terça-feira, 7 de agosto de 2018

Igualdade de Género e Não-violência


Ao longo do mês de julho e no âmbito do plano de atividades da delegação da ilha Terceira da UMAR Açores / CIPA, realizaram-se três iniciativas orientadas para crianças e idosos. As referidas atividades abrangeram os temas da Desigualdade de Género e da Não-violência e procuraram transmitir ao público-alvo a necessidade de evoluir as “mentalidades” para estes temas que ainda são muito alvo de estereótipos na sociedade atual.

Estas atividades realizaram-se em parceria com a valência da Confederação Operária Terceirense (COT), Centro de Atividades e Tempos Livres (CATL) “O Golfinho” e com o Centro de Dia da Santa Casa da Misericórdia da Vila de São Sebastião. As sessões com as crianças realizaram-se nos dias 5 e 11 de julho, no espaço da delegação da ilha Terceira da UMAR Açores e a atividade com os idosos decorreu no Centro de Dia em São Sebastião no dia 10 de julho.

Na prática, com as crianças do CATL foi abordado o trabalho que a UMAR Açores desenvolve e posteriormente promoveu-se a igualdade de género através de jogos, pequenos filmes e histórias infantis. No final, foram entregues às crianças panfletos informativos sobre igualdade de género e, para entregarem ao pais e mães, panfletos com informações sobre as consequências da violência de género e recursos de apoio disponíveis na delegação da Associação na ilha Terceira.

Com os idosos do Centro de Dia, foram entregues panfletos onde consta uma linha telefónica de apoio ao idoso em caso de violência doméstica e realizados alguns jogos lúdico-pedagógicos.

Ambas as atividades permitiram mostrar, de forma sucinta, o trabalho que se desenvolve na UMAR Açores e o seu papel na sociedade, tendo a atividade como principal objetivo munir o público-alvo de informação para mostrar as consequências da discriminação.

Alexandre Silva
Formando na UMAR Açores do curso de Técnico de Apoio Psicossocial da Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo
 
 
Centro de Dia da Santa Casa da Misericórdia de São Sebastião - 10 de Julho
 
Atividade com as crianças do CATL - 5 de julho
 
Atividade com as crianças do CATL - 11 de julho
 
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 1 de Agosto de 2018

 

 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

A sociedade do século XXI


Culturalmente, a mulher foi associada ao serviço doméstico, sendo a única responsável pela lida da casa, pelos filhos e muitas vezes, pelos familiares com mobilidade reduzida. Posteriormente, começaram a surgir postos de trabalho nestas áreas, como a área social, a área da saúde e a área educativa, onde a mulher passou a ter um trabalho remunerado. O que fazia em casa, não sendo pago, passou a fazer diariamente com a criação de empregos nas referidas áreas, em que descontava e recebia mensalmente um salário. Trabalho idêntico ao que fazia anteriormente como cuidadora do lar, mas sem qualquer compensação financeira.

O trabalho social, nomeadamente, assistentes sociais, psicólogos, sociólogos, como também o trabalho educativo, como os professores e/ou educadores de infância, ou o trabalho de prestação de cuidados, como os enfermeiros, técnicos de lares, entre outros, são associados ao feminino. A mulher é quem toma conta dos filhos, dos idosos, quem cuida de algo/alguém. Este é um padrão assumido pela sociedade de muitos países ainda subdesenvolvidos. Assim, a mulher segundo a sociedade, assume o papel de sensível, frágil, cuidadora, sentimental, irracional, submissa, etc.

Já o homem, está culturalmente associado ao papel de chefe de família, sustento familiar e tradicionalmente mais insensível, dominante, forte, racional, etc. do que a mulher.

Atualmente, no século XXI, em alguns países e sociedades, são atribuídas funções familiares a cada membro do casal heterossexual, sendo que as sociedades estão a progredir relativamente a esta mudança, mas ainda há muita desigualdade de género e discriminação. Tanto o homem como a mulher tem direitos, como por exemplo, o direito a escolherem um emprego e não serem discriminados por isso, como por exemplo, a mulher pode escolher ser comandante da Força Aérea e o homem pode escolher a área social como profissão e ambos puderem ter a sua profissão de sonho sem serem marginalizados pela sociedade.

Como exemplo do homem na área social, está a decorrer desde 2015 até ao presente ano letivo (2018) o Curso de Técnico de Apoio Psicossocial com saídas profissionais associadas ao sexo feminino, sendo que de 21 alunos existentes no curso, apenas 3 são rapazes, o que pode ser consequência dos estereótipos de género.

Muitos países ainda obrigam os homens a cumprirem o serviço militar e são enviados para a guerra, sem opção de escolha. Esta é uma discriminação por parte da sociedade, pois eventualmente, existem mulheres com o sonho de ingressarem nesta carreira e só o sexo masculino é que é associado a este serviço. Devia ser possível ingressarem tanto homens como mulheres de livre vontade ao invés de homens coagidos.

O feminismo não tem que ser inimigo do homem, como muitas pessoas o idealizam, o feminismo existe para igualar a mulher ao homem e não para discriminar nem desvalorizar o homem.
 
Exemplo de profissão associada à mulher, prestação de cuidados a idosos
Fotografia: www.correiodeuberlandia.com.br

Exemplo de profissão associada ao homem, serviço militar
 
Alexandre Silva
Formando na UMAR Açores do curso de Técnico de Apoio Psicossocial da Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo
 
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 4 de Julho de 2018
 

 

sexta-feira, 15 de junho de 2018

UMAR Açores assinala Datas Comemorativas


A 17 de maio comemora-se o Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia. Neste contexto, a delegação da ilha Terceira da UMAR Açores / CIPA dinamizou uma iniciativa de sensibilização, através da criação do “Menu do Dia” que foi distribuído por alguns snack-bares, restaurantes e cafés, nomeadamente, nas freguesias da Sé, São Bartolomeu de Regatos e Feteira. Com o intuito de promover a não discriminação em função da orientação sexual, os referidos “menus” foram colocados sobre as mesas dos estabelecimentos com o objetivo de transmitir às pessoas que precisamos de uma sociedade sem preconceitos, discriminação e desigualdade.
Assim procurou-se reforçar, através de algumas mensagens, que “aceitar a homossexualidade é uma escolha, mas respeitar é um dever de todo/as”.
Para além desta atividade, foi também comemorado o Dia Mundial da Criança, que se celebra a 1 de junho, para o qual foi idealizado um porta-chaves para oferecer às crianças com uma mensagem relacionada com a igualdade de género. Deste modo, a delegação da UMAR Açores concretizou a sua ideia em parceria com as valências da Confederação Operária Terceirense, Creche e Jardim de infância “O Golfinho” e Centro de Atividades e Tempos Livres (CATL) “O Golfinho”. Na prática, foram transmitidos às crianças os princípios da UMAR Açores e de seguida distribuídos rebuçados e porta-chaves com a mensagem - “No Dia da Criança promovemos a igualdade de oportunidades entre meninos e meninas”.

 
“Menu” do Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia
 
Dia Mundial da Criança - Centro de Atividades e Tempos Livres “O Golfinho”
 
Dia Mundial da Criança - Porta-chaves oferecidos às crianças
 
Alexandre Silva UMAR Açores
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no Jornal Diário Insular de 8 de Junho de 2018
 


quinta-feira, 24 de maio de 2018

Alianças da Diversidade – Uma Escola Segura para Tod@s

 
 
Os dados estatísticos não mentem: 48% de jovens gays e lésbicas, bem como 33% de jovens bissexuais já foram alvo de homofobia e bifobia em contexto escolar (Freitas e Fontaine, 2014). Perante um contexto ainda discriminatório e heteronormativo, 94% de jovens lésbias, gay, bissexuais, trans e intersexo (LGBTI) optam por esconder a sua identidade, enquanto 36% a revelam de forma seletiva. E os números não se ficam por aqui: 60% já ouviu comentários ou testemunhou eventos negativos e 44% diz ser muito comum ouvir piadas sobre a sua identidade no dia-a-dia (Inquérito LGBT da Agência Para os Direitos Fundamentais da União Europeia, 2013). Perante este cenário, como podemos contribuir para que a escola seja um lugar seguro? A lei Lei n.º 60/2009 estabelece a obrigatoriedade de lecionar Educação Sexual nas escolas, nas diferentes disciplinas, implementada, por exemplo, através do PES – Projeto de Educação para a Saúde. Não existem, contudo, evidências que a abordagem destes conteúdos seja inclusiva.
 
 
É neste âmbito que surge a ideia das Alianças Da Diversidade (ADD), um novo projeto da Associação ILGA Portugal. Os dados são claros na necessidade de tomar medidas que visem combater todas as formas de discriminação em função da orientação sexual, identidade ou expressão de género ou características sexuais. O principal objetivo é a integração da população jovem LGBTI. Como? Não existe uma fórmula universal; para criar uma Aliança da Diversidade basta que um grupo de pessoas (independentemente da orientação sexual e identidade e expressão de género!) forme um grupo com o objetivo de dar visibilidade positiva a identidades não normativas, e a partir daí muitas ideias e atividades são válidas e bem-vindas, especialmente se partirem da própria comunidade escolar. Já assistimos a iniciativas como: encenações de situações românticas entre casais do mesmo sexo; o hastear da bandeira arco-íris; uma photo booth de aliad@s; a comemoração de datas simbólicas para a comunidade LGBTI (como por exemplo, o IDAHOT, no dia 17 de Maio - Dia Internacional da Luta Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia), entre muitas outras.
Ideias não faltam, aliados e aliadas também não: porque continuam então a soar tão alto as vozes da discriminação? Acreditamos que as Alianças da Diversidade são um importante contributo para esta necessidade de resposta: todos/as os que se identificam com a causa e acreditem na importância da luta pelos direitos humanos, sejam estudantes, docentes ou qualquer outro membro da comunidade escolar, podem ter a iniciativa de iniciar uma Aliança. Uma comunidade escolar que promove a diferença e trata todos/as como iguais é o ideal de escola segura e inclusiva!
 
 
Para mais informações:
add.ilga-portugal.pt | add@ilga-portugal.pt | +351927567666

 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 24 de Maio de 2018



terça-feira, 8 de maio de 2018

MUTILAÇÃO TAMBÉM É TRADIÇÃO


Segundo dados da Unicef, no ano de 2016 foram contabilizados em Portugal, 80 casos de Mutilação Genital Feminina (MGF).
Na maioria dos casos, a prática de MGF é feita durante a infância e compreende todos os procedimentos, que levam à remoção de parte ou da totalidade dos órgão genitais externos da mulher, levados a cabo por motivos não médicos.
Existem vários tipos, que infra  se indicam:
Tipo I: remoção parcial ou total do clítoris e/ou do prepúcio, designada por clitoridectomia;
Tipo II: remoção parcial ou total do clítoris e dos pequenos lábios, com ou sem excisão dos grandes lábios;
Tipo III: Estreitamento do orifício vaginal através da criação de uma membrana selante, pelo corte e aposição dos pequenos lábios e/ou dos grandes lábios, com ou sem excisão do clítoris, designada por infibulação;
Tipo IV: Todas as outras intervenções nefastas sobre os órgãos genitais femininos por razões não médicas, por exemplo: punção/picar, perfuração, incisão/corte, escarificação e cauteriação.
Todas estas intervenções têm inúmeras complicações decorrentes e os seus efeitos são extremamente prejudiciais à saúde da mulher e mantêm-se ao longo da vida. Os efeitos a curto prazo, são nomeadamente, dor severa, choque, hemorragias, por vezes mortais, infeção por tétano, infeções generalizadas, retenção urinária, aparecimento de úlceras na zona genital, retenção urinária e febre.
Já os efeitos a longo prazo, consistem em anemia, formação de quistos e abcessos, lesões na uretra devida à incontinência urinária, relações sexuais muito dolorosas, hipersensibilidade da zona genital, formação de cicatrizes profundas, distúrbios ao nível do ciclo menstrual, infecões recorrentes no trato urinário, infertilidade, obstrução por vezes completa da vagina, maior risco de hemorragia em caso de parto.
Parece impossível, mas existem vários países e comunidades, que incentivam e justificam esta violação clara dos direitos das mulheres e das crianças, motivados por uma tradição religiosa enraizada.
A MGF é vista como uma iniciação das meninas e raparigas no mundo adulto, levando à sua integração social. As que não passam por este processo, são muitas vezes discriminadas, gozadas e postas de parte. Neste contexto, os órgãos genitais femininos são encarados como sujos e impróprios.
Sexualmente, a MGF é considerada como um garante de fidelidade. É mais uma forma de controlo da virgindade da mulher, sendo a castidade tida como promotora de um bom casamento.
É geralmente iniciada e executada por mulheres, que a vêem como motivo de honra e receiam, que se não realizarem a intervenção, as filhas e netas ficarão expostas à exclusão social. O procedimento é normalmente realizado por uma circuncisadora tradicional, nas casas das meninas, com ou sem anestesia. O cortador é geralmente uma mulher mais velha, mas em comunidades onde o barbeiro assumiu o papel de assistente de saúde, ele também executará a MGF.
Quando actuam os cortadores tradicionais, podem ser usados ​​dispositivos não esterilizados, incluindo facas, navalhas, tesouras, vidro, e pedras afiadas.
A MGF é praticada em cerca de 28 países de África e em muitos outros no Oriente Médio e na Ásia, bem como várias comunidades de imigrantes na Europa, América do Norte e Austrália.
Infelizmente esta prática, como supra se referiu, também se verifica em Portugal a coberto de comunidades de imigrantes, que não denunciam estas situações, não sendo as mesmas criminalmente punidas. No entanto, a nossa legislação é severa na punição da MGF, sendo considerada um crime autónomo desde 2015, de acordo com o artigo 144ºA, do Código Penal, é punida com pena de prisão de dois a dez anos.
O Dia Internacional da Tolerância Zero contra a Mutilação Genital feminina celebra-se a 6 de Fevereiro.
 
Xénia Leonardo - Jurista
UMAR Açores

Publicado na Página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 4 de Maio de 2018
 
 

terça-feira, 3 de abril de 2018

Dia Internacional da Mulher


No passado dia 8 de Março assinalou-se o Dia Internacional da Mulher e a delegação da ilha Terceira da UMAR Açores, dinamizou uma iniciativa no âmbito do projecto e unidade móvel de proximidade “Haja Saúde” em parceria com a Casa do Povo de Santa Bárbara e com o núcleo regional dos Açores da Liga Portuguesa contra o Cancro.
Neste contexto, técnico/as das três instituições estiveram presentes no Alto das Covas em Angra do Heroísmo de manhã e no Largo Conde da Praia da Vitória durante a tarde, de modo a sensibilizar a população em geral para a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres.
Realizaram-se rastreios de saúde gratuitos e foram distribuídos folhetos alusivos ao dia e prestados esclarecimentos vários.
 
Alto das Covas em Angra do Heroísmo
 
Largo Conde da Praia da Vitória
 
Largo Conde da Praia da Vitória
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 3 de Abril de 2018
 

Dia Mundial da Protecção Civil

O Dia Mundial da Proteção Civil foi comemorado a 1 de Março, com a participação de diversas entidades num espaço designado para o efeito no Porto de Pipas.
A UMAR Açores esteve presente enquanto membro da Rede de Apoio Integrado à Mulher da Ilha Terceira (R.A.I.M.I.T.) .
Foram distribuídos panfletos, livros, marcadores de livros e outras formas de publicidade das associações intervenientes, divulgando a referida rede a todos os alunos das inúmeras escolas, que nos visitaram.
Esclareceram-se dúvidas e disponibilizaram-se os serviços inseridos na R.A.I.M.I.T., tanto aos alunos, como a todos os que mostraram interesse no nosso espaço.
Com esta iniciativa,  promoveu-se o convívio entre as associações e o público em geral, de uma forma divertida e animada, como se constata pelas fotos infra.
 
Membros da R.A.I.M.I.T.

Professoras das escolas participantes

Alunos das escolas participantes
 
Publicado na Página IGUALDADE XXI no jornal Diário Insular de 3 de Abril de 2018