quinta-feira, 31 de julho de 2014

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Destaque do mês de Julho de 2014


Sónia Bettencourt, entre a poesia e o jornalismo
 
Fotografia de António Araújo

Sónia Marisa Bettencourt Vieira tem 36 anos, é licenciada em Filosofia pela Universidade dos Açores e desempenha actualmente a actividade de jornalista. No entanto a poesia ocupa uma parte significativa da sua vida. Estreou-se com o lançamento do livro “Pena e Pluma”, em 2003, edição de autor, reeditado em 2007, no Brasil, em versão bilingue português/castelhano, pela chancela Demónio Negro. No mesmo ano publicou “As Três Faces de Eva”, pela Corpos Editora. Com o conto "Mar Vazio", venceu o Prémio Conto, categoria sénior, do Certame da Macaronésia de Jovens Artistas, Canárias, em 2005. Publicou ainda outros contos em revistas do Brasil e de Espanha, a par de revistas locais, mas sempre com as atenções viradas para a América do Sul, por gostar de castelhano e acreditar que é um idioma bastante significativo no contexto mundial. 
 
Como começou a escrever poesia?
O gosto pela poesia, e pelos livros em geral, surgiu durante a adolescência, fase propícia aos primeiros rabiscos alusivos aos desgostos de amor e às rebeldias sociais próprias da idade. Entretanto, a maioria dos meus professores, dos diferentes anos de ensino, incentivou-me a trabalhar as palavras em profundidade e a (re)ler bastante. A par disso sugeriram-me autores e críticos literários, como Aquilino Ribeiro, Eduardo Lourenço e Umberto Eco, e, até hoje, essas “coisas” da escrita têm sido uma descoberta contínua. Os gostos pelos autores e pelos registos literários vão variando conforme os meus estudos, as minhas vivências e a exigência pessoal aumentando a cada frase que escrevo ou a cada poema. É caso para dizer que o perfecionismo é tramado! Posso passar semanas à volta de uma vírgula. Trata-se apenas de uma vírgula, podem dizer-me, mas a “minha” vírgula não pode ficar num sítio que não lhe pertence. Uma vírgula mal colocada ou uma gralha num texto podem estragar-me um dia.
Presentemente, a maioria dos livros de “poesia” lançados nos últimos tempos deixam muito a desejar. Há uma confusão tremenda entre poesia e “palavras bonitas”. A primeira dá muito trabalho, e, como diz o outro “os dias não estão para isso”, a segunda só permite dar luz a flores de plástico.
 
E para si o que é a poesia?
Ainda não sei. Talvez amanhã saberei.
 
O que a motivou a ser jornalista?
O jornalismo surgiu na minha vida, em primeiro lugar, pelo gosto da escrita. Era a única maneira de escrever e ser paga por isso. Mas claro que é muito mais do que isso. É informação, intervenção social, esclarecimento, divulgação mesclada de chatices, pressões, ordenados precários e feira de vaidades. Acrescente-se, obviamente, muito amor à camisola. Caso contrário seria como ter uma profissão onde se perde mais do que se ganha. Hoje em dia o jornalismo está bastante desvalorizado face à concorrência desleal, isto é, o acesso fácil a microfones, máquinas fotográficas, câmaras de filmar, blogs e outras plataformas fomentam a criação de pseudo-repórteres. É a chamada “sociedade do espetáculo” em que todos querem ver e ser vistos. Depois fui desbravando terreno, à medida de cada uma das suas vertentes – imprensa escrita, rádio, televisão -, e trabalhando mais afincadamente conforme os pedidos e as oportunidades de emprego. Posso dizer que já vi muitos projetos nascer e outros tantos morrer. O último a encerrar foi o jornal “A União”. Estamos sempre sujeitos.
 
E o jornalismo no feminino?
O mundo do jornalismo está cada vez mais povoado pelas mulheres. Nos últimos anos tive oportunidade de acompanhar o trabalho de alguns estagiários, sobretudo jovens do sexo feminino. Hoje em dia a maior parte está no ativo, apesar da conjuntura desfavorável para os jornalistas, mostrando-se muito competentes. Mas recordo-me de nos inícios dos anos 90, a redação do Diário Insular, por exemplo, só ter uma mulher entre tantos colegas masculinos. Havia, e estou certa que ainda há, muita estima.
 
Alguma vez sentiu que não lhe era dada a devida credibilidade por ser mulher?
Não tenho razões de queixa. As coisas fluíram naturalmente, ou seja, com base no diálogo e nos compromissos. Acredito no trabalho. Mas é claro que todos temos de zelar pelo objetivo principal do projeto em causa, sob pena de instalar-se o caos. O que sempre senti foi um “choque de gerações”. Não propriamente por ser mulher, visto que costumava ouvir várias vezes: “antes de tu nasceres já cá estávamos neste mundo”. Cheguei a cobrir desporto automóvel, à partida uma área confinada aos homens, assumindo que não dominava a matéria. Mas as missões eram cumpridas. Se um colega, masculino, faria melhor do que eu? Com certeza. Mas outra colega, feminina, também poderia fazê-lo.   
 
Já se sentiu discriminada?
Se algum dia isso aconteceu, provavelmente tratou-se de uma referência à minha fraca capacidade física. Estaremos a falar daquele conceito muito em voga “discriminação positiva”? Prefiro ver isto como um momento de atenção que tem a ver com a diferença entre as capacidades físicas de um homem e uma mulher. Não quero com isto dizer que uma mulher não é capaz de carregar uma garrafa de gás, por exemplo, mas se ela tem alternativa ou se um homem pode prestar-lhe ajuda, a minha pergunta é: qual o problema de aceitar isso? Temos de ter cuidado para não sermos a nossa própria discriminação. Se essa discriminação surge por parte do sexo oposto, é ridícula; mas se surge auto infligida pelas próprias mulheres, é repugnante. Vejamos bem as coisas: os homens são gerados por mulheres.
 
Sobre a violência doméstica
As mulheres e os homens vítimas de violência doméstica não o são por escolha, por opção. Ninguém o será aliás. Parece-me que são vistas com piedade e surge a pergunta inevitável do mero espetador quando toma conhecimento do seu drama: porque consente? E, depois, surgem outras perguntas a propósito desses casos, independentemente de tratarem-se de episódios pontuais ou duradouros: falaremos com essas pessoas acerca do amor, perdão, castigo ou ignorância? São vidas ainda mais complexas do que as comuns, pois trazem nos olhos diferentes perspetivas, quer estejamos a falar da vítima quer do agressor. E, no fundo, creio que a questão deve centrar-se enquanto problema social e cultural e não tanto de género. A dignidade humana é inalienável.
 
As associações de apoio à vítima.
O papel dessas associações são determinantes na nossa sociedade atual no que diz respeito ao apoio e à prevenção de casos de violência de género. Mas não deixemos o trabalho todo nas suas mãos. Essa missão é cultural e começa à mesa de cada família e nos “bancos” da escola.
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 19 de Julho de 2014
 

 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Campanha “Antes de me discriminares, conhece-me!” na ilha Terceira de 9 a 12 de Julho


Campanha "Antes de me discriminares, conhece-me!"
Ilha Terceira
 PROGRAMA
A edição de 2014 do projecto “Antes de me discriminares, conhece-me!” propõe-se articular a luta contra as discriminações e a violência doméstica, com a intervenção social através da arte, através de vários eventos e actividades, que permitirão também aprofundar o conhecimento dos/as jovens e dos/as que ocupam um papel fundamental na sua formação e integração social, sobre o princípio da igualdade.

Esta campanha pretende, por isso, desenvolver acções de sensibilização, divulgação e intervenção de jovens no combate às multidiscriminações e à violência doméstica, na Região Autónoma dos Açores.

Além de informar, consideramos relevante estimular os/as jovens à participação livre e ao exercício de uma cidadania activa, promovendo o combate à violência doméstica, e, desmistificando preconceitos, estereótipos e representações sobre o género, a idade, a orientação sexual, a etnia e a deficiência, tendo como base o Princípio da Igualdade previsto no Artigo 13 da Constituição da República Portuguesa.
A campanha está activa desde o passado mês de Março.
 
Para mais informações contactar:
N'Zinga Oliveira - CIPA / Novo Dia
Telefone: 296 209 600

 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Ser feliz no singular

Workshop Ser Feliz no Singular - 9 de Maio de 2014 na UMAR Açores
 
Workshop Ser Feliz no Singular - 9 de Maio de 2014 na UMAR Açores
 
As relações, sejam elas de que tipo for, são por si complexas. Não fossem elas compostas por mais do que uma pessoa, isto é, por mais do que uma personalidade, mais do que um sentimento ou pensamento. Mas as relações amorosas são especiais. São elas que nos dão “borboletas no estômago”, um sentimento de pertença ao mundo dos enamorados, experienciar emoções de amar e ser amados e de ter os contributos sociais e psicológicos (filhos, ser desejado, enaltecimentos das qualidades) de estar numa relação. Contudo, bonitos contos de fadas podem não acabar felizes para sempre.
Experienciar o fim de uma relação é passar por um processo de luto doloroso e invisível. Invisível porque sente-se um turbilhão de sentimentos e emoções muito semelhantes a uma perda real. Numa relação perdemos a expetativa de viver felizes para sempre; a cumplicidade, a confiança, o afeto daquela pessoa e uma rotina diária sempre pensada a dois e nunca a um. Estas foram algumas das razões que Renascer – Grupo de Apoio ao Luto foi fundado. Como o nome indica é um grupo que pretende apoiar a comunidade em luto e que é constituído por psicólogas. Quando ouvimos falar em luto, automaticamente pensamos em morte, mas o luto vai para além disso. O luto é a reação a uma perda que pode ser real ou simbólica. Ao longo da vida vamos sofrendo perdas inevitáveis, quer seja a morte de um ente querido, uma separação ou até mesmo uma perda de expectativas. Há pessoas que conseguem fazer o luto sozinhas mas há outras que necessitam de algum apoio e é nessas alturas em que o Renascer pode intervir. Dado o interesse comum na temática, realizou-se um workshop no dia 9 de Maio intitulado “Ser feliz no singular”, decorrente da parceria do Renascer com a Umar – Delegação Açores, onde foi abordado o luto nas relações e de que forma isso pode afetar a autoestima das mulheres.
Quando estamos numa relação que não é suficientemente boa ou até mesmo quando temos um companheiro abusivo, a nossa autoestima e autoconceito ficam debilitados. Embora a autoestima seja a forma como nós nos vemos e a opinião que temos sobre nós mesmos e sobre as nossas ideias, atribuindo-lhes assim sentimentos negativos ou positivos, também há uma influência dos outros, pois para construirmos essa ideia de nós mesmos temos de o fazer através das experiências que vamos tendo ao longo da vida e no meio em que estamos inseridos, que é formado pelas pessoas que nos rodeiam.
Estar numa relação abusiva faz com que o processo de luto se inicie ainda mais cedo. Desde a primeira agressão que iniciamos o luto das expetativas entre o que esperávamos da relação e o que realmente recebemos dela. É o lutar contra sentimentos de frustração, tristeza e revolta e pensamentos incansáveis para perceber de quem é a culpa e porque aquilo aconteceu. São esses, e muitos mais, pensamentos e sentimentos característicos das fases do luto numa relação. Inevitavelmente, a primeira fase é a negação em que o sentimento de incredulidade acerca do que está acontecer é predominante. Os sentimentos de confusão e revolta denominam a segunda fase do luto numa relação. É a falta de controlo perante o desmembramento da sua relação que causa esses sentimentos, principalmente quando a pessoa nada fez para causar o fim da relação ou para o seu detrimento. De seguida é esperança de conseguir reconstruir ou dar mais uma nova oportunidade à relação. Racionalização é a terceira fase pela qual as pessoas passam. Contudo quando isto não tem efeito chega à fase da depressão e percebe que tudo o que tentou trabalhar não resultou e o desfecho será mesmo a separação. Sintomas de depressão podem, então, surgir. Não é fácil sair desta etapa e chegar à tão esperada aceitação. Aqui não pedimos que a pessoa esqueça o seu parceiro (a), muito menos os tempos de convivência e cumplicidade, mas há que aprender a viver e conviver com a perda da relação.
 
Renascer – Grupo de Apoio ao Luto
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 4 de Junho de 2014
 
 
 

Os meus pais estão separados!

 
O que se há-de pensar quando se vê que tudo o que sempre vivemos se está a desmoronar?
Chorar, desesperar, gritar ou sorrir e seguir em frente?
Primeiro pensamos no porquê de tudo isto nos acontecer, será que a culpa é nossa?
Mas então, porquê tantas perguntas?
A separação das pessoas que mais amamos dói muito, não há nada neste mundo que doa mais e o pior é que nada poder reparar o nosso coração despedaçado.
Falo por experiência própria, a separação dos meus pais foi a coisa mais horrível porque já passei.
Ninguém merece esse sofrimento, nem sequer o meu maior inimigo.
O desespero é o pior nesta situação, ficamos perdidos sem saber o que fazer e como ajudar.
E digo já que um sorriso e uma palavra de apoio é a coisa mais simples e bonita que se pode oferecer a alguém nesta situação.
Na minha opinião, que é irrelevante para a sociedade de hoje em dia, os filhos de quem se separa são os mais prejudicados.
Tudo o que acontece fica gravado nas suas mentes e de lá não sai.
Tudo é difícil de esquecer e ainda mais difícil de suportar.
Resumindo e concluindo, o que eu quero expressar é que os filhos de quem se separa sofrem e muitas das vezes não voltam a ser as mesmas pessoas que eram.
Algo que gostava que se recordassem é que antigamente as pessoas eram ensinadas a reparar o que se partia, hoje em dia, simplesmente atiram-no para o caixote do lixo.
O amor é precioso e não merece ser desperdiçado à mínima dificuldade.
A separação dos nossos pais é algo difícil, sem dúvida, mas com ajuda e muito amor, toda essa desilusão poder ser superada, basta acreditarmos em nós e termos força de vontade!
E apesar do que sofremos tanto eu, como a minha mãe, como o meu irmão estamos muito melhor e muito mais felizes.
Como se costuma dizer “há males que vêm por bem”.
E no meu caso, os meus pais separaram-se porque a minha mãe era vítima de violência doméstica, portanto, esta foi a única solução.
 
Filha de Utente da UMAR Açores – 13 anos
 
 
Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 4 de Junho de 2014


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Palavras que o vento não leva

17 de Maio - Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia - Praça Velha, Angra do Heroísmo

Iniciativa promovida pela Associação LGBT Pride Azores com a participação da UMAR Açores na Câmara Municipal de Angra do Heroísmo a 17 de Maio de 2014
Respeito, Tolerância, Igualdade, Inclusão, são palavras que ouvimos constantemente, quer pela comunicação social, quer no nosso dia a dia, nos mais diversos contextos. Assistimos à adoção em massa de um discurso que hoje é tido como socialmente correto no que diz respeito a questões como a orientação sexual. No entanto, é necessário analisar e desconstruir esse discurso de forma a tentar compreender se o mesmo corresponde à apropriação do conceito que ele próprio encerra, isto é, a consciência para práticas que têm em conta a diversidade.
De acordo com os resultados da investigação de carater qualitativo que pretendeu aceder à compreensão dos discursos e da ação de professores, a lecionar na ilha de São Miguel, em relação à homossexualidade, e que deu origem à dissertação de Mestrado Discursos sobre homossexualidade numa comunidade educativa: perspetivas de professores (Rodrigues, 2012), apresentada na Universidade dos Açores, ainda existem muitos constrangimentos em relação à homossexualidade, embora muitas vezes camuflados por um discurso socialmente polido. De um modo geral, encontraram-se professores que conseguem identificar preconceitos, estereótipos e situações de discriminação devido à orientação sexual, tanto na sociedade como na escola. No entanto, eles próprios têm enraizado o modelo heterossexual da sexualidade, de que fazem uso, tanto na vida pessoal como na prática profissional.
Na escola, é a partir da ideia de heterossexualidade que os conteúdos são elaborados e que os discursos são produzidos. Perguntar a um rapaz "Já tens namorada?" e a uma rapariga "Já tens namorado?", ignorando outras possibilidades de relação afetiva, é algo que está tão interiorizado e mecanizado como "a ordem natural das coisas", que parece não admitir outras formas de sexualidade. No referido estudo, apenas uma professora evidenciou a utilização de um discurso abrangente, justificando para tal as diversas formações que teve sobre sexualidade e afetos, as quais lhe despertaram para a importância da utilização de um discurso respeitador da diferença.
Ainda de acordo com os resultados desta investigação, a referência à homossexualidade como forma de insulto entre alunos parece ser uma prática tão comum que, na generalidade, não é considerada uma forma de agressão. Comentários como "maricas", "zabela" ou "paneleiro" fazem parte do dia a dia escolar e são muitas vezes ignorados pela comunidade educativa. De facto, parece existir uma grande lacuna na formação dos professores no que se refere à sexualidade e, especificamente, à homossexualidade. Estes profissionais, que deveriam ser os principais agentes de mediação e combate de práticas discriminatórias dentro da escola, pela afirmação ou pelo silenciamento vão legitimando determinadas práticas sexuais e reprimindo outras, e assim exercendo uma pedagogia da sexualidade, muitas vezes sem terem disso consciência.
Toda esta problemática ganha particular relevância quando falamos de adolescentes, pois para além das profundas alterações que vivenciam a nível físico e nos domínios cognitivo, psicológico, afetivo e relacional, têm a complexa tarefa de conciliar todas essas transformações com a exigências sociais e esperanças pessoais de formar um autoconceito coerente, isto é, uma identidade. E se a escola nega ou ignora outras formas de sexualidade que não a heterossexualidade, está a oferecer poucas oportunidades para que os adolescentes e jovens assumam, sem culpa ou vergonha, a sua orientação sexual.
Então, se queremos realmente uma sociedade mais justa, podemos começar por alterar os discursos. A discriminação não se manifesta apenas pelas atitudes violentas e homofóbicas, vindo, muitas vezes, dissimulada em discursos que se dizem "tolerantes".
Citando o escritor Vergílio Ferreira, "Há no homem o dom perverso da banalização. Estamos condenados a pensar com palavras, a sentir com palavras, se queremos pelo menos que os outros sintam connosco. Mas as palavras são pedras". E, infelizmente, não são levadas pelo vento. Pelo contrário, vão deixando marcas nas histórias pessoais e moldando quem as ouve.
A escola, como espaço que propõe educar e propiciar recursos para a evolução intelectual, social e cultural do homem, tem o dever de formar gerações mais informadas e sem preconceitos. Mas todos nós, enquanto sociedade, também temos um papel. Não somos só o produto, também somos produtores da sociedade em que vivemos.
Na equação do respeito pela diversidade, as únicas variáveis somos nós. Não deixemos que esta seja uma tarefa para "os outros", pois "os outros" dos outros, somos nós.
Catarina Rodrigues

Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 21 de Maio de 2014

Nunca é tarde para ser feliz! - Testemunho

 
“UMAR, muito obrigado. Agradeço do fundo do meu coração não há palavras para descrever como me ajudaram a mim e ao meu filho menor. Namorei o meu ex-marido tinha 14 anos, casei aos 20, vivemos juntos até aos 50 anos. Temos três filhos lindos, maravilhosos, foi só o que ficou nesses 40 anos de recordações, nada mais… Pensava eu que era feliz, que tinha o amor da minha vida, só a morte nos separava. Fiz tudo, disse sempre “sim, sim”, assinei papeis com confiança nele, fazia tudo o que ele queria…
Mães do mundo, não digam sempre “sim” aos maridos, eu fui um exemplo negativo, aguentar um casamento não resulta nem pelos filhos, nem por nada, quanto mais anos pior… é preciso cortar o mal pela raiz cedo, mas eu não tinha forças, chorei muito, pensava que tinha a minha vida terminada.
Queridas mães, conheci pessoas maravilhosas na UMAR quando necessitava apoio. Fiquei doente da minha cabeça, chorava muito, não queria aceitar a separação. A minha assistente social foi a minha segunda mãe, obrigado a ela, obrigado a estas pessoas, que estão sempre dispostas a ajudar-nos e dão-nos força para continuar em frente. Hoje sinto-me feliz, preciso muito deles mas estou melhor… sem essas pessoas da UMAR eu não chegava onde estou. Obrigada! Beijos para todas as mães, força, procurem ajuda!”
Utente da UMAR Açores

Publicado na página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 21 de Maio de 2014