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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Que o meu desabafo sirva de alerta à violência doméstica…

Testemunho
 
 
Quando já convencida que tinha um casamento de mentira e que nesse casamento de 42 anos me sentia mais só do que se tivesse muita gente à volta, entre muita humilhação e dor, num momento de tanta dor e revolta, sem pensar resolvi-me e decidi: “Não quero mais esta vida, porque não estou só sofrendo, eu estou ficando com medo de estar aqui”.
 
Não sei onde encontrei coragem, mas a verdade é que levantei a cabeça e disse: “vou embora”… Entre lágrimas e soluços lancei um olhar de adeus a 42 anos da minha vida, ao sítio onde criei as minhas filhas… e fechei o portão da minha casa, deixando atrás todo o meu vazio.
 
Entre muito apoio da UMAR e Serviços Sociais cá estou eu… abro a porta sem medo de ser humilhada, durmo sem o pesadelo de estar sendo agredida e até consigo sorrir na companhia das minhas duas filhas que puseram de parte a sua privacidade me abrindo as suas portas e dizendo: “Mãe, não estás só!”
 
Resumindo: nunca é tarde para dizer “Não! À violência doméstica”.
 
Utente da UMAR Açores
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 19 de Dezembro de 2018
 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

VIDA DE SOFRIMENTO



O que nós mais desejamos na vida é sermos felizes e vivermos em paz, e isso foi coisa que até aos meus 16 anos de idade raramente senti. Outra coisa que me faltou foi o amor e o carinho que os meus pais me deviam ter dado mais na minha infância.
Eu vivi esses 16 anos com medo, sufoco, sem saber o que esperar quando chegasse a casa vinda da escola, mas quando o meu pai saia de casa eu já sabia que quando voltasse ia haver outra vez brigas e que voltaria a bater na minha mãe, a destruir coisas. Magoava-me tanto ver a minha mãe a sofrer e a ser agredida e eu sem poder fazer nada.
Eu sei que não era eu que levava tareia, mas eu sofri muito e todos os filhos também sofrem com esta situação.
Mas o problema era que a minha mãe tinha medo de sair de casa, de como é que iríamos sobreviver e onde, se o meu pai viria atrás de nós, etc.… Mas eu não queria saber disso, eu só queria era acabar com aquela vida, pois na altura o meu maior sonho era fazer 18 anos e sair daquela casa para fora.
Até ao dia em que a minha mãe teve muita coragem e força para fazer o que há muito tempo já devia ter feito: sair de casa.
Claro que foi muito difícil e triste, mas foi a melhor coisa que ela fez na sua vida. Apesar do medo das dificuldades conseguimos arrendar uma casa e refazer a nossa vida.
O meu pai já está um novo homem e nós umas novas pessoas.
Por mais difícil que aparente ser olhar para o futuro e pensar que será difícil conseguir atingir a sua felicidade e paz, nunca desista, pois há muitas pessoas que a ajudam a si e aos seus filhos a alcançar a VITÓRIA!
Não sofra e não deixe os seus filhos sofrer! Lute! Pois quem não arrisca, não triunfa!
 
Filha de utente da UMAR Açores
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 9 de Outubro de 2014
 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Os meus pais estão separados!

 
O que se há-de pensar quando se vê que tudo o que sempre vivemos se está a desmoronar?
Chorar, desesperar, gritar ou sorrir e seguir em frente?
Primeiro pensamos no porquê de tudo isto nos acontecer, será que a culpa é nossa?
Mas então, porquê tantas perguntas?
A separação das pessoas que mais amamos dói muito, não há nada neste mundo que doa mais e o pior é que nada poder reparar o nosso coração despedaçado.
Falo por experiência própria, a separação dos meus pais foi a coisa mais horrível porque já passei.
Ninguém merece esse sofrimento, nem sequer o meu maior inimigo.
O desespero é o pior nesta situação, ficamos perdidos sem saber o que fazer e como ajudar.
E digo já que um sorriso e uma palavra de apoio é a coisa mais simples e bonita que se pode oferecer a alguém nesta situação.
Na minha opinião, que é irrelevante para a sociedade de hoje em dia, os filhos de quem se separa são os mais prejudicados.
Tudo o que acontece fica gravado nas suas mentes e de lá não sai.
Tudo é difícil de esquecer e ainda mais difícil de suportar.
Resumindo e concluindo, o que eu quero expressar é que os filhos de quem se separa sofrem e muitas das vezes não voltam a ser as mesmas pessoas que eram.
Algo que gostava que se recordassem é que antigamente as pessoas eram ensinadas a reparar o que se partia, hoje em dia, simplesmente atiram-no para o caixote do lixo.
O amor é precioso e não merece ser desperdiçado à mínima dificuldade.
A separação dos nossos pais é algo difícil, sem dúvida, mas com ajuda e muito amor, toda essa desilusão poder ser superada, basta acreditarmos em nós e termos força de vontade!
E apesar do que sofremos tanto eu, como a minha mãe, como o meu irmão estamos muito melhor e muito mais felizes.
Como se costuma dizer “há males que vêm por bem”.
E no meu caso, os meus pais separaram-se porque a minha mãe era vítima de violência doméstica, portanto, esta foi a única solução.
 
Filha de Utente da UMAR Açores – 13 anos
 
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 4 de Junho de 2014


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Nunca é tarde para ser feliz! - Testemunho

 
“UMAR, muito obrigado. Agradeço do fundo do meu coração não há palavras para descrever como me ajudaram a mim e ao meu filho menor. Namorei o meu ex-marido tinha 14 anos, casei aos 20, vivemos juntos até aos 50 anos. Temos três filhos lindos, maravilhosos, foi só o que ficou nesses 40 anos de recordações, nada mais… Pensava eu que era feliz, que tinha o amor da minha vida, só a morte nos separava. Fiz tudo, disse sempre “sim, sim”, assinei papeis com confiança nele, fazia tudo o que ele queria…
Mães do mundo, não digam sempre “sim” aos maridos, eu fui um exemplo negativo, aguentar um casamento não resulta nem pelos filhos, nem por nada, quanto mais anos pior… é preciso cortar o mal pela raiz cedo, mas eu não tinha forças, chorei muito, pensava que tinha a minha vida terminada.
Queridas mães, conheci pessoas maravilhosas na UMAR quando necessitava apoio. Fiquei doente da minha cabeça, chorava muito, não queria aceitar a separação. A minha assistente social foi a minha segunda mãe, obrigado a ela, obrigado a estas pessoas, que estão sempre dispostas a ajudar-nos e dão-nos força para continuar em frente. Hoje sinto-me feliz, preciso muito deles mas estou melhor… sem essas pessoas da UMAR eu não chegava onde estou. Obrigada! Beijos para todas as mães, força, procurem ajuda!”
Utente da UMAR Açores

Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 21 de Maio de 2014