó Lúcia, achas que alguém aqui é deficiente?”, ela respondeu sem delongas: “Sim, és tu!”. E riu, porque sabe que tem razão. O Roberto disse que todos ali, sem exceção, são deficientes.

Entretanto a Carmen respondeu que ninguém ali o era. “Então por que achas que estás aqui e não numa escola?”, perguntamos-lhe. “Por causa do braço e da perna”, querendo dizer que são mais curtos de um lado que do outro. “E se não estivesses aqui, onde gostarias de estar?”, ela disse que na escola, mas que no entanto preferia estar na ACM. Perguntamos-lhe por quê. “Porque na escola eles chamam-me de deficiente”. Eles, mais uma vez. Ela aprendeu, a duras penas, que o termo ‘deficiente’ é considerado uma palavra feia, usado para ofender. Se nos chamam deficientes é porque querem dizer que somos feios e tortos, que nos babamos, que não servimos. Mas esquecemos o fato de que se sabes ler e não lês eficientemente, és deficiente. Se todos os dias usas rodas para te locomoveres de casa para o trabalho e do trabalho para o supermercado, és deficiente − ou te tornarás muito em breve. E se não sabes ouvir, não compreendes os outros, se não te consegues fazer compreender, diz, em que te diferes dos cegos, dos surdos, dos mudos? Foi-se o tempo em que os deficientes ficavam trancados em casa, quase escondidos, devido à ignorância, vergonha ou medo. Atualmente, nós vamos à escola, vamos ao trabalho, amamos, chateamo-nos, gargalhamos, dizemos mal uns dos outros − nenhum de nós é santo, convenhamos. Portanto, nada de olharmos para outro deficiente e dizer ‘Coitadinho!’. Não somos coitadinhos. Nada de dizer que um deficiente não serve para nada. Nós podemos fazer muitas coisas. Na ACM, por exemplo, andamos a cavalo, fazemos yoga, jogamos boccia, praticamos vela, vamos à piscina, pintamos quadros, ajudamos na cozinha, na lavandaria, praticamos jardinagem, cuidamos da horta, tomamos conta do bar, usamos o computador. Vá lá, tu és deficiente, mas consegues perceber que, como disse o Duarte, somos pessoas normais, não somos?

 
Bianca Mendes / Vanessa Dias
Técnicas Superiores da ACM – Associação Cristã da Mocidade
 
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 21 de Dezembro de 2013.
 

 

Programa de sensibilização da UMAR Açores Volta à Ilha pela Igualdade


Volta à Ilha pela Igualdade

 Imagem de Sara Ataíde

Está a chegar ao fim o programa de sensibilização da UMAR Açores entidade gestora do CIPA – Centro de Informação, Promoção e Acompanhamento de Políticas de Igualdade para a ilha Terceira, intitulado Volta à Ilha pela Igualdade. Ao longo do ano de 2013 a equipa técnica, estagiárias e voluntárias da delegação da associação percorreram as trinta freguesias dos concelhos de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória.

Através do contacto directo com a população e de uma forma informal, pretendeu-se sensibilizar e informar para a realidade actual da violência de género / violência doméstica.

No âmbito desta actividade foram distribuídos cerca de 8500 panfletos e afixados 50 cartazes com informações úteis no que aos serviços de apoio à vítima de violência doméstica diz respeito.


Publicado na Página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 21 de Dezembro de 2013.