sexta-feira, 22 de junho de 2012

SABIA QUE...

Imagem cedida pelo autor
Mariana Ornelas (*)

            Não foi só a padeira de Aljubarrota que mostrou bravura a combater os espanhóis na respectiva batalha. Temos ao longo da História de Portugal, desde das Invasões Espanholas, às Invasões Napoleónicas, às Lutas Liberais, à Primeira Republica, ao Estado Novo e à Revolução de Abril, inúmeros casos de mulheres Portuguesas que perante crises lutaram pelas suas vidas, famílias, pela sua segurança, liberdade e pelos seus direitos.

            O caso mais famoso na nossa ilha Terceira é o caso da Brianda Pereira. Como todos nós sabemos, Brianda Pereira foi uma das responsáveis pela expulsão dos espanhóis, quando da invasão em 1581 na Baía da Salga.  

            Diz a história, que Brianda Pereira pertencia a uma das famílias mais nobres da cidade de Angra. O seu pai foi juiz ordinário da Câmara de Angra em 1553 e descendia de Pero Anes de Alenquer, um dos primeiros colonos da ilha Terceira.

Brianda Pereira mudou-se para a baía da Salga após o seu casamento. Casou-se com Bartolomeu Lourenço, que era dono de muitas terras e tinha uma abastada casa agrícola na zona litoral do Porto Judeu. A casa do casal situava-se na arriba da baía da Salga, onde residiram com os seus filhos até 25 de Julho de 1581.

            A 25 de Julho de 1581, no contexto da luta entre partidários de Filipe II de Espanha e de D. António I de Portugal, ocorreu nesse dia na baía da Salga, a famosa batalha da Salga.  

A batalha iniciou-se pelo desembarque de uma força espanhola que de imediato incendiou as searas e as casas existentes nas imediações, entre as quais muito provavelmente a de Brianda Pereira, aprisionando os homens que encontrou. Entre os prisioneiros figurava Bartolomeu Lourenço, que se encontraria ferido.

Nesse momento, Brianda Pereira fugindo com seus filhos e a ver provavelmente a sua casa e as searas em chamas e o seu marido ferido e prisioneiro dos espanhóis encheu-se de coragem e lançou as seus toiros em tropel sobre os espanhóis tendo estes após o sucedido, iniciado a sua retirada. A partir daqui estava lançado o mito de Brianda Pereira, tornando-se uma heroína.

Muito mais tarde, com a ajuda da muito bem oleada máquina de propaganda do Estado Novo, fizeram de Brianda Pereira uma figura popular, particularmente por apelar à heroicidade dos habitantes da ilha Terceira e assim alimentar o sentimento nacionalista e independentista Português.

No entanto, não desprezando o heroísmo de Brianda Pereira, esta foi mais uma das muitas demonstrações de coragem que uma mulher faz com o objectivo de proteger-se a si e há sua família. No momento da batalha, ao ver o seu marido ferido e prisioneiro dos espanhóis e ao ver-se sozinha a zelar pela segurança dos seus filhos, esta não pensou duas vezes em agir e elaborar tal estratégia. Qual seria a mulher que não faria o mesmo?


(*) Mariana Ornelas
Psicóloga da UMAR Açores / CIPA
Delegação da ilha Terceira


Publicado na Página Igualdade XXI no Jornal Diário Insular de 22 de Junho de 2012

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Como terceirense que sou, tenho muito orgulho da história dessa "nossa" mulher, um espelho da mulher terceirense que não mede riscos a correr em luta pela sua familia.
    Henrique Alberto Silveira Luiz - 06-02-1947, freguesia de S. Mateus da Calheta. Ultima moradia em Angra do Heroismo: Rua da Esperança nº 8. Residente (desde novembro 1963) no Estado do Rio de Janeiro

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